logotipo
35 anos de rock'n'roll

Conheça nossas redes sociais!

Música do Dia


URIAH HEEP - Take Away My Soul

  • Dee Snider confirmado em Curitiba

    Terça, 19 de março de 2019
  • Entrevista EXCLUSIVA com Grave Digger: "Todos nós precisamos cuidar do planeta!"

    Terça, 19 de março de 2019
  • 37 anos do último show de Randy Rhoads ao lado de Ozzy Osbourne

    Segunda, 18 de março de 2019

Entrevista EXCLUSIVA com o Eluveitie: “BH não tinha o equipamento previsto no contrato!”

Entrevista por Gustavo Maiato

 

ROCK BRIGADE: Vocês são uma banda de nove integrantes agora. É muito difícil organizar tudo durante a turnê? O transporte, a hora de montar os equipamentos...

 

CHRIGEL GLANZMANN: No final eu não acho que faz tanta diferença, a equipe toda precisa ser organizada, não importa se são quatro pessoas na banda ou nove. O que importa mesmo é que é muito mais caro... Voar quatro pessoas da América do Sul para a Europa é bem diferente do que voar nove.

 

ROCK BRIGADE: O Eluveitie é uma marca quando o assunto são temas celtas. Como é saber que vocês “espalham essa palavra” pelo mundo? Isso é importante para vocês?

 

CHRIGEL: Eu diria que não é tão importante espalhar isso, isso ficou importante nos últimos dois álbuns, mas nós não queremos sair por aí pregando nada. No álbum que está para sair (Ategnatos) eu escrevi as letras para mim mesmo, porque significa muito para mim e essa é a segunda parte da resposta. Sim, para mim é muito importante falar sobre isso.

 

ROCK BRIGADE: A banda passou recentemente por muitas mudanças de formação, como é para vocês lidar com isso? Vocês precisam adaptar partes ao vivo?

 

CHRIGEL: Na verdade não, nós focamos em criar set lists interessantes, com arcos, suspense, e a atmosfera da banda está sendo desenvolvida de maneira muito boa. Os novos integrantes já não são tão novos assim, já fazem três anos que entraram e está tudo certo.

 

ROCK BRIGADE: Qual é o conceito por trás do novo álbum Ategnatos?

 

CHRIGEL: Nossos álbuns sempre foram estritamente históricos e obviamente Ategnatos é baseado em história e tem um lado científico, mas é diferente porque aqui nós pegamos antigas parábolas celtas e lendas de arquétipos escritas milhares de anos atrás. Nós contemplamos essas histórias antigas do ponto de vista da modernidade, porque nós acreditamos que, mesmo que tenham sido escritas mais de dois mil anos atrás, essas histórias não perderam nada de seus significados e importância.

Nós acreditamos que tem valor para a gente ainda e é uma abordagem diferente, nós contemplamos essas imagens antigas não para o álbum como uma banda, mas para a gente como indivíduos. Isso foi uma experiência bem intensa, e isso moldou o álbum, foi o primeiro disco que é realmente uma mensagem, não é apenas uma contação de história, tem uma mensagem para as pessoas, se elas quiserem ouvir.

É claro que o álbum se tornou também uma crítica social, e isso não foi algo que planejamos, foi algo que se desenvolveu através de uma contemplação pessoal dessas histórias antigas.

 

ROCK BRIGADE: A banda costuma fazer músicas em formato acústico. Qual a relação de vocês com esse formato?

 

CHRIGEL: Eu não diria que nós sempre fazemos isso. Em 2008, depois do álbum Slania, nós tivemos a ideia de fazer um álbum acústico. Pensamos o conceito e vimos que era muita coisa para um disco só e por isso fizemos dois e então isso se tornou o Evocation Part 1. Nós sabíamos que em algum momento iríamos lançar a segunda parte. Nós tivemos esses dois discos acústicos e nós amamos isso, às vezes nós tocamos músicas acústicas ao vivo. Nossa música é metal, mas também é focada na música tradicional celta, então é claro que amamos essa conexão com o formato acústico.

 

ROCK BRIGADE: Vocês já visitaram bastante vezes o Brasil, o que você pode dizer sobre a relação da banda com o Brasil, alguma memória?

 

CHRIGEL: Os fãs são ótimos aqui, nós amamos tocar por aqui. Nós temos fã clubes por todo o mundo, mas acho que posso dizer que os fãs clubes daqui são um dos mais dedicados, é impressionante, eles são ótimos! Eles são tão ativos, tão grandes... E sempre que viemos para cá nós, encontramos eles, jantamos com eles, são pessoas maravilhosas!

 

ROCK BRIGADE: Dessa vez a banda teve problemas com a turnê, cancelamentos de última hora... Você gostaria de falar algo sobre o que aconteceu?

 

CHRIGEL: Sim, é uma infelicidade o que aconteceu, foi muito duro e decepcionante para gente. Para ser justo, eu não quero descascar ninguém, mas sempre é uma questão complicada fazer turnê no Brasil. Eu não sei o que é, as empresas e os promoters definitivamente são diferentes de outras partes do mundo. Sempre foi duro... Um contrato foi feito e foi quebrado. Normalmente são coisas pequenas e não chega a ser um problema, mas dessa vez foi muito ruim, nós viemos com um promotor que a gente nunca tinha trabalhado antes e nós confiamos nele, obviamente.

As coisas estavam difíceis antes mesmo de virmos para a América do Sul. O tour manager começou a preparar as coisas técnicas, o que é um procedimento normal, e isso já estava difícil porque o produtor local nunca respondia e para nosso tour manager, desde dezembro, já estava difícil o trabalho. Nós decidimos continuar com essa pessoa e se você agenda uma banda, como produtor isso é normal, você tem que pedir 30% do cachê adiantado e em todos os continentes isso é um procedimento comum, mas ele não fez isso.

Nosso manager foi ficando mais e mais nervoso e ele nos disse para ter cuidado. Acho que foi apenas dois dias antes do show que o produtor finalmente nos pagou alguma coisa. Era para ele ter pago semanas antes, mas pelo menos ele pagou algo dois dias antes e nós confiamos, viajamos para o Brasil e achamos que tudo ia funcionar.

A coisa foi ficando mais complicada, nós fizemos o primeiro show em São Paulo e metade dos equipamentos que era para estar lá por contrato não estava ou não estava na condição que era para estar. Mas graças á nossa equipe nós conseguimos dar um jeito e tocar o show. Depois, o nosso tour manager escreveu um e-mail para o produtor local explicando os problemas e pedindo por favor que se resolva essa situação porque senão nós não conseguimos tocar o show adequadamente.

Não tivemos resposta nenhuma, no dia seguinte nós fomos para Belo Horizonte e a situação estava muito pior, não era possível entregar um show lá. Era quase meio dia e nós estávamos discutindo com o produtor local, o tempo estava correndo e nós precisávamos começar a aprontar o equipamento... Nós temos um contrato e era para o cara arranjar os equipamentos necessários. Do lado do produtor a resposta era sempre a mesma, era tipo... “eu não me importo, dê um jeito ou então esquece”.

Nós começamos a discutir entre a gente o que a gente devia fazer e a única coisa que a gente tinha em nossas mãos para pressionar o produtor era dizer que não iríamos tocar o show daquela maneira. Então nosso tour manager disse... Por favor, traga as coisas que estavam no nosso acordo, senão não vamos tocar o show e a resposta foi de novo... Se vocês não querem tocar, é só não tocar. Parecia uma barganha e nós achamos que era o momento de mostrar que estávamos falando sério sobre isso. Nós arrumamos nossas coisas e dirigimos de volta ao hotel e dizemos que estava impossível tocar, e pedimos por favor que ele resolvesse a situação, que traga tudo que precisamos. Depois podia ligar para a gente e em 5 minutos nós estaríamos de volta, mas isso não aconteceu.

Eu não me lembro exatamente da hora, mas era tipo 20 minutos antes das portas se abrirem, ele veio até nosso hotel e disse que conseguiria entregar tudo que a gente precisava em duas horas. Eu fiquei tipo... Se você me diz que consegue arranjar tudo facilmente em duas horas, por que não arranjou isso antes? Nós checamos com nossa equipe e naquela hora já era muito tarde, se ele tivesse vindo até nosso hotel e dito que já estava tudo lá, talvez desse certo, mas em duas horas, mesmo que desse certo e nossa equipe montasse tudo, o show poderia ter começado e ia acabar em algum horário louco tipo 1h da manhã, então era muito tarde.

Foi isso o que aconteceu, nós estamos muito sentidos, mas era muito tarde, não havia nada que a gente podia ter feito. Isso é uma merda, muita gente comprou os ingressos e viajaram até lá por muitas horas, mas não havia nada a ser feito. Assim, a gente tentou organizar alguma coisa para os fãs e deu certo. O promotor local foi embora e imediatamente nós começamos a organizar. Fizemos um post no Facebook, arranjamos uma sala de conferência no hotel e arranjamos um translado para os fãs do local do show até o hotel e todo mundo foi pra lá, tinha bastante gente, foi muito legal! É claro que não é igual ter o show, mas era o mínimo que a gente podia fazer.

Basicamente foi isso, e mais tarde naquela mesma noite a gente recebeu um e-mail do produtor dizendo... Quer saber? Vou cancelar a tour inteira e não vamos mais trabalhar com vocês mais, se vocês têm essa atitude vocês não merecem tocar no meu país. E foi isso... Estávamos em Belo Horizonte sem produtor, sem show... Foi uma merda! E todos os bilhetes tinham sido vendidos e tudo mais...

Nós ficamos em Belo Horizonte mais um dia pensando no que poderia ser feito e foi bem difícil porque nesse mesmo tempo o produtor começou a publicar coisas ruins sobre a gente na internet e nós não gostamos disso. O pessoal responsável por agendar passagens na Europa ligou e nós estávamos tentando organizar pelo menos mais um show no Brasil, tentamos fazer dois, mas não foi possível. Curitiba e Brasília foi impossível achar um produtor que organizasse tudo em apenas dois dias, mas aqui no Rio nós achamos esses caras e eles concordaram em fazer o show em dois dias, foi o que pudemos fazer. Nós voamos para cá e começamos a arrumar as coisas. Nós sentimos muito pelos nossos fãs, para gente foi ruim em um nível pessoal como banda e também perdemos muito dinheiro com isso.

Para ser honesto, nós pensamos em levar um monte de chá para vender no show! Essa situação não era para ser engraçada, mas foi muito engraçado até. Em toda turnê nós fazemos um grupo de WhatsApp com o pessoal envolvido e agora o pessoal mandou pra gente essa foto (Chris mostrou uma foto de uma xícara de chá escrito EluveiTEA).

 

ROCK BRIGADE: Vocês são vegetarianos ou veganos ou algo nessa linha? Porque um dos supostos motivos de a banda não ter tocado era porque não tinha esse tipo de comida no camarim...

 

CHRIGEL: Na verdade, temos dois veganos na banda, o Rafael (Salzmann), nosso guitarrista e a Fabienne (Erni), nossa vocalista. Eu li esses comentários e realmente não tinha nada para eles comerem lá, isso é de certa forma meio desrespeitoso, porque no meio da turnê os horários são muito apertados e você não tem tempo. Entre Santiago no Chile e São Paulo nós nem dormimos. Nós terminamos o show lá, nossa equipe guardou tudo e nós dirigimos até o hotel basicamente apenas para fazer nossas malas em uma hora e já fomos para o avião.

Você realmente depende do produtor local e no backstage precisa ter comida, isso é normal, é um procedimento normal em todas as bandas. Nós não temos uma lista enorme de exigências nem nada disso, mas temos sim duas pessoas veganas e na lista diz para ter comida vegana para duas pessoas, e é verdade que não tinha isso lá na hora, mas no final esse não foi o problema... Nosso tour manager pediu para o produtor, explicou que estava na lista e pediu que ele arranjasse de alguma forma, mas esse não foi o problema. Quando tudo já está pronto, durante a hora da banda de abertura, você pode sair e arranjar alguma coisa, sempre tem possibilidades, isso não é o problema.

 
Próximos Shows
Sem Eventos
Busca no site