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Super Bock Super Rock 2018: os três dias de festival em Lisboa

SUPER BOCK SUPER ROCK 2018

Parque das Nações, Lisboa - Portugal (19 a 21/07/2018)

 

Texto por Fernando Araújo e fotos por Stefani Costa

 

 

O punk rock caótico do The Parkinsons abriu o Super Bock Super Rock 2018 no Parque das Nações, em Lisboa, Portugal. Esse grupo é um dos nomes mais emblemáticos do punk português. Originários de Coimbra, fazem um som sem firulas e que inspira a melhor atitude 'chute o balde' e faça você mesmo!

 

No final dos anos 90, a banda construiu uma reputação de ter shows ao vivo muito caóticos, inclusive confrontando a polícia. Já realocados nos EUA, o The Parkinsons foi convidado para tocar na festa de Joey Ramone, no New York Continental em 1997.

 

O álbum The Shape Of Nothing To Come (2018), gravado pela Rastilho Records, é o trabalho mais recente da banda.

 

As vendas de bilhetes da abertura do fest não corresponderam à exímia organização, ao bom gosto e à estrutura de altíssimo nível do evento, ficou a sensação de que 'monstros sagrados do rock' poderiam ter levado bem mais gente à inauguração da 24ª edição do Super Bock Super Rock.

 

Quanto às principais performances da noite no palco principal (na Altice Arena), havia uma expectativa muito grande sobre os britânicos do The XX. No entanto, Romy Madley Croft (guitarra/vocal), Oliver Sim (baixo/vocal) e Jamie Smith (percussão/sintetizadores) não tiveram lá a tal 'pontualidade inglesa'. O público precisou esperar quase um quarto de hora a mais para o início da apresentação.

 

Foi a sétima vez que o trio se apresentou em Portugal desde sua primeira vinda em 2010. O setlist incluiu faixas de todos os três álbuns lançados até então. Porém, foi com 'Dangerous' (do disco mais recente, intitulado 'I See You') que abriram as atividades.

 

A plateia respondeu muito bem, dançou e cantou em coro. Outros pontos altos foram com 'I Dare You' e 'Fiction', que levaram muitas pessoas à plena emoção.

 

O show encerrou a turnê europeia do The XX. Em lágrimas Oliver lembrou que nesses dois anos muita coisa aconteceu, inclusive bebês dos músicos nasceram nesse meio tempo.

 

Já os franceses do Justice estiveram a cargo de encerrar a noite. Só que mais atraso ocorreu, o que deixou o público bastante impaciente; resultando em sessões de vaias que ecoavam na arena que já estava repleta de espaços vazios. Assim, Gaspard Augé e Xavier du Rosnay tocaram para praticamente metade da audiência que o The XX levou ao recinto a um par de horas atrás.

 

Mesmo com meia-hora de atraso a dupla subiu ao palco e transformou o espaço em uma discoteca gigante. E como na pista havia onde dançar à vontade, os fãs de electro se esbaldaram à revelia.

 

'Safe and Sound', do recente lançamento 'Woman' fez com que todos fluíssem na mesma pegada dançante. Outros temas poderosíssimos foram 'Fire' e 'Canon', os quais fizeram valer o amor dos fãs pela música eletrônica.

 

Já no segundo dia do festival, ritmo e poesia foram exaltados e muito bem apreciados no cartaz do Super Bock Super Rock na tarde de sexta-feira, dia 20 de julho.

 

A movimentação de público no Parque das Nações foi bem maior do que no primeiro dia de fest.

 

Percebemos a rua bem representada em um dia repleto de atitude hip-hop. Tendo sua primeira oportunidade no palco principal o rapper de casa, Slow J, abriu sua apresentação com sua potente 'Arte', tema de seu primeiro álbum: 'The Art of Slowing Down', lançado no ano passado.

 

Slow tem tocado guitarra em várias músicas ao vivo e liderado o que poderíamos chamar de powertrio do rap!

 

Na sequência do show, já sem empunhar o instrumento, ele tocou uma nova versão de 'Casa', que funciona bem como uma celebração lusófona, nessa que diz: “Casa em todo o lado pode entrar quem quer. É misturado. Casa é o mundo inteiro.” A massa do rap respondeu a altura e cantou junto a plenos pulmões.

 

É louvável como o poder da música mostra o quanto é produtivo viver em um mundo multicultural! Slow J sabe bem disso.

 

Outro ponto alto da performance foi quando Nerve (mais um que é muito bom de rimas nas terras tugas) subiu ao palco para tocar 'Às Vezes'.

 

O encerramento da noite ficou a cargo de Travis Scott, que é mais da safra do 'hip-hop bling bling', do tipo que usa auto-tunes nos vocais e canta letras repletas de frivolidades. No entanto, o Mr. J foi quem representou melhor as ruas e o som dos guetos.

 

No terceiro e último dia, antecedendo a performance da grande estrela da noite, tivemos a belíssima apresentação do grupo espanhol La Fura Dels Baus, que sempre propicia atuações artísticas interagindo com o público em um espetáculo performático bastante atrativo.

 

Em seguida, Benjamin Clementine fez o seu show de número 14 em Portugal. Ele protagonizou a performance mais apreciada no último dia de Super Bock Super Rock.

 

Uma parte de grande emoção em sua apresentação foi quando ele convidou a cantora portuguesa Ana Moura para cantar 'I won't complain' com ele. O público foi totalmente tomado pela melodia emocionante das vozes de Ana e Benjamin combinadas.

 

Autor de dois álbuns 'At Least For Now' e 'I Tell a Fly', o músico inglês possui uma versatilidade vocal impressionante!

 

Subiu ao palco descalço, como de costume, em seu paletó azul e começou a tocar 'Ave dreamer', música que trata da crise mundial generalizada que acomete - principalmente, e, de forma implacável - a todos os que são de origem mais humilde, mas que, mesmo assim, tentam transcender sua realidade através das artes.

 

Outro momento memorável foi quando ele liderou ' a cappella' o belíssimo coro entoado pelo público da Altice Arena em 'Condolences'. O cantor conduziu a todos ali presentes nos versos, que mais pareciam mantras, para acalentar as feridas profundas em nossa doentia sociedade de consumo: “I'm sending my condolences to fearI'm sending my condolences to insecurities.

 

Foi notável que grande parte da audiência na última noite esteve lá para esse concerto. Já que na sequência sobrou cerca de menos de um quinto do contingente de pessoas na arena para Julian Casablancas + The Voidz.

 

O grupo foi formado em 2013 e veio ao festival com seu trabalho mais recente, intitulado 'Virtue' (lançado em março deste ano.)

 

 

 

É fato que a fase atual de Julian é mais complexa e bem mais interessante do que aquela vivida por ele no The Strokes. O The Voidz faz um som psicodélico repleto de boas referências do rock setentista. No entanto, o som na Altice Arena estava terrivelmente mal regulado; levando em conta que, com poucas pessoas no local, o level de volume poderia ter sido reduzido pela metade. Assim ele teria sido difundido de uma maneira melhor e toda aquela estridência não ecoaria tanto.

 

Também se apresentou no Palco EDP a cantora iraniana, Sevdaliza, não menos impressionante dentre as atrações tidas como mais comerciais. Ela faz um som que tem influências claríssimas de Portishead e Massive Attack. Porém suas habilidades vocais e suas ótimas letras deram uma identidade genuína ao trabalho.

 

No mesmo palco também tocaram os ingleses do The The com seu new wave agradabilíssimo!

 

Os músicos estão em atividade desde o final da década de 70 e já passou por várias formações diferentes. Mas, Matt Johnson sempre esteve firme e forte como o frontman da banda.

 

O grupo britânico esteve apto a reunir um bom público no espaço destinado, apesar de um dia com pouca concentração de audiência no evento como um todo. A apresentação agradou muito os fãs que puderam presenciar e ouvir ao vivo os temas mais famosos, como: 'Heartland', 'The Beat(en) Generation' e 'This is the Day'.

 

Para o próximo ano, pensamos que cabe à organização do Super Bock Super Rock uma reflexão sobre as 'apostas' nas cabeças de cartaz para atrair a multidão que se espera em eventos desse porte.

 

O evento, que é organizado pela Música no Coração, retorna em 2019, nos dias 18, 19 e 20 de julho.

 

Clique aqui e confira mais imagens do Super Bock Super Rock 2018!

 
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