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Ghost: entrevista da ROCK BRIGADE com um dos Nameless Ghouls

A ROCK BRIGADE teve a oportunidade de conversar com um dos membros do Ghost (chamados de Nameless Ghouls), por telefone. Confira abaixo a entrevista.

 

A banda sueca se prepara para realizar três apresentações no Brasil. As datas são:

 

19/09/13 - Rock In Rio (Rio de Janeiro - RJ)

20/09/13 - Iron Maiden, Ghost, Slayer (São Paulo - SP)

24/09/13 - Iron Maiden, Ghost, Slayer (Curitiba - PR)

 

Por Daniel Croce

 

RB: Olá. Bom, posso começar a entrevista com a velha piadinha que "não adianta perguntar o nome de um Nameless Ghoul, visto que ele é, bom, sem nome, anônimo, e do mais, isso seria uma gafe. Então, vocês da banda Ghost, estão meio que tipo re-colocando o rock horror, o metal terror de volta ao topo dos gostos e das paradas de shows e vendagens de CDs e merchandise, como uma vez Alice Cooper já o fez, bem como Mercyful Fate e King Diamond também já o fizeram. O que inspira vocês a escreverem sobre o sobrenatural, temas como anti religião e anti cristianismo?

 

Nameless Ghoul: (Risos) Parabéns, acho que você entendeu bem como as coisas são (mais risos). Bom, eu diria que é a combinação entre nosso fascínio de infância e adolescência, dos antigos filmes de terror, como da inglesa Hammer, o próprio fascínio natural que isso te exerce quando você é criança e não entende "muito bem" as coisas do mundo, aquela coisa meio ingênua, afora claro, que crescemos gostando de Kiss, Mercyful Fate, Alice Cooper, como você mesmo citou. Acho que se misturar religião, rock and roll e filmes de terror, daria o que nós somos e o que nos inspira como produto final.

 

RB: Já que você mencionou o Kiss, voltando aqui aos anos 80, na fasesem pintura deles, "desmascarada", vocêss se vêem num futuro próximo, ou distante, tocando sem as fantasias, sem as máscaras?

 

NG: Não! Definitivamente não. Eu acho que nós progredimos pra um patamar, uma situação, em que mesmo que nossa carreira, a banda, não dure tanto, e as pessoas comecem a como que "cobrar" quem nós somos, estaria aí o grande diferencial nosso: permanecermos anônimos, ao menos enquanto o Ghost se propor a existir e fazer shows ao vivo. Não acho que teria a mesma "graça" se a gente traísse a nossa própria proposta, não é?

 

RB: É estranho uma banda tocar e se propor a ser eternamente anônima, vide o Slipknot que também chegou-se a um momento em que todos sabem como é a cara dos integrantes, e sempre souberam os nomes deles também. Mas no caso do Ghost não, o anonimato é total. E mesmo assim, o fascínio sobre as pessoas, os metalheads, tem sido extremamente positivo. De uma atitude totalmente anti comercial, anti "música pop", que é exatamente a imagem da pessoa, os rostos das pessoas, vocês extraíram o exato oposto, extraíram reconhecimento.

 

NG: Sim, exato, não acho que nossos fãs veriam com bons olhos uma provável "traição" a essa proposta. Eu acho que essa proposta é a unica coisa imutável para a existência do Ghost.

 

RB: Tudo, exceto as máscaras.

 

NG: Exato!

 

RB: Como vocês chegaram a brilhante ideia, e eu acho que vocês já ouviram essa pergunta muitas vezes antes, de fazer covers de músicas mais pops, mais leves tais como suas versões de Beatles e ABBA, como nasceu isso?

 

NG: Bom, nós temos uma vasta coleção de vinis, CDs e afins. Acho que uma vez que nós do Ghost temos uma grande variedade de gostos, e do mais, acho que o grande background do metal em si, é a musica pop e o pop rock, o rock and roll no geral, então, nos perguntamos "porquê não?" Não gostaríamos de ter que nos ater a fazer covers de metal, mas sim, algo totalmente inusitado, que todos nós gostássemos.

 

RB: É, de fato, ambas versões soam muito naturais, parecem realmente músicas compostas pelo Ghost.

 

NG: Obrigado, é muito bom ouvir isso.

 

RB: Eu não sei se vocês tem algum conhecimento de que as pessoas na América do Sul são por demasia cristãs, católicas, ou outras "obscuras vertentes" desse tipo de culto, como os "true believers", os "crentes". E vocês estão numa gravadora grande. Como vocês lidam com outros povos, outras culturas, ainda mais essas cristãs, estando numa gravadora de grande abrangência, que obviamente quer vender vocês, quer vender "o produto" deles, e obviamente não quer ficar presa a questões religiosas e pessoais de cada um, que nunca deveriam influenciar os gostos musicais de ninguém? Meio que percebi que as canções do Ghost são uma declaração, uma provocação, contra a intolerância religiosa, a intolerância ao se respeitar o gosto e a opinião alheia, o modo de vida alheio.

 

NG: De longe não temos tido problemas, nada que nos custou ter que nos retrair ou omitir, ou deixar de fazer shows e afins. A nossa gravadora tem trabalhado bastante para nos expor para as pessoas certas, para o público certo, então acho que não temos que reclamar quanto a isso, e acho que a mensagem está chegando a quem deve chegar. Da mesma forma que não vamos querer ser doutrinados por nenhuma religião, não queremos invadir o culto e a crença alheia, doutrinando eles para o “nosso lado”, de forma alguma. Acho que a gravadora se atentou a isso e está atingindo as pessoas certas.

 

RB: Então, desde o início de tudo, não tem tido realmente nenhum problema?

 

NG: Não, na verdade, a Universal (nossa gravadora) tenta realmente nos lançar como algo comercial, "radio friendly", apesar da temática sobrenatural. Obviamente nosso objetivo principal não é estar na televisão, em programas "de família", de "auditório". Sim, temos obstáculos, mas para te comparar, já que você disse sobre a religiosidade da América do Sul, os Estados unidos também são reconhecidos por terem um nível às vezes até insano de religiosidade, fanática até, e não tivemos problemas em sermos aceitos pelo nosso público alvo. Bem com , ainda bem, não tivemos nenhum episódio como acontecia nos anos 70 e 80 com Ozzy Osbourne, Alice Cooper, King Diamond, de aparecer "pastores televisivos" dizendo para nos banirem, que somos aliciadores dos filhos das pessoas de bem, que somos a encarnação do mal, e essas coisas recorrentes a decadas atrás. Acho que a gravadora tem trabalhado bem pra não nos colocar no "radar" dessa gente mais intolerante.

 

RB: Tenho minha última pergunta aqui, mas não sei se você está autorizado a responder: em cada álbum parecia ter tipo uma profecia, um presságio, sendo que neste último álbum é como se o "Anticristo" tivesse tomado seu trono na terra. O que se passa na cabeça de Papa Emeritus (vocalista da banda), o que será o conceito que um possível Papa Emeritus III fará no próximo e doravante terceiro álbum?

 

NG: Ah, mas eu posso! (risos) Acho que o terceiro álbum será centrado na "presença do demônio", e na total "falta de Deus", já que o Anticristo tomou a Terra.

 

RB: Definitivamente é uma boa continuação, e agora acho que os pastores televisivos vão ficar furiosos!

 

NG: (risos) Talvez, espero que a gravadora continue nos colocando abaixo do radar dessa gente.

 

RB: Muito obrigado pela entrevista, estaremos no Rock In Rio e nas outras duas datas cobrindo o show do vocês, e estamos também ansiosos para que vocês soltem um DVD com toda encenação e todo o teatro que esperamos, ao menos visualmente, de um show do Ghost, até por que da música já sabemos que é de qualidade.

 

NG: Poxa, muito obrigado! Em alguma hora (não está em nossos planos exatamente para agora, mas estamos pensando) lançaremos um DVD. Espero ver todos nos shows da banda pelo Brasil!

 

 
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