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Ace Frehley: estreia solo no Brasil aconteceu no Tom Brasil em SP

ACE FREHLEY
Tom Brasil, SP/SP (05/03/2017)

Texto por Marcelo Vieira e fotos por Pati Patah

Era noite de chuva na capital paulista. As águas de março fechando o verão e o carnaval. O trânsito da maior metrópole da América Latina que já é ruim ficou ainda pior graças a São Pedro e a Daniela Mercury. Acontece que a paixão pelo rock é mais rija que qualquer força da natureza ou desserviço à humanidade. Em tempos de recessão e com ingressos de até 400 reais, casa lotada para o melhor homem do espaço que você respeita.

Muitos eram os motivos para acreditar que a primeira apresentação solo de Ace Frehley no Brasil seria épica. O guitarrista tem uma base sólida de fãs no país — muitos dos quais apoiariam uma eventual terceira volta para o KISS —, e o que se lia a respeito de apresentações recentes realizadas nos principais festivais do planeta empolgava geral. Ace está com disco novo na praça — o bem bacana Origins, Vol. 1, lançado em abril passado — e segue sóbrio, o que não deixa de contar pontos para um bom desempenho individual.

O problema é que Ace nunca foi aquela Coca-Cola toda. Nem quando o KISS ocupava o posto de maior banda do mundo. Ele sempre foi tímido no palco, sempre comeu notas nos solos, sempre ficou à sombra de seus patrões. Até o dia que a relação ficou insustentável e o teor alcoólico no sangue passou a comprometer o funcionamento do grupo. Trinta e tantos anos depois, nada mudou ou melhorou. Aliás, a majestade perversa do tempo, em conjunto com os efeitos tardios da birita, cumpriu seu papel de algoz: Spaceman está cansado.

Ace sobe ao palco, Les Paul em punho e óculos escuros privando o mundo da visão do malfadado resultado de suas últimas plásticas. Os músicos que o acompanham vêm de longe: Richie Scarlet, o autodenominado imperador do rock ’n’ roll, foi guitarrista-base do Frehley’s Comet entre 1984 e 1985 e tocou com uma porção de outros artistas; o baixista Chris Wyse tocou com The Cult e Ozzy antes de se juntar à tropa; na bateria, o recém-chegado Scot Coogan (Lynch Mob, Lita Ford) mostraria, ao longo da hora seguinte, sua competência também ao microfone.

Num palco sem banner de fundo, sob parcas luzes, Rip It Out pegou de surpresa quem esperava um começo com Parasite, terceira da noite. Mais lenta que o habitual, a faixa de abertura do disco solo de 1978 meio que foi um indicativo do que estava por vir: tudo muito devagar, descaracterizado, burocrático até. A banda, visivelmente fora de sintonia, aparava as arestas conforme o público, seduzido pela singularidade do momento, ignorava deliberadamente os erros, sobretudo de Scarlet, espécie de Keith Richards duas décadas mais jovem, mais preocupado em fazer pose que em tocar direito.

No que devem ter sido no máximo cinquenta minutos de música — deixemos de lado o desnecessário solo de baixo e o constrangedor duelo entre Ace e Richie —, o aspecto técnico só piorou. Snowblind ficou mais arrastada que a homônima gravada pelo Black Sabbath. Scarlet não acertou nenhum dos versos de Love Gun. O amigo que assistiu ao show ao meu lado só reconheceu Strange Ways pela letra no refrão. Ah sim: o som estava péssimo, estourado. O zumbido na manhã seguinte seria inevitável.

A interação com o público ficou limitada ao refrão de New York Groove, mas fez sua voz ser ouvida mesmo quando não era solicitado. O canto em uníssono trazia uma forte carga sentimental. Uma mistura de sonho realizado, ainda que às avessas, com noção de estar fazendo parte de uma parada única, sem repeteco. Ace Frehley tem cadeira cativa em nossos corações, e qual a melhor maneira de demonstrar isso se não o fazendo se sentir em casa, apesar de sua indiferença para com os anfitriões? Obviamente, não faltou o “olê olê olê, eicê eicê”, prova cabal de que o melhor do Brasil é o brasileiro.

A reta final teve Cold Gin e Shock Me, com direito ao melhor solo da noite e guitarra soltando fumaça. No bis, Detroit Rock City e Deuce no esquema devagar, quase parando. O tanque da nave esvaziou. O tio assoprou antes das dez, e o quarteto deixou o palco sem demora para atender aos quase cem fãs que desembolsaram aproximadamente 300 dólares cada para o meet and greet.

Objetivo alto, expectativa baixa. Obrigado, Ace, pelo melhor show ruim da minha vida.

01.Rip It Out
02.Toys
03.Parasite
04.Snowblind
05.Love Gun
06.Rocket Ride
07.Rock Soldiers
08.Bass Solo
09.Strange Ways
10.New York Groove
11.2 Young 2 Die
12.Guitar Solo
13.Shock Me
14.Ace Frehley Guitar Solo
15.Cold Gin

Bis:
16.Detroit Rock City
17.Deuce

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