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Dream Theater: entrevista exclusiva com o vocalista James LaBrie

Por Daniel Croce

 

ROCK BRIGADE: Olá, senhor LaBrie, é um prazer e uma honra falar com você. Bom, este novo álbum do Dream Theater, auto intitulado, é o segundo lançamento de vocês com Mike Mangini na bateria, portanto uma afirmação de vocês como banda de formação estabilizada, conte-nos como as coisas estão indo ate agora, das contribuições dele passando por todo o processo de composição, ate finalmente a aceitação dos fãs, novos e antigos, a presença dele.

James LaBrie: Obrigado. Sabe eu acho que quando as audições com ele estavam ocorrendo, eu meio que já sabia que seria ele. Mike foi complementante disposto para a coisa, ele queria ser nosso "campeão" desde o inicio, estava pronto para tudo a qualquer momento e para qualquer coisa. E havia aquela energia incrível emanando dele claro, e além disso, houve uma conexão imediata, estávamos sentindo que havia algo, que ele era o cara. Então sim, quando cruzamos a fronteira do Dramatic Turn Of Events e fomos para um segundo disco com ele, sabíamos que finalmente ele estava se sentindo parte da banda e confortável para isso, como você disse, sendo esse nosso segundo álbum, ele estava la desde o inicio, nos primórdios de cada célula musical, e muito mais confortável pra se expressar, pra se encaixar como musico, encaixar partes de bateria, sugerir e não somente ser um musico de estúdio, um "session member". E acho que isso afetou toda a energia do novo álbum, fez toda a diferença, por causa da maneira que ele tocou bateria se sentindo parte do time. E quanto ao fato dos fans aceitarem ou não, acho que é visível, as pessoas precisam ir a um show nosso, e ver como ele interage com a gente, como ele toca, e é inegável. Ele não é somente um grande batera, ele é um show man nato, ele transparece muita energia, é magnético, os fãs acho que não tem como não gostar dele por isso, e ele toca as coisas com um sorriso de orelha a orelha, impossível não notar isso também.

 

RB: Bom, vocês nessa nova turnê “Along For The Ride”, voltaram ao formato de longos shows de três horas, divididos em duas partes e um bis, conhecido por “An evening with Dream Theater". Isso não acontecia desde 2005 no giro do Octavarium, já se passaram então longos nove anos, quase uma década. Eu sei que isso para os fãs é fabuloso, incrível, mas para as pessoas da banda, especialmente você, o cantor, é bastante cansativo, mental e fisicamente. O que os fez revisitar esse velho formato?

JLB: Bom porque eu acho provavelmente que a melhor plataforma para o DT, é fazer o formato "An evening with...", que nos permite visitar muitas músicas, com o enorme material que nos temos agora, 12 álbuns, fica cada vez mais difícil escolher o que tocar dentro de "apenas" duas horas de show. Então nós pensamos por um tempo, e como você disse, são nove anos desde a última vez, e nós gostamos muito daquela experiência, então, por que não retornarmos a ela? Decidimos que no inicio dessa tour mundial seria assim. Minha voz esta ótima nos últimos meses, tenho me exercitado, estudado, me preparado, estou tomando conta de mim, para isso ser possível, para eu poder viabilizar um show tão grande. E acho que os fãs vão gostar muito, acho que é o que eles querem, então vamos preparar dois sets bem diferentes, abrangendo vários álbuns e mais um bis, claro, para tornar essa experiencia inesquecível.

 

RB: E como você nesses anos todos tem lidado por exemplo, em ter que cantar letras e linhas vocais escritas por não-vocalistas, como John Petrucci, Mike Portnoy, etc? Vocês negociam entre si a métrica, os tons, os significados das letras, etc? Eu estou bem sabido que dentro do Dream Theater, aquele que escreve letras também tem que vir com a melodia de voz mais ou menos já prontinha para o encaixe na música.

JLB: Ah, mas eu costumo cuidar mais dessa parte sim, não tem só um cara fazendo isso quando se escreve letras, acho as pessoas ainda pensam nisso forma errado. Sim, Mike escrevia letras e linhas vocais, John também faz isso, mas é um trabalho coletivo sim, e de longe, mesmo que outros caras escrevam linhas melódicas vocais, eu não tenho nenhum problema com isso. Pra mim acho ótimo inclusive, desde que a melodia seja boa. Não tenho essa atitude de somente cantar minhas melodias. Mesmo na minha carreira solo, com Matt Guilory e os outros caras, que também trabalham nessa área de melodias vocais, eu colaboro junto e não tenho nenhum problema, é tudo parte de um coletivo que eu gosto de trabalhar. Não existe isso de "é minha melodia ou nada", porque não estou de mente fechada nunca, e sim, sempre aberta, se alguém vem com uma melodia boa, eu não vou tentar muda-la, vou super respeita-la. Agora se você me vem com uma melodia ruim, poxa, ai sim eu vou reclamar (risos). Então para mim, poder trabalhar em coletivo sempre me agradou, mesmo com letras e melodias vocais de outros.

 

RB: Sobre sua carreira solo, esses dois álbuns mais recentes, que eu considero meio que como "gêmeos": Static Impulse e Impermanent Ressonance, são meio que uma virada de jogo para você como artista solo, pois são exatamente a mesma banda, a mesma sonoridade, parece que criou-se de vez a identidade musical da banda. O que fez você e Matt Guillory, como seu fiel escudeiro, pensarem em nomes como Peter Wildoer, Marco Sfogli, Ray Riendeau? Está claro para mim que a química de vocês cinco está perfeita.

JLB: Isso mesmo! Bom, Matt e eu tínhamos uma visão perfeita do que queríamos a partir de Static, mas eu pessoalmente acho que esse tal ponto de virada foi no Elements Of Persuasion, foi quando trouxemos Marco para a banda e começamos a pensar como banda, e tornarmos banda, menos como projeto solo meu. Acho que a partir dali começamos a tornar nossa sonoridade identificável. Não estou querendo desmerecer os dois Mullmuzzler, algo assim, mas a partir do Elements começamos a soar como unidade, e acho que o Static e o Impermanent são a conclusão disso. Eles são a visão musical do Matt, junto comigo, em tornarmos as musicas memoráveis, melodicamente direcionadas para as linhas de voz, os refrões serem memoráveis. E com os músicos que conseguimos nos unir, Marco, Ray, Peter, e claro, além de Matt como um incrível compositor e criador de camadas de timbres de teclados, isso tudo junto nos fez compor melhor. Acho que elevamos nosso próprio nível, e principalmente claro, como você citou, mantemos a mesma banda. E espero que um dia seja possível juntar as agendas e fazermos uma tour.

 

RB: Bom, falando no diabo, você é um sujeito afortunado em poder tocar e gravar com bateristas de incrível renome, como Peter Wildoer e Mike Mangini - sendo que esse você já tinha uma parceria de longa data -  ambos parte dos três finalistas dos testes para novo baterista do DT. Conte-nos um pouco sobre as capacidades deles, suas técnicas, habilidades, e o que te fez "pescá-los" para você.

JLB: Sabe, sobre Mike Mangini, a primeira vez que o vi, e ouvi, foi com o Extreme, e eu o via no palco, ele fazia solos de bateria incríveis, tinha aquela performance absurda, claro. Nós do DT estávamos fazendo alguns shows em festivais, e acabávamos nos cruzando. A gente conversava entre um show e outro, e uma vez eu disse pra ele "Cara, se eu for fazer um álbum solo, queria muito você nele", e ele "Você me ligue imediatamente, eu quero estar nesse álbum" (risos). E isso de fato acabou acontecendo três vezes né (risos de novo). Mas além disso, vendo ele depois com Steve Vai, percebi que ele tem um "approach" único no instrumento, com mãos principalmente, ele é tao fluido, e ao mesmo tempo tem "grooves" tao sólidos. E ele faz parecer isso tudo instintivo, sem esforço. Acho que foi isso que de cara me atraiu nele. Ele é tecnicamente brilhante. Acho que o mesmo aconteceu com Peter, ele também eh um baterista formidável, e alem disso, é incrivelmente talentoso, como baterista de metal Ele pode tocar com muita força, muita energia, mas ao mesmo tempo ser incrivelmente musical. Você pode notar isso quando ele esta escrevendo as partes de bateria dele, tanto no Darkane quanto com a gente. As partes que ele está colocando atras das harmonias e melodias, não são apenas um cara "porrando" ali nos tambores. Com ele fazendo, ele realmente esta dissecando as partes, e acrescentando-as musicalmente como forma de bateria, isso foi que me deixou chocado com Peter. E no topo disso, ele também é fenomenal como vocalista gutural (risos), cara ele é um fenômeno (mais risos)! Alias, ambos são caras muito legais, verdadeiros cavalheiros...

 

RB: Bom, como minha última pergunta, e a de muita gente: quando será viável uma James LaBrie solo band tour? Acho que tem muita gente esperando para ouvir essas musicas ao vivo. Seria um caso de somente juntar as agendas dos músicos?

JLB: Como eu disse antes, é um pouco difícil, no momento, achar a velha brecha no calendário de todos, como do próprio Dream Theater e dos outros. Te digo que todo mundo está muito afim, esse assunto sempre acaba vindo a tona quando os cinco se falam, acho que em um ou dois anos podemos realmente pensar nisso, pois poderá haver uma janela de abertura pra todos. Gostamos muito desse material, acredite, e queremos tocá-lo ao vivo. acho que tudo que precisamos é de meros seis meses, para eu juntar os caras e dizer "gente, temos uns seis meses para gente poder pensar numa curta tour norte americana, uma curta tour sul americana claro, uma europeia, uma asiática". Eu a farei, calma, espere um pouco (risos).

 

RB: Senhor LaBrie, foi um prazer enorme, e a gente se encontra na turnê brasileira do DT.

JLB: Ótimo, estaremos aí com certeza! Obrigado.

 
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