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Guthrie Govan: guitarrista ministrou workshop no Rio de Janeiro

Workshop Guthrie Govan

Escola de Guitarra Luciano Alf, RJ/RJ (25/05/2013)

 

Texto por Elias Oliveira e fotos por Daniel Croce

 

Um dos maiores ícones atuais da música se apresentou este sábado, na Escola de Guitarra Luciano Alf, localizada no bairro de Campo Grande (Rio de Janeiro), com a excelência que era esperada. Guthrie apresentou uma série de técnicas e métodos, em um verdadeiro banquete de virtuosismo. Munido de técnica apurada e precisão, mostra todo seu domínio para com o instrumento.

 

 

Um breve resumo sobre Guthrie Govan

Guthrie Govan, guitarrista nascido em 27 de Dezembro de 1971 em Chelmsford, Inglaterra, foi eleito pela Guitarist Magazine's como guitarrista do ano.

 

Guthrie também é um guitarrista conhecido por seu trabalho com as bandas Asia (2001-2006), GPS, The Young Punx e The Fellowship, tanto como Erotic Cakes (CD solo), e hoje em dia toca com o The Aristocrats, juntamente com Bryan Beller (baixo) e Marco Minnemann (bateria).

 

É um renomado professor de guitarra através do seu trabalho com a U.K. Magazine Guitar Techniques, Guildford’s Academy Contemporary Music e, atualmente, o Brighton Institute of Modern Music.

 

Govan tem como característica ser um guitarrista extremamente versátil, podendo variar do jazz/fusion ao rock, do country ao funk, e vem recebendo elogios de renomados guitarristas como Paul Gilbert (Mr. Big) e Joe Satriani (Chickenfoot).

 

No seu álbum "Erotic Cakes", ele nos dá uma amostra dessa versatilidade.  Por exemplo, em "Uncle Skunk" (música favorita deste que vos escreve), aborda linhas melodiosas e exóticas. Já "Rode Island Shred" é um country bem armado e executado. "Wonderful Slippery Thing" é uma música mais funkeada, que, por sinal, foi a peça responsável por sua vitória no concurso da Guitarist Magazine.

 

Desde a passagem de som, simpático e atencioso com os poucos presentes que puderam participar deste momento em particular, notou-se que foi um show à parte e um belo aperitivo sobre o que estava por vir.

 

Antes de Guthrie assumir a sua posição, o evento iniciou com 2 apresentações de guitarristas convidados, sendo, um, aluno da escola (Lemuel Silva), e, o outro, guitarrista do cantor gospel Kléber Lucas (Leandro Esteves).

 

Lemuel começou a apresentação com uma música de composição própria chamada "Attack", com bases e links bem progressivos, demonstrando um ótimo domínio de sweeps, tapping, e com muito feeling alternando entre os momentos shred da música. Foi uma ótima apresentação e um excelente início ao workshop.

 

Em seguida, veio Esteves, que não fez por menos e apresentou uma música, também de composição própria, chamada "Cruz", tendo esta um pouco mais feeling do que shred em si, demonstrando, igualmente, uma excelente técnica na guitarra.

 

Após esta excelente introdução, eis que chega o tão esperado momento. Ele inicia sua apresentação fazendo jus à sua fama de ser um tutor bem despojado, ministrando workshops bem descontraídos. Começou com algumas piadas, arrancando risadas e aplausos dos presentes, e seguiu falando sobre como iniciou no mundo da música. 

 

Guthrie segue com o workshop comentando um pouco sobre sua vida, na qual começou a tocar com 3 anos de idade com seu pai, que lhe ensinou os primeiros acordes.  Apesar de saber muito pouco sobre a arte da guitarra, ele lhe deu um importante ensinamento: "Independentemente do que for tocar, toque com sentimento". Lição que, creio eu, todos absorveram. Govan comentou sobre sua primeira GIG, da infância simples que teve, sobre o fato de depender somente de seu ouvido para aprender novas técnicas e como isso o ajudou no seu crescimento musical.

 

Então, decidiu tocar "Sevens". Portando um set minimalista de pedais, executou com maestria suas composições.

 

Em "Sevens", Govan dá uma aula de feeling, executando bends que são prolongados até o limite que a sua guitarra pode oferecer, contendo uma base rica de informações melodiosas, tudo isso associado a muita técnica e estilo muito particular. Composta de riffs bem armados e um tapping extremamente melodioso, Sevens foi um excelente início.

 

Ao fim da música, Guthrie passa algumas reflexões e comparativos sobre música. Ele nos passa que música deve soar como algo natural para nós; assim como nós falamos o português, a música deve ser como ler um livro em português, vir com fácil entendimento. Em adição ao seu crescimento musical, comenta sobre o choque que teve ao ouvir João Gilberto pela primeira vez, assim como os timbres fortes dos mestres Clapton, B.B. King e Hendrix, que o fizeram se aprofundar cada vez mais na música.

 

Depois de uma pausa para perguntas, foi questionado sobre a forma de composição dele, de onde ele tira as ideias para compor, e sua resposta foi: "Eu ouço sons na minha cabeça e fico pensando 'Como posso reproduzir estes sons na guitarra da melhor forma possível?' e me esforço pra isso.", conclui Govan. Então, o assunto abordado lhe recordou a forma de composição de Waves, que foi um som que lhe veio à cabeça, e ele queria montar as linhas como se os sons das notas ficassem parecidas, mas com harmonia e uma certa complexidade. Waves recebe esse nome pelo simples fato das ondas sonoras terem esse nome. E, como já era de se esperar, tocou "Waves", para delírio de todos os presentes.

 

Waves é uma música com um início bem melodioso, mas bem complexo, que dá seguimento com um shred da melhor qualidade, abusando de bends, ligados e harmônicos no decorrer da música. A variação melódica da música também é uma característica marcante que chama a atenção. Govan realmente alcançou seu objetivo ao criar uma música que esbanja técnica dispensa comentários.

 

Voltando às perguntas, foi questionado sobre seus equipamentos. Respondeu: "Tenho mais de 10 guitarras - e menos de 15 -, 3 baixos e 1 banjo", finaliza, sorrindo. Sua guitarra principal, fornecida pela Charvel, é um protótipo que está sendo desenvolvido juntamente com Guthrie, protótipo este que possui madeiras mistas em sua composição, travas de afinação na base das tarraxas, ponte flutuante, porém sem micro afinação. Os captadores também estão sendo desenvolvidos com a ajuda de Govan, porém pelo mestre Michael Frank-Braun, que desenvolveu os captadores signature da strato de Eric Johnson.

 

Ao ser questionado sobre a música "Eric", ele revelou que nunca tocou essa música ao vivo, e pretende nunca tocar, porque possui uma carga emocional muito grande pra ele. Esta música foi composta em homenagem ao seu amigo Eric Roche, que faleceu em 2005, aos 37 anos de idade, com câncer na garganta. Amigos de Eric se reuniram e lançaram um cd chamado "For Eric" em homenagem ao amigo, que contém 20 músicas de diferentes artistas.

 

Quando lhe foi perguntado sobre técnicas de slap, ligado, tapping, slide e harmônicos, revelou dicas valiosas para todos os presentes, e não havia música melhor para demonstrar boa parte dessas técnicas do que "Wonderful Slippery Thing", música funkeada com uma rica composição dos tópicos abordados, que traz uma excelente harmonia e demonstra o diferencial deste exímio guitarrista.

 

Finalizando as perguntas, comenta sobre a diferença entre composição e improviso: "Improvisação é compor em tempo real, e compor é improvisar com cuidado".

 

Para encerrar, Govan decide presentear a todos com "Ner Ner", música esta que, definitivamente, é um prato cheio para quem gosta de melodias exóticas, sempre esbanjando criatividade e beleza em seus fraseados. No meio da música, ainda somos agraciados com um dedilhado repleto de acordes à moda Govan, com uma sonoridade um tanto quanto clássica. Com certeza, uma das melhores composições dele.

 

Em suma, foi uma tremenda aula para os amantes de música em geral, não somente para os aficionados por guitarra. Carismático e atencioso, encerrou agradecendo a presença de todos e com certeza vai embora levando uma excelente impressão do Rio de Janeiro.

 

Que seu retorno seja breve.

 

SETLIST:

 

1 - Sevens

2 - Waves

3 - Wonderful Slippery Thing

4 - Ner Ner

 

 
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