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Phil Collins faz apresentação histórica no Rio de Janeiro e emociona fãs

THE PRETENDERS e PHIL COLLINS

Maracanã, Rio de Janeiro, RJ , 22/02/2018

 

Texto por Marcelo Vieira e fotos por Gustavo Maiato e Daniel Croce

 

No episódio 380 de “Os Simpsons”, Bart Simpson mete a real: “Eu já fui um grande baterista e agora não sou nada, igual o Phil Collins.”.

 

Definitivamente o filho do Homer não poderia estar mais enganado.

 

“Ainda estou vivo”, dizem tanto o nome da atual turnê de Phil Collins como a autobiografia do músico que acaba de chegar ao mercado brasileiro — um belíssimo trabalho da editora BestSeller. Quem diria que sete anos após anunciar sua aposentadoria, Collins não apenas tiraria o atraso de uma vida inteira com o público brasileiro, mas também seria capaz de mobilizar gente o bastante para, se não lotar o Maracanã, dar a impressão que o palco da final da Copa de 2014 ainda é digno da alcunha de “maior do mundo”.

 

Se por um lado, o Collins que se vê no palco não é mais um clone do Papa João Paulo II — duvidando? Dê um Google —, por outro, está longe de possuir o vigor de outrora: os problemas na coluna que o aposentaram precocemente da bateria — instrumento que tocou por mais de duas décadas no Genesis — agora também irradiam dores nas pernas, obrigando-o a caminhar com o auxílio de uma bengala e fazer a apresentação sentado, como um cantor de barzinho. Às pernas inquietas, síndrome comum a bateristas, se junta uma mão esquerda que treme sem parar. As notas mais altas são obtidas na base do sacrifício. Parte do repertório teve a afinação abaixada para encontrar a voz de Collins no meio do caminho.

 

A banda que o acompanha é coisa de louco: nada menos que treze músicos, incluindo quatro backing vocals que parecem ter sido importados da Igreja Batista mais hypada do sul dos EUA e uma seção de sopro à la Vitória Régia tão simpática quanto multiétnica, que fazia passinhos coreografados e percorria o palco de ponta a outra como em um desfile de data comemorativa. Mas o destaque individual não poderia ser outro: Nic Collins, o filho do homem, de apenas 16 anos, detonando na bateria. “Ele é melhor do que eu era nessa idade”, disse o paizão, todo orgulhoso.

 

O repertório apresentado para o público carioca foi reduzido em relação ao que vinha sendo executado desde junho de 2017, quando a atual turnê teve início em Liverpool. A apresentação, que originalmente se divide em duas partes, tornou-se uma, e entre as quatro canções limadas estava justamente One More Night, indispensável às rádios-elevador e light FMs do Brasil e do mundo. Ainda assim, o ouro e a platina dos mais de 100 milhões de cópias vendidas reluziram na forma de sucessos atemporais de aura subjetiva; canções com vida própria que todo mundo conhece, canta/embroma e, por mais culposo que se configure esse prazer, assume que gosta.

 

Entre os hors concours do pop romântico apresentados estavam Against All Odds (sorry, Mariah, nada se compara à original), Another Day in Paradise e Separate Lives, clássico de Stephen Bishop, executada num emotivo dueto com uma das backing vocals. O Genesis também teve sua fatia no set, com Follow You, Follow Me (no telão, imagens de todas as eras da banda provocaram arrepios nas viúvas do rock progressivo), Throwing It All Away e Invisible Touch, que preparou o arremate final com Easy Lover e Sussudio, com direito a chuva de confete, serpentina e iluminação de discoteca das antigas. Phil e parte da banda voltariam ao palco ainda para um bis: Take Me Home, música que não saía da minha cabeça enquanto eu aguardava o trem partir da estação. Pois, com tanto romance ao meu redor, eu não via a hora de chegar em casa e dar um beijo apaixonado na minha mulher.

 

A abertura ficou a cargo do The Pretenders, um dos sumo-sacerdotes da New Wave, liderado pela irretocável Chrissie Hynde. O cabelo é o mesmo, a presença de palco é a mesma, a atitude rock n roll é a mesma. A vocalista está em tão boa forma que nem parece que é somente meses mais nova que Phil Collins. “Eu pegava”, disse o amigo ao lado. Não concordo, nem discordo. Muito pelo contrário.

 

 
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