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Kip Winger inova no formato e faz excelente apresentação no Rio

KIP WINGER

Teatro Odisséia, Rio de Janeiro/SP (30/03/2019)

Texto por Marcelo Vieira e fotos por Daniel Croce

 

No início dos anos 1990, Beavis and Butt-Head levou ou tentou levar toda uma geração de espectadores da MTV a acreditar que ser chamado de fã de Winger era uma ofensa. No Brasil, independentemente disso, a banda fechou o bingo com música em comercial de cigarro e trilha sonora de novela. Para os que não ficaram restritos a essa ponta do iceberg, o Winger tornar-se-ia muito mais do que um futuro Lovy Metal: a banda virou objeto de devoção e admiração, de respeito e de entusiasmo, mesmo quando enveredou por caminhos mais pesados, aposentando os teclados e o laquê.

 

Completo, o Winger veio ao Brasil em duas ocasiões – 2010 e 2015 -, mas seu líder, munido do violão de 12 cordas mais estiloso do rock, acaba de nos visitar pela quarta vez, terceira na capital fluminense. O preconceito com shows acústicos é tremendo e descabido. Talvez o grande mérito de Kip seja driblar isso, fazendo de suas apresentações verdadeiros cultos, com cantoria a plenos pulmões, lágrimas furtivas e um nível de interação que beira o “algum pedido?”. Ele pode até ter baixado o tom das músicas, mas não desafina uma nota sequer. Felizes aqueles que, como ele, souberam preservar a voz. Legado não entra em campo sozinho. Como diz o clássico do Survivor, “It’s the singer, not the song”.

 

Acompanhado do percussionista “badass motherfucker” Robby Rothschild, Kip subiu ao palco do Teatro Odisseia para se deparar com uma configuração de mesas e cadeiras e um cabo que não funcionava. Ante a dificuldade, prevaleceu o bom humor. “Vou fazer um moonwalking enquanto isso”, disse. Música ao vivo tem dessas! E assim, o que é um chiadinho ou mau contato quando existe a lembrança de uma queda total de energia e um palco totalmente às escuras? Quem viu o Winger no finado Hard Rock Café em 2010 sabe do que estou falando...

 

Em matéria de repertório, sabemos e não sabemos o que esperar. Uma óbvia ênfase nos anos dourados (ou platinados) do Winger, com direito a todos os medalhões dos tempos em que Kip sensualizava nos videoclipes vestindo jardineira jeans e fazendo o baixo parecer um instrumento legal, além de cortes selecionados de sua tão boa quanto carreira solo. Pra quem curte o Winger da atualidade, teve até Ever Wonder, representante solitária do mais recente do grupo, Better Days Comin’ (2014). Mantendo a tradição, uma fã foi chamada ao palco para um dueto em Miles Away.

 

O “não” a gente já tem para tudo na vida. Em busca do “sim” e sob o risco de ouvir um “nem fudendo”, gritei Without the Night! com o pouco que ainda me restava passados quase 40 minutos de show. A esperançosa vontade de ouvir minha balada preferida do Winger era maior do que a seriedade que se esperaria de um profissional da imprensa em serviço. Ao meu grito, no entanto, seguiram-se outros... e não é que deu certo? Kip ainda repetiria a dose, também a pedidos, no dia seguinte em São Paulo.

 

O formato violão mais percussão proporcionou um dinamismo adicional. O problema era quando Robby exagerava na mão e a explosão nas peles fagocitava todo o resto. Outra novidade foi o teclado, que parecia decorativo até o terço final da apresentação, quando finalmente teve serventia para um par de canções de From the Moon to the Sun (2008), último trabalho solo de Kip.

 

A despedida veio após a trinca Down Incognito, Madalaine e Seventeen, hoje em dia uma quarentona, quase cinquentona, mãe de dois filhos, prestes a ser avó, com leve inclinação ao conservadorismo... mas ainda capaz de mexer com o imaginário do molecão roqueiro que habita em todos nós. Quem foi paciente ainda conseguiu fotos e pegar autógrafos! Precisa de mais? Volta logo, Kip!

 

Na abertura, o Anie, recém-contratado pela Som Livre, apostou na releitura eletroacústica de clássicos do rock e do metal. A dupla Juninho Carelli e Fernando Quesada — ambos com passagem pelo Noturnall e pelo Shaman — recebeu Rod Rossi, do Rec/All, na apresentação que começou fora da caixa com We All Die Young (da trilha sonora do filme “Rock Star”), virou lugar comum (Dream On do Aerosmith e uma tomada esquisita de We Will Rock You do Queen), fez valer a máxima do “Se for pra ficar só nos covers, é melhor nem sair de casa” tocando números autorais e se despediu com a taxa de nostalgia nas alturas despindo e desacelerando Nova Era do Angra. Aguardemos o álbum.

 

 
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