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Bush e Stone Temple Pilots tocam seus clássicos no Rio de Janeiro

BUSH E STONE TEMPLE PILOTS

KM de Vantagens Hall, Rio de Janeiro, RJ (15/02/2019)

 

Texto por Marcelo Vieira e fotos por Daniel Croce

 

Quando veio ao Brasil pela primeira - e, até semana passada, única - vez, o Bush estava entre os queridinhos da América: 14 milhões de cópias vendidas de Sixteen Stone (1994) e Razorblade Suitcase (1996) somente nos Estados Unidos, prêmio de escolha da audiência da MTV norte-americana e o início de um affair entre o vocalista Gavin Rossdale e Gwen Stefani, do No Doubt, que resultaria num casamento de 13 anos e, posteriormente, num divórcio comparável à morte, nas palavras de Gavin, cuja cagada de dar uns amassos na babá colocou um ponto final no relacionamento.

 

Vinte e dois anos se passaram e, no decorrer deles, o Bush lançou outros cinco álbuns de estúdio, um ao vivo e duas coletâneas caça-níquel que não foram o suficiente para mantê-los em alta - o último trabalho a figurar nas paradas foi The Science of Things (1999), que vendeu consideravelmente menos que seus dois antecessores e decretou um hiato que duraria uma década dois anos mais tarde. Talvez por isso o Bush meio que despreze o que produziu de lá para cá, priorizando em seu repertório aquelas que na efervescência das rádios alternativas dos EUA conseguiam figurar entre os Gin Blossoms e Sheryl Crows da vida.

 

Às 23h05 (!), Machinehead abriu os trabalhos. Mote à liberdade inspirado em Allen Ginsberg, a canção foi entoada de maneira triunfante, como um incentivo ao rompimento das amarras do dia a dia. Outro momento de inspiração beat viria pouco depois, com Everything Zen e sua vasta cota de referências externas, que vão de David Bowie a Jane's Addiction. A frase "There's no sex in your violence" foi entoada como um mantra. Era tanta gente cantando junto e alto que às vezes a voz, já baixa em relação aos instrumentos, simplesmente desaparecia. "A melhor sensação do mundo como compositor é recuar do microfone e ouvir as pessoas cantarem", diz Gavin. E tá errado?

 

Greedy Fly, acréscimo surpresa no show realizado em São Paulo na véspera (leia aqui como foi), ganhou repeteco em solo carioca: "Do you feel the way you hate / Do you hate the way you feel", por mais que soe como mero jogo de palavras, é o tipo de coisa que põe a galera pra pensar e destaca Gavin entre os monotemáticos letristas do rock dos anos 1990. A essa hora, o líder do Bush já suava em bicas e já havia protagonizado um puta tombo. Ainda não tivemos informações sobre o estado de saúde de sua Fender Stratocaster preta.

 

Se você pensa que cachaça é água, o problema é seu. E encher os cornos durante o show não parece ser um problema para Gavin, que vira e mexe recorria a um sempre abastecido copo, estrategicamente posicionado no tablado da bateria. De brinde em brinde, os olhos do vocalista iam ficando apertados, mas sua performance parecia não se abalar: ele continuaria correndo para lá e para cá, ondulando-se como uma lombriga musculosa no auge dos seus 53 anos e gesticulando como se tentasse uma vaga numa adaptação de Shakespeare. Isso sem contar as vezes em que fez o Seu Boneco e foi para a galera, mobilizando a segurança local e viabilizando truculência tanto por parte dos agentes quanto por parte de algumas fãs mais ensandecidas.

 

A noite ainda reservaria Swallowed - resposta tardia do Bush a Help! dos Beatles; canção-desabafo sobre o lado ruim da fama repentina - e um bis que teria início, veja só, com um cover de Come Together dos vocês-sabem-quem. A dobradinha de encerramento começaria envolta em lágrimas com Glycerine, a fossa obrigatória, e terminaria com fumbles localizados em busca das poucas palhetas atiradas para o público após Comedown. Prostrado junto à grade, Gavin só sairia dali após alguém informá-lo de que o show havia acabado. Por mim e por vários, poderia durar horas e horas. Agora, só em 2041.

 

A abertura ficou a cargo da mais recente encarnação do Stone Temple Pilots, na qual os irmãos Dean (guitarra) e Robert DeLeo (baixo) e o batera Eric Kretz finalmente encontraram, na figura de Jeff Gutt, um vocalista que diz amém para todo e qualquer absurdo ao qual possa ser submetido; coisa que Scott Weiland (1967-2015), mesmo em seus baixos mais baixos, jamais faria. No repertório, as canções que refletiam a conturbada vida de Scott - seus relacionamentos fracassados, seu crescente vício em heroína e todas as paranoias resultantes do abuso das drogas - sendo interpretadas por um cover, cuja falta de identidade espanta tanto quanto a perfeição no gestual, no visual e o grave rasgado. Numa cinebiografia, Gutt talvez fosse o Scott ideal. Sobre o palco, a clandestinidade beira o constrangimento.

 

A noite começou com o brasileiro Republica mostrando que o melhor aliado do médio talento é um bom QI. Nobody yes door.

 

 
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