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Roger Waters: noite de música e contestação no Rio de Janeiro

ROGER WATERS

Maracanã, Rio de Janeiro/RJ (24/10/2018)

 

Texto por Marcelo Vieira e fotos por Daniel Croce

 

"Haven't you heard it's a battle of words?", pergunta a letra de Us and Them, clássico do Pink Floyd de Dark Side of the Moon que dá nome a presente turnê de Roger Waters. O trecho veste como luva o cenário do Brasil de hoje em que, às vésperas da eleição de maior repercussão em sua recente história de democracia, vive um período de confrontos verbais, acentuadíssimo nas redes sociais, e a certeza de dias tão ruins ou piores que os que estamos vivendo, seja pela eleição de um candidato que inspira medo ou pela volta ao poder de um partido que não mais inspira confiança, ofuscasse qualquer otimismo. E se por acaso você achou que iria ver, logo quem, Roger FUCKING Waters, e sair ileso de suas manifestações frente a tudo isso, achou errado, otário.

 

Pra começar, Roger já viveu um bocado. Perdeu o pai na Segunda Guerra Mundial. Desde bem jovem, desenvolveu uma consciência não diria política, mas humana, muito forte. Sobre o palco, está longe de atuar como um insurgente; sua postura é mais de um coach de humanidades, do tipo que busca reforçar no público que o assiste a noção de liberdade individual no tocante a não fazer vista grossa ou se dar por satisfeito com o pouco ou o errado. A turnê se chama Us and Them, mas o discurso está mais para Us versus Them: a base versus o topo da pirâmide; nós versus quem nos comanda, quem nos representa ou deveria nos representar, e não pensa duas vezes entre ganhar um pouquinho mais que seja, ainda que isso posicione seu povo na linha de tiro.

 

O último álbum de Waters, Is This the Life We Really Want? (2017), é um manifesto anti-Trump, e os ataques são mordazes - em Picture That, fala-se do "leader with no fucking brains" e em Smell the Roses os alvos são tanto o discurso armamentista como o descaso pelo meio ambiente. O presidente dos Estados Unidos também dá as caras no telão, em montagens que sobrepõem o seu rosto no corpo de Adolf Hitler e o mostram vomitando enquanto a banda executa Pigs, canção que a despeito de ter sido escrita mais de quatro décadas atrás, soa mais atual do que nunca. Outra canção de AnimalsDogs, marcou presença, com seus quase vinte minutos, que incluíram uma encenação regada à champanhe cujo objetivo era claro: não, leigo ouvinte, isto não é sobre o bicho que é o melhor amigo do homem.

 

Mais de 2/3 do show, oportunamente dividido em dois atos - no intervalo, mensagens do tipo "resistir é preciso" no telão inflamaram tanto gritos como vaias - é composto por músicas do cânone floydiano. Por exemplo, de Dark Side, apenas as instrumentais On the Run Any Colour You Like ficaram de fora. Já Wish You Were Here compareceu com a faixa título, com um notável toque messiânico, e Welcome to the Machine, cuja crítica às dominações a situa como espécie de preâmbulo a The Wall, lançado quatro anos depois. De The Wall, obviamente, foram extraídas as partes dois e três de Another Brick in the Wall - o estádio inteiro cantando, como numa partida de torcida única, ou uma epifania digna da letra de Imagine, foi tão de arrepiar quanto as crianças em vestes laranjas com sacos pretos na cabeça (sacaram a referência?) enfileiradas de ponta a outra do palco -, além de Mother e Comfortably Numb, no bis, quando um prisma gigante e lasers nas cores do arco-íris surgiram no maior espetáculo visual do ano.

 

Antes, porém, Waters chamou ao palco os familiares de Marielle Franco, vereadora assassinada há sete meses e pediu justiça. "Tanto tempo e nenhuma resposta?", questionou. Definitivamente, não era o dia de quem acha que rock e política não têm que andar juntos. Foi histórico. E, sim, por várias razões além da música.

 

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