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Confira entrevista com banda Necropsya, vencedora do prêmio Ivo Rodrigues

Entrevista por Camila Buzzo e Andre Smirnoff

Fotos por Andre Smirnoff

 

A banda curitibana Necropsya, formada por Henrique Vivi (vocais e baixo), Henrique Bertol (guitarras) e Celso Costa (bateria), toca thrash metal desde 2000, quando eram apenas covers. A partir de 2002, a banda começou a gravar suas primeiras músicas próprias; até que, em 2006, foi Necropsya_AS (2)gravado o primeiro álbum full-lenght – Roars – que teve uma ótima repercussão. A partir de então, numa longa turnê no sul do Brasil, o Necropsya dividiu os palcos com muitas bandas de nome nacional, como Krisiun, Torture Squad e Violator. Seu novo álbum está previsto para lançamento ainda este ano, e algumas músicas já estão disponíveis no Myspace da banda.

 

Com influências das mais variadas – já que cada um dos membros coloca uma coisa diferente na música, de Slayer a In Flames –, a banda consegue criar um som próprio dentro do thrash metal e está ganhando bastante destaque na cena curitibana. No dia 26 de fevereiro, o Necropsya ganhou o Prêmio Ivo Rodrigues de Melhor Banda de Curitiba. Com isso, esperamos uma projeção e abrangência ainda maior da música curitibana em cenário nacional e até internacional!

 

Em entrevista concedida pelos garotos, conversamos sobre a conquista do prêmio, sobre os anseios da banda, seu processo de criação e suas perspectivas e expectativas para o futuro.

 

ROCK BRIGADE: Nós, da Rock Brigade, gostaríamos de saber como foi a participação de vocês no prêmio, e como foi a sensação de ter sido escolhidos como melhor banda curitibana...

Necropsya: Na noite da premiação, a gente estava tocando em Santa Catarina, no Otacílio Rock Fest, e não pudemos participar do evento. A gente recebeu um torpedo de um camarada do Celso, e também da Nádia [Nádia Gritte], que estava apresentando a premiação, dizendo que a gente tinha ganhado como melhor banda. Quando a gente ficou sabendo, poxa... A gente ficou feliz da vida! Celebramos um monte lá em Santa Catarina.

 

RB: Vocês não concorreram só como banda, certo?

Necropsya: Verdade, a gente concorreu em três categorias. Como melhor guitarrista, o Bertol; melhor álbum lançado, que foi o EP Bandas Fora da Garagem; e como melhor banda. Na verdade, ser nomeado já foi uma enorme alegria; fazer parte da festa, dessa iniciativa que está sendo feita pra melhorar a cena, é um tremendo passo a frente. Sei lá, eu ainda não tenho palavras pra definir. Foi uma alegria só, a gente comemorou bastante, por mais que estivéssemos longe. Chamamos o Clovis [Clovis Roman] pra falar pela gente, e nem sabemos se ele demonstrou toda a alegria que a gente sentiu na hora. Mas com certeza, a gente ficou feliz da vida, estávamos longe e tinha outras bandas tocando lá no Otacílio que comemoraram conosco.  Com todo esse apoio dos colegas das outras bandas, toda essa camaradagem, foi uma reação muito positiva pra gente.

 

RB: Então vocês acham que iniciativas como essa, do Prêmio Ivo Rodrigues, tende a unificar a cena metal curitibana e pode vir a incentivar outras bandas a correr atrás de fazer música de qualidade?

Necropsya: Com certeza! Iniciativas como essa fomentam a música bem feita em Curitiba. Nós sabemos que a cena rock/metal tem muito a mostrar e faz valer a voz do headbanger, do cara que vai lá ver a banda, do cara que vai apoiar, que está lá votando... Todos saem ganhando.

 

Sentir a união do pessoal foi surpreendente, muito bom. Rolou um fairplay entre todo mundo. Não foi aquela votação dedo no olho, aquela coisa fria – foi exatamente o oposto disso. E saber que o Auditório do Largo estava lotado, que estava todo mundo lá, que todos vieram nos elogiar, inclusive a imprensa, é uma sensação indescritível. A galera respeitou, reconheceu que foi uma escolha justa, não apenas da nossa categoria, mas de todas as bandas e músicos que ganharam.Necropsya_AS (5)

 

Em vista disso, a gente sente que as coisas por aqui só tendem a melhorar. Nós imaginamos que o próximo Prêmio Ivo Rodrigues seja ainda mais grandioso, pois as bandas que vão concorrer apresentarão um material com qualidade muito superior – as bandas vão dar o melhor de si pra ganhar o prêmio. E sem aquele espírito de querer passar a perna um no outro – pelo menos eu entendo que não vai ser assim. Eu acredito que só existam vantagens nesse tipo de iniciativa.

 

RB: Vocês têm alguma data marcada para apresentações em Curitiba?

Necropsya: Não. Nós estávamos vendo uma data pra abril, mas em virtude do fato de que a gente vai estar muito ocupado pra lançar o CD a tempo, não é uma prioridade tocar por aqui até tudo ficar pronto. Quando o CD estiver pronto, sim, a gente vai fazer uma festa de lançamento e vai tocar bastante! Até lá, pode até acontecer do Necropsya tocar, mas não tem nada marcado.

 

A prioridade mesmo é finalizar o disco e, como a gente estabeleceu um cronograma – que até agora está sendo cumprido –, temos que priorizar. Como nós somos apenas três, e mais alguns amigos que nos ajudam – formamos uma pequena equipe –, infelizmente tocar por aqui não está nos nossos planos. Mas, se aparecer um show, a gente pode tocar, já que continuamos ensaiando e as músicas estão todas alinhadas. Estamos prontos pra poder tocar em alguma oportunidade que venha a surgir.

 

RB: Falando sobre a gravação do novo CD, e pelo que vocês comentaram na entrevista em vídeo, a gente supôs que toda a sonoridade do álbum ficava na linha daquela música que vocês soltaram no Myspace, mas estávamos enganados. Pelo que vocês estão dizendo, as músicas estão bem diversificadas, não caem numa linha única.

Necropsya: Exatamente. Mas fazemos isso sem pisar em ovos. A gente não tem a intenção de fazer uma música thrash metal e a outra uma “tecladeira”, algo todo diferente. A gente não viaja tanto na maionese. Nós conhecemos os nossos limites, porém não gostamos de seguir apenas uma linha musical. Nada contra bandas que fazem o mesmo som Thrash Metal da primeira à última faixa do disco, mas com o Necropsya isso não funciona muito bem. A gente gosta de fazer músicas diferentes umas das outras e, nesse álbum, isso está bem evidente. As novas músicas são bem diversificadas. Tem música que é rápida, tem músicas que são mais puxadas pro Crossover, tem música que é mais cadenciada. É bom ter esse contraste até pra não cansar o ouvinte.

 

Necropsya_AS (7)RB: Então vocês podem dizer que o estilo do Necropsya está sendo consolidado nesse álbum?

Necropsya: Não, de maneira alguma. Nós tocamos Thrash Metal! Nosso estilo já está consolidado. Ele ficou bem visível no Bandas Fora da Garagem. A gente conseguiu encontrar o que queria fazer. O que rolou, basicamente, foi que, desde que a gente gravou o Roars, nosso primeiro álbum, a gente se meteu em muita coisa, musicalmente falando. Tivemos alguns projetos paralelos tocando os mais diversos tipos de coisas que vocês podem imaginar. A gente trabalhou com diferentes músicos e, por sermos do ‘meio acadêmico musical’ [todos são formados em música], temos a oportunidade de conhecer muita gente, e isso dá ares diferentes pra música. Essas músicas foram sendo compostas no meio do caminho, durante esses três anos. Cada vez que a gente criava uma, pipocavam idéias vindas dessas novas influências. Uma coisa que temos a sorte de ter é entrosamento. A gente se conhece há um bom tempo, e ainda temos a maior facilidade de comunicação.

 

RB: É mais fácil pensar em três, não é?

Necropsya: É muito mais fácil! E então foi fácil aparar todas essas maluquices, essas arestas, e poder falar “vamos transformar isso na música do Necropsya”, que tem que ser direta, “porrada”, independentemente de ela vir de uma influência ou de outra.

 

RB: A identidade do Necropsya foi feita então no primeiro álbum...

Necropsya: Sim, foi quando nós terminamos de moldá-la. Esse período de composição, esses três anos escrevendo música, com direcionamentos tão diferentes, foi o que deu a cara definitiva. Foi um teste, de certa forma. A gente chegava com uma música que a percebíamos ter influência mais reta, mais punk, e transformava em Necropsya; ou, então, uma música que era influência de Steve Ray Vaughin e blues e virava Necropsya!

 

RB: Vocês, como músicos, buscam mandar uma mensagem pros fãs, liricamente falando?

Necropsya: Bom, quem compara as músicas do Necropsya do primeiro álbum com as músicas de agora vai ver que estamos um pouco mais maduros na questão lírica. A gente nunca foi muito fã de falar dos clichês do metal. Vocês não vão encontrar músicas nossas falando do diabo ou do inferno – nada contra quem faz isso, mas não é a nossa cara. Não é a nossa intenção escrever coisas desse tipo só pra impressionar. No primeiro álbum a gente escrevia muito sobre questões políticas, guerras, e como isso às vezes gera lucro pra alguns; já nesse segundo álbum, a gente fala um pouco mais sobre questões internas, pessoais, sobre como a sociedade em que a gente vive hoje é absurda. É uma selva urbana – por pouca coisa a gente fica estressado, briga no trânsito, enfim, temos uma tendência cada vez maior a ter o pavio curto, a não se importar com as pessoas que estão a nossa volta e como nos tornamos violentos a partir disso. A carga lírica está muito mais voltada a essa vertente, “psicológico-social”, embora a gente não entenda quase nada de psicologia ou antropologia.

 

Essa mudança da carga lírica é muito legal, porque a gente conseguiu se soltar mais na hora deNecropsya_AS escrever. Escrever é difícil quando você esta acostumado a treinar música. E aí é normal, a gente se prende a algumas coisas, começa a pensar que palavras usar, se tem ou não tem que rimar. Essa prática nos tornou possível escrever tanto letras mais intimistas quanto outras mais abertas, que falam do contexto em que vivemos. Outra coisa muito legal foi que a gente aprendeu a escrever músicas em português, e era uma coisa que a gente não ansiava fazer. O que acontecia era aquele processo de composição em português e depois pensava em como passar isso pro inglês. Chegou um momento em que a gente escrevia músicas e via que não precisava traduzir, ela estava soando legal em português. Ao perceber isso, consideramos um grande avanço pra nós.

 

RB: O novo álbum então está parte em português, parte em inglês?

Necropsya: Sim, mas não está bem dividido; a maioria das músicas continua em inglês, são apenas duas músicas em português. Comparando com o primeiro álbum, nele não há musicas em português, apenas algumas palavras dispersas em uma das faixas. Já no Bandas Fora da Garagem, tem uma música em português, “Determinação”. Nesse novo álbum haverá duas músicas na nossa língua, eu queria que fossem três, mas acabou sendo duas mesmo.

 

RB: Como vocês sentem a repercussão da banda tanto a nível regional, nacional, até mesmo internacional – eu vi que foi publicado um review do Roars numa webzine italiana...

Necropsya: - Puxa, é maravilhoso. A internet é uma ferramenta extraordinária, que leva nosso nome eu não sei até onde! Eu estava vendo que, nessa webzine da Itália, tem um contador de visitas por país. Tinha gente de Trinidad e Tobago e da República Tcheca que leu o review. É uma coisa absurda, fenomenal. A repercussão que nós estamos tendo em Curitiba pode ser medida com o prêmio Ivo Rodrigues, com o reconhecimento do nosso trabalho. Ano passado e ano retrasado a gente tocou muito fora de Curitiba; a gente tocou bastante em outras cidades do Paraná. É bom a gente dar nossa cara a tapa, é bom mostrar nosso trabalho. Ponta Grossa, por exemplo, é nossa segunda casa, o pessoal já conhece bem a gente. Uma vez a gente tocou em Pato Branco, foi a primeira vez que a gente passou por lá, então tinha muita gente que não nos conhecia. Mas a receptividade do público é boa, tanto aqui quanto em Santa Catarina.

 

A nossa projeção fora do Sul é exclusivamente via internet, mas é uma situação que a gente vai tentar reverter esse ano. Voltando à questão do review, além da webzine italiana, também saiu um review na França – graças à internet eles conheceram nosso som, pediram pra gente mandar material, nós mandamos, e eles fizeram uma ótima resenha. Tem uma DJ lá nos Estados Unidos que, pela internet, conheceu a banda, até fez uma entrevista comigo – e vai fazer uma nova, em breve – e, volta e meia, ela põe nosso som pra tocar na rádio dela. É muito bacana.

 

RB: Então, muito obrigada a todos por nos conceder essa entrevista. Que recado vocês querem deixar pro pessoal de Curitiba, daqui pra frente, e pro pessoal que vai conhecer o Necropsya agora, com essa projeção que está chegando a nível nacional – e quem sabe internacional?

Bertol: O que eu posso falar da minha parte é: escutem mais metal nacional! A qualidade das bandas, de forma geral, está subindo absurdamente. Hoje em dia a gente não vê mais aquela coisa da banda gringa ter uma qualidade “x” e a banda nacional ser bem inferior. Hoje em dia a gente vê CD de banda independente com uma qualidade impressionante, de cabeça eu lembro do Satisfier e mais umas dez, e a gente espera entrar na lista das impressionantes! Podem escutar sem medo, valeu pelo apoio e continuem apoiando!

Celso: Também a parte do público, somos muito gratos e trabalhamos muito, sempre esperando um feedback, mas também quero agradecer a toda a parte de imprensa, de produção, que tem melhorado muito; a questão da estrutura das casas de show, que tem melhorado muito. Bem, a estrutura como um todo está crescendo. Temos veículos de comunicação que são muito legais; blogs como o Arquivo Metal CWB, revistas que tem anos de estrada, como a Rock Brigade, entre outros que sempre fizeram um trabalho sério e que agora estão sendo mais difundidos. Então eu só tenho a agradecer mesmo, pelo respaldo, pelo contato.

Vivi: É isso aí. Quero agradecer o público, a imprensa; é muito bom saber que o trabalho que a gente fez foi árduo e agora estamos colhendo seus frutos. Entrevistas como esta são apenas mais uma motivação, e a resposta do público é só mais um incentivo pra gente trabalhar ainda mais, e fazer música ainda melhor. A gente se vê no palco, batendo cabeça, e valeu!

 
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