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Darkthrone: entrevista exclusiva da ROCK BRIGADE com Fenriz

Por Luiz Mallet

 

Darkthrone de volta às reais raízes

 

Na música pesada, o Darkthrone é uma lenda. Fenriz e Nocturno Culto foram um dos criadores da nova onda do Black Metal dos anos 90, criado na Noruega. Entre muitas polêmicas como assassinato e queima de igrejas, álbuns clássicos como Transilvanian Hunger, A Blaze In The Northern Sky e Under a Funeral Moon, ícones de uma geração da música extrema, foram compostos. No ano de 2015, após andar por muitos outros territórios, o Darkthrone retorna a beber do extremo que ajudou a criar em seu marco zero com Arctic Thunder e Fenriz, membro original e lenda viva do Black Metal, dá algumas palavras sobre o processo de criação do álbum, momentos da gravação e sua relação com a música brasileira. Confira:

 

RB: No final do ano passado, Darkthrone lançou o álbum Arctic Thunder. Qual foi a razão para um retorno às raízes neste registro?

FENRIZ: Eu não posso falar por Ted aqui, mas eu imagino que ele sempre faz música de sua própria cabeça e inspirada por ele mesmo, porém isso seria pura suposição da minha parte. Eu, por outro lado, tive uma visão para este álbum mais introvertida. Por quê? Desde que finalmente temos o nosso próprio estúdio novamente (graças à iniciativa de Ted em 2005), viemos fazendo música de um jeito muito freestyle, sabe? No entanto, nosso último álbum (The Underground Resistance, de 2013) bebeu de alguns dos muitos estilos que tocamos e foi um pouco mais sério, mas ainda incorporando um monte de coisas diferentes. Ficamos muito satisfeitos com The Underground Resistance e pessoalmente, eu estava querendo superá-lo.

 

Normalmente eu escrevo um riff principal e vou encaixando partes nele que combinam com a ideia central. Sei lá como eu faço esse processo funcionar e o que me inspira para isso, mas acontece sendo só eu, minha guitarra, toda a música que eu já ouvi (e isso, senhoras e senhores, é muito) e o que eu escolho jogar fora e o pouco específico que eu decido manter. Vou dizer-lhe um segredo: o que eu realmente estou tentando escrever agora é o que eu teria escrito em 1988 se tivesse as habilidades de escrita e experiência de bateria na época e se não entrassemos no território do Death Metal, que acabamos fazendo no final de 1988/início de 1989. O que estou escrevendo agora é a verdadeira música original do Darkthrone, de volta às reais raízes. Sempre é dito em biografias on-line sobre nós que começamos como uma banda de death metal, mas ouvindo a nossa primeira demo é claro para todos que não é verdade. Tivemos todos os tipos de inspirações que eram muito mais velhos do que isso.

 

RB:  O novo álbum parece refletir toda a carreira de Darkthrone em apenas um disco. Quais foram as influências para alcançar esse resultado?

FEN: O álbum de 2013 era uma espécie de mamute para nós e era difícil lidar com o fato de que teríamos que matar esse mamute ou contorná-lo, então optei pela segunda decisão e (falando novamente sobre a minha própria tomada de fazer novas músicas aqui) por cortar fora alguns estilos a mais, deixando a minha habitual habilidade para escrever músicas numa pegada de Speed Metal para trás. Então, o que havia para eu fazer? Metal lento e pesado! Quando lentamente decidimos gravar outro álbum, por volta de meados de 2015, eu tinha quatro álbuns na minha cabeça como inspiração. Isso não significa que eu vou sentar , ouvir os álbuns e tentar copiar eles num só, a coisa funciona mais como um roteiro. Depois que todas as músicas foram gravadas e eu recebi uma cópia do álbum gravado de Ted, eu descobri que não havia, por exemplo, nada em minhas músicas que me lembrou os álbuns que usei de inspiração e isso me dá a certeza que não estou trabalhando como um robô ou qualquer coisa. Os álbuns que usei de inspiração foram Journey Into Mystery, do Dream Death; Within The Prophecy, do Sacrilege; Mob Rules do Black Sabbath e Epicus Doomicus Metallicus, do Candlemass.

 

RB:  Como foi o processo de gravação neste CD, já que foi gravado em lugares diferentes?

FEN:Na verdade o álbum foi gravado no Bomb Shelter quase em sua maior parte. Gravamos a bateria e as duas guitarras lá, assim como fizemos em nossos cinco registros anteriores ao Arctic Thunder. Então Ted leva para onde e faz todo o resto. Voltei para casa em Kolbotn por 2013/2014, apenas a 200 metros do nosso antigo espaço de ensaio. Fiz alguns contatos na comunidade local (agradeço a Nicklas e Morten B.) e finalmente tive a chave do Bomb Shelter novamente. Voltando aos tempos de Guerra Fria, todo mundo tinha que ter um abrigo anti-bombas (Bomb Shelter em inglês) e isso significa que também devia estar constantemente vazio para abrigar pessoas em caso de guerra nuclear. Então, todos os ensaios que tínhamos nós pegávamos os equipamentos de uma sala ao lado da garagem no nível do solo, levávamos até o abrigo e configurávamos tudo. Depois dos ensaios, tinhamos que de desmontar tudo e levar de volta para a sala lá em cima. Quando chegamos ao acordo de gravação com a Peaceville no início de 1990, eu disse a meus pais: “Temos um contrato de gravação agora, não podemos mais ensaiar assim, temos que ensaiar em nossa casa!". Então nós fizemos um estúdio na parte de cima. Obrigado, pais. Mas meio ano depois a guerra fria terminou e poderíamos ter continuado a ensaiar lá sem todo o incômodo de montar e desmontar todo o equipamento. É a vida! (risos)

 

Então, em agosto de 2015, Ted e eu dirigimos até o nosso local de gravação anterior (obrigado, Kjell Arne), pegamos todo o nosso equipamento e instalamos ele no Bomb Shelter novamente. Ele ainda tinha o mesmo cheiro, a única diferença é que muitas outras bandas ensaiaram lá e o velho poster “Me and My Guitar” do Chet Akins não estava mais lá e o zelador disse que teve que tirá-lo por causa de danos causados pela água. Fui para casa, encontrei a capa do álbum on-line, imprimi e coloquei de volta. Agora estávamos de volta aos negócios! (risos) Nos reunimos em setembro com duas músicas de cada um pronta para ser gravada e, em seguida, novamente em dezembro, com o mesmo procedimento. Para a gravação do Arctic Thunder, colocamos microfones na bateria, na guitarra e nenhuma parede entre eles para que a guitarra vaze para a bateria e vice-versa e aí tocamos até que estivéssemos satisfeitos. Isso significa que é uma situação muito viva e muito alta também. (risos) Nós não fazemos muito com o som depois porque não podemos, é um método muito primitivo. Depois de Ted gravar o baixo, solos e os vocais, eu recebo uma cópia e digo o que precisa ser ajustado (para este álbum eu disse: "Ted, soa muito abafado. Coloque um pouco de Treble antes do processo de masterização") e então ele é enviado para masterização no Enormous Door Studios no Texas, como o nosso álbum anterior. E lá você tem o produto final. Uma master para o CD e uma para o vinil.

 

RB:  Você sabe alguma coisa sobre o Heavy Metal Brasileiro ou Música brasileira em geral?

FEN: Começou com eu encomendando os dois primeiros álbuns de Sepultura no final de 1986. Um ano mais tarde eu recebi um pacote do Max e ele disse que o cara que estava lidando com os envios da banda tinha tomado o dinheiro deles e felizmente ele tinha encontrado a minha carta. De qualquer maneira estava envergonhado porque tive que esperar um ano inteiro pela encomenda, então ele adicionou o último álbum como um um bônus, chamado Schizophrenia. Esse álbum se tornou um dos meus favoritos no Thrash Metal e eu também gosto do Metal mais obscuro como em Bestial Devastation. Em seguida, fui para o Sarcófago e assim por diante, até que na década de 2000 eu entrei em novas bandas como Apokalyptic Raids e muitos outros. Dos caras do Em Ruínas eu recebi compilações feitas de bandas antigas dos anos 80 e 90 que nunca tinha ouvido antes. Eu poderia listar cada banda que eu ouvi, mas levaria muito tempo, só citei mesmo os principais. Falando nisso, eu vi o Grave Desecrator ao vivo!

 

Eu cresci no início dos anos 70 com um álbum chamado Bossa Rio na minha coleção, e lentamente eu comecei a me abrir para a música mais "geral" brasileira também, sendo Sebastiana, da Gal Costa, meu favorito absoluto. Eu também gosto do álbum Tam Tam Tam, de José Prates e  também o Krishnanda, do Pedro Santos. Na verdade, eu estou realmente obcecado por esses dois últimos álbuns esses dias. Curto muito também coisas como Caetano Veloso e Os Mutantes. Eu não sou um especialista, mas eu gosto muito do estilo brasileiros dos anos 60. Aqui na Escandinávia parece exótico, mas como eu tinha um álbum de Bossa Nova desde que eu era um bebê me sinto em casa com esse tipo de música. Eu gosto muito de Whipstriker também, eu realmente sinto o  que o Victor está fazendo em sua música.

 

RB:  Como você vê cena de música extrema hoje na Noruega? O que ele faz diferente da que existia na década de 90?

FEN: Obliteration é uma grande banda de Death Metal, não tínhamos esse estilo de banda nos anos 90. De qualquer forma os anos 90 é absolutamente a pior década de Metal para mim, eu acho as décadas anteirores melhores e especialmente os anos 80 quando se trata de Metal.

De qualquer forma, desde o final dos anos 2000 a cena aqui e no resto do mundo tem sido mais saudável e mais diversificada do que nunca, no passo que a internet faz jovens e idosos verem mais claramente de onde seus estilos favoritos vêm e também podem encontrar mais bandas que eles estão interessados de forma mais fácil. Tivemos  grandes bandas de Black/Thrash aqui nos anos 90, Infernö e Aura Noir, por exemplo. Aura Noir ainda está tocando muito, uma de nossas melhores bandas de todos os tempos da Noruega e isso é bom. É claro que há muitas novas bandas emocionantes também, como Black Magic, Nachash, Deathhammer, etc. Todas essas bandas novas podem ser verificadas no meu show Radio Fenriz e muitos brasileiros já estão ouvindo!

 

RB:  Obrigado pelo seu tempo, Fenriz! Deixe uma mensagem para seus fãs brasileiros.

FEN: Não se esqueçam de ouvir Demon Bitch e a Radio Fenriz!

https://soundcloud.com/heavytassen/radio-fenriz-26

 

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