logotipo
35 anos de rock'n'roll

Música do Dia


OZZY OSBOURNE - Let Me Hear You Scresm

Tristeza dupla: morrem bateristas dos grupos C.O.C. e To/Die/For

Reed Mullin e Santtu Lonka morreram nesta semana: causas não foram reveladas.

Black Swan: superprojeto de hard rock reúne músicos consagrados

Novo supergrupo reúne músicos de Whitesnake, Dokken, Foreigner, Mr. Big, Ace Frehley e MSG.

Absu anuncia seu fim após briga com guitarrista que virou trans

Banda texana de black metal usa redes sociais para anunciar oficialmente seu fim.

  • Tristeza dupla: morrem bateristas dos grupos C.O.C. e To/Die/For

    Terça, 28 de janeiro de 2020
  • Black Swan: superprojeto de hard rock reúne músicos consagrados

    Terça, 28 de janeiro de 2020
  • Absu anuncia seu fim após briga com guitarrista que virou trans

    Terça, 28 de janeiro de 2020

Sepultura: entrevista exclusiva da ROCK BRIGADE com três membros da banda

A ROCK BRIGADE realizou uma entrevista exclusiva com três membros do Sepultura: Andreas Kisser (guitarra), Paulo Jr. (baixo) e Eloy Casagrande (bateria). Confira na íntegra abaixo:

 

Por Daniel Croce

 

ROCK BRIGADE: Fala Andreas, Paulo, Eloy, um prazer ter quase todo mundo aqui com a gente. Vamos começar pelo novo DVD da banda, vocês entraram por assim dizer, no panteão das bandas que já tocaram em alguma edição do Rock in Rio duas vezes numa na mesma edição, só que melhor ainda, em duas situações bem diferentes nos dois dias, dois sets lists bem distintos. O do palco mundo, com o Tambors du Bronx, vai ser lançado nesse DVD certo? Mas e o do Palco Sunset com o Zé Ramalho, virá também como edição bônus, edição dupla, ou num futuro próximo, porque aquele show teve uma aceitação excelente por parte dos fãs, afora o set em si que também foi muito peculiar, merecia um registro oficial.

ANDREAS KISSER: Ah, sem duvida, infelizmente a gente não teve toda a estrutura para gravarmos os sons, as imagens. Assim, existe a gravação que passou na TV, né, mas ao contrário do show com o Tambours du Bronx, a gente desde muito cedo já tínhamos a total intenção de gravarmos, até pelo impacto causado pelo show da edição de 2011 no Palco Sunset, e abriu portas espetaculares, fizemos Rock in Rio Lisboa 2012, fizemos Wacken Open Air 2012 com esse formato, até sermos a primeira banda a ser anunciadas pra edição de 2013 do RIR. Fizemos a propaganda do anuncio do festival gravado com o Tambours, que foi veiculado nas tv's, no Cristo Redentor, durante 2012 e 13. Então desde cedo a gente ja sabia que iriamos fazer esse registro, afora as pessoas que perguntavam "como esse show com toda essa percussão não esta no Palco Mundo"...

 

RB: Pois é, eu também naquela situação em 2011 estava me perguntando por que vocês não estavam com aquele show no Palco Mundo, e por ironia do destino, lá estava o Eloy tocando na mesmíssima hora no palco mundo com o Gloria.

AK:  Exatamente! A gente tava lá metendo o malho e atrapalhando o solo de bateria dele (risos gerais), ele ficou bem puto ate hoje, não entendeu essa história muito bem (mais risos). Enfim, o cronograma dos dois palcos tava bem fora de sincronia em 2011, a gente atrasou, houve vários problemas técnicos, não foi culpa de ninguém. Mas o nosso show foi fantástico, a ideia do DVD já estava bem definida. O Zé Ramalho foi outro grande impacto no Palco Sunset, apesar da gente não ter tido a ideia de gravar também, um trabalho como esse, mas espero que a gente tenha outra oportunidade, num RIR ou em outro show, de fazer o registro, como você mesmo disse, de um show bem peculiar, bem diferente, de dois artistas brasileiros tão distintos e ao mesmo tempo com tanta coisa em comum.

 

RB: No caso, o show com de vocês lá com o Zé, tinha um público considerado, ele foi bastante aplaudido, na sua opinião ou na do Paulo, o pessoal do metal, headbanger, está ficando mais, não diria amolecido, porém mais cosmopolita, tolerante, eclético, por assim dizer?

AK: Acho que sim, hoje com a internet, você acompanha sua banda favorita pelo mundo afora, você tem a possibilidade de assistir Metallica ao vivo pelo YouTube, até em cinemas, tem uma rede de cinemas aqui em SP que passam shows e afins, eu mesmo assisti o Metallica em 3D, foi uma coisa muito fantástica, muito legal. É muito legal você pensar que pode haver um show do Metallica tocando junto por exemplo com o Ben Harper, acho que abre um pouco mais a cabeça, e fico aqui pensando no que as pessoas mais metais "radicais" vão entrar em pânico, torcendo o nariz. A gente mesmo já tocou com o Peter Gabriel , com o Sting, com bandas flamencas em festivais no sul da Espanha, acho que o Heavy Metal tem a habilidade de transitar por muitos estilos diferentes. O próprio Tambours du Bronx já tocou com vários artistas alternativos, como banda de ska, de funk, de hardcore, bandas de metal, e é legal tudo isso, porque tudo é música no final das contas. Acho engraçado. E o rock in rio tem essa proposta, eu acho engraçado a galera criticar o lado pop, alternativo das bandas do RIR, porque desde sempre foi assim, desde 85 ao mesmo tempo que tinha Ozzy, Queen, Iron Maiden, AC\DC, Yes, tinha Al Jarreau, George Benson, Alceu Valença, Pepeu Gomes. Então, o fã de heavy metal deveria ter a visão que o estilo tem como habitar outros espaços e misturar com outros estilos sem perder as suas características. Não precisa ser mais como antigamente que o fã de metal tinha medo que se misturasse demais podia virar alguma outra coisa, que não fosse metal. A gente misturou metal com música brasileira, o Metallica trouxe a influencia da música country norte americana no Load e no Reload, e sofreram críticas, claro, mas no fundo pouco se importaram, eles estavam afim de fazer, e se hoje eles tocam em estádios, tem um pouco dessa ousadia também. Acho que mais do que fã de metal, quem tava ali assistindo a gente com Zé, era brasileiro, quem nunca ouviu Vida de Gado, aquela música da novela, independente se você gosta ou não, você conhece, foi uma coisa bem linda ver aquela galera cantando com vontade, com emoção, com alegria, foi uma experiência linda, e acho que se tiver a oportunidade de fazer novo, vamos botar pra frente.

 

RB: Legal! Bom, vamos falar do disco novo, né? Como foi que vocês chegaram no conceito do título e das músicas do The Mediator Between Heads And Hands Must Be The Heart, pode-se dizer que é um disco conceitual, ou pelo menos, temático?

AK: O disco tá fazendo um ano agora, né. A gente já fez duas turnês pela Europa, inclusive essa última nós tocamos no Download Festival, tocamos na China, na África do Sul, na Nova Zelândia. Então, o disco é realmente muito forte, que trouxe uma formação nova com o Eloy, uma energia boa, muita ideia, um fenômeno na bateria, um músico excepcional. A influência do titulo mesmo veio do filme "Metropolis", mas apesar da gente não ter feito um álbum temático sobre o filme, como foi no Dante Alighieri, ou no “Laranja Mecânica”, essa foi uma coisa mais aberta, a frase em si inspirou a gente a escrever as letras, e é como ela diz: o que passa pela sua cabeça e ação pelas mãos, sem passar pelo coração, te torna num robô, né. Então, é muito do que a gente vê hoje em dia, essa coisa meio robotizada, você tem que tomar cuidado com o que você fala, com o politicamente correto, como o Washington Oliveto mesmo fala sobre os limites da propaganda hoje em dia, com os programas de humor, você não pode falar nada que estará sempre ofendendo alguém. Então a gente fala disso, dessa falta de liberdade de expressão, de falta de você ser livre, de poder usar o coração pra se expressar, da parte humana, de contestar, de protestar e não aceitar tudo que os meios de comunicação te falam. Hoje em dia a gente tem essa possibilidade da imprensa alternativa, na internet, a gente pode ver o que a CNN, a BBC e a Al Jazeera por exemplo, estão falando, pode ler sobre várias vertentes de teorias das conspirações. E fora isso, todas as coisas alternativas falando dos mesmos temas em torno disso sobre isso, mas num ponto de vista diferente. Então isso ajuda você a criar pelo menos uma opinião, e não seguir a dos outros, porque você tem que ter uma. Então, acho que é uma frase muito forte, muito representativa, e que inspirou a escrever tudo que a gente escreveu. Apesar de ser uma frase longa, mas acho que a arte é isso mesmo, é pra quebrar regras e barreiras, a gente nunca teve medo de arriscar. Mais uma coisa diferente que a gente faz na vida, né?

 

RB:  E claro, Ross Robinson, como foi o papel de incentivo dele no conceito do disco?

AK: A gente chegou lá com o material praticamente uns 80, 90 por cento, sabendo a direção de cada tema e tudo, e o Ross entrou naquela fase final quando a gente foi pro estúdio, naquela semana de pré-produção, de escutar os temas, e o Ross o é um cara fantástico, um grande amigo, que respeita a banda, o som da banda, a gente teve um trabalho fantástico no Roots, um trabalho marcante para nossa carreira e na dele também, e a gente tava muito feliz em podermos trabalhar juntos de novo. Nós fomos para casa para gravarmos, passamos um mês inteiro em Los Angeles, num lugar espetacular e bem focados no disco, ele trouxe toda a experiência e toda a maluquice dele (risos) que é sempre bem vinda, aquela coisa de não ter medo em testar, em deixar erros, e ele gosta que o músico trabalhe no limite, para o músico quebrar esse limite e trazer coisas novas. Foi uma coisa fantástica, e também ressalto destacar a participação do Steve Evetts, que mixou o disco e deu toda a unidade pras loucuras que a gente criou no estúdio com o Ross. Ele já produziu o Roorback, o Revolusongs, e também conhece bem nosso esquema.

 

RB: Eloy, essa é pra você: eu considero você um "self made man", ou seja, o cara que por esforço próprio, grana, garra, construiu seu estilo de bateria, e conquistou o respeito e portanto o espaço para tocar em bandas de proeminência nacional e internacional, mesmo com pouca idade. Como foi pra você tocar em três estilos de música pesada, apesar de digamos "parecidos", ainda assim diferentes, como o metal melódico do Andre Matos, o metalcore/post-hardcore do Gloria e a mistura de thrash, tribal, groove metal do Sepultura? Afora as modificações que eu fui percebendo nos shows dessas três bandas no seu kit, como você foi se adaptando aos estilos das três bandas, cada uma em sua época?

ELOY CASAGRANDE: Ah legal cara, obrigado. Eu acho que apesar de tudo isso, meu estilo sempre foi tocar metal, rock, mas também tocar pesado. E em todos os lugares que eu toquei eu sempre tive total liberdade de inserir e tocar o meu estilo. Eu acho que com o Andre Matos, um lance mais melódico, eu usava mais as viradas e tal, mais técnica de tambores. No Gloria, como é mais pesado, eu usava bastante os surdos para marcar e grooves mais modernos, porque não tinha muito tempo para viradas grandes. No Sepultura, eu aumentei mais a minha gama de surdos e tons afinados de forma bem aguda, como se fossem timbalitos, para ficar bem característico ao som do Sepultura. E eu me identifiquei e me adaptei muito fácil e gosto de ter essa abertura para criar coisas diferentes, inserindo bastante da música brasileira. Eu acho interessante essa mistura da música pesada, do metal com a pegada mais ritualística, brasileira, acho que você pode variar muitas coisas e fica tudo bem interessante.

 

RB: Duas semanas atrás eu estive aqui no Rio de Janeiro no workshop do Dave Lombardo, nessa série que ele fez pelo país todo em agosto e setembro, e ele contou em poucas palavras como foi a aparição dele no disco de vocês, nas palavras dele foi algo simples como mais ou menos "Ah, eu estava andando na praia próximo a casa do Ross, ele me ligou ou eu liguei pra ele, a gente se falou e ele disse que estava com o Sepultura gravando ali e me chamou para participar da gravação também". Ok, beleza, agora como é a versão dos fatos de vocês, como foi gravar com ele?

EC: Então, na verdade, o lance do Dave, eu já tinha me encontrado com ele em Los Angeles na feira de musica NAMM, no começo de 2013. Ele veio falar comigo, disse que conhecia meu trabalho, até fiquei assustado do cara saber quem eu sou, que banda eu toco, e tudo mais. Aí acabei falando para ele que a gente ia gravar na casa do Ross, em uns 5 ou 6 meses. Foi então quando ele disse "Ok, vou dar uma passada lá... me avise quando vocês estiverem aqui". Ai sim, o Ross ligou e achou ele na praia do lado. Mas quando ele chegou a gente fez uma surpresa pra ele, já tinham duas baterias montadas, pra gente gravar um solo de bateria e incluir no disco. Mas não foi tão de surpresa assim não, começou com meu encontro com ele na NAMM.

 

AK: Eu lembro que a gente já tava bem adiantado as partes da bateria, a gente tava gravando baixo, e tava bem adiantando o lance da bateria, e aí o Ross disse Oo Dave Lombardo está vindo para o estúdio", e eu "Caramba, sério mesmo?". E ele, "Sério, vamos fazer uma jam.” Acabou que a gente parou tudo que a gente tava fazendo pra montar outra bateria pro Dave Lombardo, e ele apareceu com mulher, filhos, cachorro (risos). Ele chegou muito relaxado, de boa, levou o tempo que foi preciso pra fazer tudo. Queria até agradecer a família dele pela paciência por isso. Mas foi legal, o Dave a gente já encontrou muito na vida, com o Slayer, a gente tem uma relação de respeito mutuo, e foi uma grande honra de ter juntado tudo isso. Eu também tinha acabado de gravar com o Gary Holt uma trilha pra um filme, junto com o Ross, então, todo mundo se conhecia ali, e ainda bem, foi uma coisa que fluiu. Acho que se tivesse planejado muito não iria rolar, se tivesse colocado empresário, e essas coisas no meio... mas quando a coisa acontece através dos músculos simplifica, né?

 

RB: Eu recebi a mesma pergunta dos meus amigos, e companheiros jornalistas, e assim, ela já deu um pouco no saco, então eu vou fazê-la diferente: ainda tem aparecido gente, desde fã, a jornalista, a executivo de gravadora, a empresário, ainda querendo um show de reunião de você Andreas, você Paulo, com os irmãos Cavalera? Ainda tem aparecido esse tipo de proposta chata? Teve show do Cavalera Conspiracy semana passada aqui, e eles parecem bem tocando juntos, só que vocês também estão tocando e compondo juntos, então é aquela questão: "como lidar" com esse tipo de pedido?

AK - Tem, mas eles não conseguem pagar meu cachê (risos). Isso nunca vai acontecer. Acho que gente querendo ainda tem. Isso aí vai ter pra sempre né. Eu acho que principalmente porque nos últimos cinco ou seis anos foi a década das reuniões. Todo mundo voltou a tocar junto. O Faith no  More também. Muita galera voltou. Algumas foram legais, outras nem tanto. O Scott Ian falando que se arrepende de ter voltado com aquela runião do Anthrax em 2005, e que não deu aquele resultado que eles gostariam. Enfim, eu acho que essa pressão foi natural e muita gente, principalmente os fãs queriam ver isso de novo, etc. Mas não temos nem de onde tirar isso. Nós estamos bem  focados no que andamos fazendo. Eu acho que é o melhor momento da história da banda, com uma gravadora forte, um disco forte, relevante. Com um DVD saindo. Com a marca do Sepultura indo pra vários produtos diferentes. Cerveja, vinho, nome de pimenta. E tem outras várias possibilidades se abrindo. E então assim, não tem sentido nisso né? A gente está num caminho desde 1984, quando a banda começou, nãoparou. Geralmente, o Sepultura não teve férias, não teve nem break. Teve mudanças significativas tanto dentro como fora. Principalmente de fora eu diria, por causa da tecnologia, venda de disco, de vinil pra CD, de CD pra download. Veio um monte de coisa e o Sepultura continua aqui, forte e firme. Acho que o Sepultura celebra 30 anos de história, setenta e três países visitados e sabe, muita história pra contar. Então, é um momento muito bom de celebração de 30 anos. Acho que eu não podia esperar por coisa melhor realmente. A gente está muito saudável fora do palco. Com trabalho, com planejamento muito bem feito e isso é uma coisa que só o tempo nos trás. Acho que a saída do Max foi muito traumática. Nós não perdemos somente um vocalista e frontman, perdemos empresário, toda a estrutura que o Sepultura demorou 10 anos pra construir que acabou ficando com o Soulfly. E enfim, a gente recomeçou do zero praticamente. E foi uma coisa espetacular também porque a gente aprendeu. A gente cresceu. A gente só cresce, só aprende na porrada e tem que ver o lado positivo das coisas! Eu acho que é por isso que a gente tá aqui curtindo mais do que nunca ser parte do Sepultura.

 
Busca no site