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Overload Music Fest 2017: uma seleção de bom gosto em São Paulo

 

OVERLOAD MUSIC FEST 2017

Carioca Club, SP/SP (16/09/2017)

 

Texto por Luiz Mallet e fotos por Pati Patah

 

O Overload Music Fest já é um festival cativo e necessário para todos os amantes da música torta e obtusa no Brasil. A festa, que acontece anualmente, traz fãs do Brasil todo (e também de fora dele) para acompanhar uma seleção sempre cuidadosa de atrações com curadoria pela própria produtora. O festival já tem uma aura bem específica e inerente e, claro, merecida. Esse ano, o evento colocou quatro artistas que nunca se apresentaram em terras brasileiras e de diferentes locais do mundo. Eram eles: John Haughm (ex-Agalloch/Pillorian), Les Discrets, Sólstafir e Enslaved.

 

O público ainda era bem pouco quando John Haughm adentrou ao palco. Levando um som bem diferente do que apresenta em seu projeto antigo ou na nova banda, o músico aposta em um drone/ambient com a premissa de evocar uma atmosfera das zonas áridas e inóspitas da natureza selvagem americana. É difícil não esperar que o músico execute algumas das músicas dos outros projetos, mas foi colocado que seria uma apresentação bem diferente. John conseguiu se virar bem em apresentação solo e mostrou domínio do seu instrumento e da gama de pedais que tinha à disposição. Aliado à uma cenografia de palco simples e uma indumentária bem inserida, cumpriu o seu dever, mas a sensação de “quero mais” ficou no ar.

 

Pouco mais de meia hora depois, os franceses do Les Discrets subiram ao palco para um show esperado por terras brasileiras. Advindo da onda de post-metal/post-black metal da frança na metade dos anos 2000, Fursy Teyssier (mindmaster do projeto) ainda demonstra suas habilidades como ilustrador no evento, expondo sua arte e exibindo os trabalhos que já fez para outras bandas como Drudkh, Alcest, Amesoeurs, etc. Focando a apresentação em seus dois primeiros trabalhos (Septembre et ses Dernières Pensées e Ariettes Oubliées), a banda nos presentou com grandes músicas como La Traversée, La Nuit Muette, L’échapéé e Chanson D’automne. O fato da banda cantar em francês também aumenta a dramaticidade e a intensidade das apresentações e consegue transmitir toda a carga emocional que a música do grupo necessita. Encerrando o show com a incrível Song for Mountains, é de certo que o Les Discrets conseguiu e para muitos, superou toda a expectativa que girava em torno da apresentação da banda.

 

Outra banda que gerava uma grande expectativa era o Sólstafir. Oriundo da distante Islândia, o grupo executa um post-metal com muitas camadas de efeito, progressividade bem colocada e climas apoteóticos, gerando assim músicas extensas e atmosferas bem particulares. Também cantando em sua língua natal, o recurso auxilia para que essa sensação de estranhamento e distância que existem em muitas de suas músicas sejam maximizadas, como em Náttmál e Ótta. Músicas com Fjara e Goddess of the Ages foram cantadas à plenos pulmões pelos fãs e não podemos deixar de levar em conta o carisma surpreendente da banda, especialmente do vocalista Aðalbjörn Tryggvason (sim, é isso mesmo, você não leu errado) que inclusive na última música citada interagiu intensamente com a plateia. Mais um show incrível da noite para a conta.

 

E para encerrar, não poderia ser de outra forma que não com o Enslaved. O grupo norueguês passeia com elegância pelo black metal, progressivo e viking de uma forma bem característica e própria, criando uma sonoridade única. A banda passeou bem pela fase mais trabalhada da sua obra, executando uma música de cada álbum, como Death in the Eyes of Dawn (RIITIR, 2012), Ground (Vertebrae, 2008) e Isa, do álbum de mesmo nome, de 2004. Porém, o grande interessante dessa apresentação foram as músicas da fase mais crua da banda, aonde a faceta mais agressiva do black metal imperava. Músicas do EP Hordanes Land (1993) e do primeiro álbum Vikingligr Veldi (1994), como Allfǫðr Oðinn e Heimdallr, foram executadas e levaram os presentes à loucura, inclusive abrindo as únicas rodas da noite. Encerrando com a faixa de 1993 chamada Slaget i Skogen Bortenfor, o Enslaved faz um show muito especial para seus fãs e encerra o festival de maneira épica.

 

Falar que o OMF é um caso de sucesso dentro dos festivais de música alternativa no país é chover no molhado, mas o que impressiona esse que vos fala é a capacidade de anos após anos, a Overload conseguir entregar um festival mais completo e integrado para quem comparece. Desde a comida até o Meet & Greet e clima familiar entre bandas e fãs, o OMF não só mostra que além de ser muito bem gerido e apresentado, ainda consegue pincelar uma seleção de bom gosto musical para presentear nossos ouvidos. Que a iniciativa possa perdurar por muitos anos, a música torta agradece.

 

 
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