Sepultura lançará em 2026 um EP com quatro músicas já gravadas
Em entrevista com Jarek Szubrycht como parte do “Mystic Talks” no festival Mystic Festival deste ano em Gdańsk, Polônia, o guitarrista do Sepultura, Andreas Kisser, falou sobre os planos da banda de lançar novas músicas com o atual baterista de turnê do Sepultura, Greyson Nekrutman, de 23 anos, que substituiu oficialmente o antigo baterista do Sepultura, Eloy Casagrande, em fevereiro de 2024. Ele disse: “Gravamos quatro músicas novas com Greyson na bateria. Acho que ninguém sabe disso, mas aí está. Temos quatro músicas novas, e a intenção, no ano que vem, é lançar um EP, apenas para celebrar este momento. São músicas originais que nós trabalhamos. Já está gravado e tudo, e estamos realmente dedicando nosso tempo para ver qual será o momento certo para lançá-las.”
Sobre como surgiu o novo material do Sepultura, Andreas disse: “Foi muito espontâneo. Tivemos uma situação em que tocamos no cruzeiro ‘70000 Tons Of Metal’ [em janeiro de 2025] e ficamos em Miami. ‘Temos este estúdio. Temos algumas ideias. Ok, vamos fazer isso.’ [Risos] E foi ótimo. Nenhuma pressão de gravadoras, sem data de entrega. As músicas nem sequer têm [nomes] ainda. [Risos] Mas é ótimo… Fizemos no nosso tempo, sem pressa. Não há nomes [para as músicas]. Podemos decidir isso depois. Ainda estamos mixando o material — sem pressa. E é ótimo. Por causa da ideia da turnê de despedida, também podemos fazer isso, planejar algo assim, ou não planejar algo assim, planejar o mínimo que pudermos para realmente nos desafiar artisticamente a trabalhar algo assim.”
Perguntado se a decisão do Sepultura de embarcar em uma turnê de despedida de dois anos e meio foi motivada de alguma forma pelo seu desejo de explorar outros estilos de música longe do metal extremo, Andreas disse: “Nunca me senti meio que preso no mundo do Sepultura para compor [em um estilo específico]. Sempre fomos muito destemidos para fazer o que quiséssemos. Quero dizer, ‘Nation’ é um álbum muito diferente, ‘A-Lex’, todos esses álbuns que foram inspirados por livros e tal. É, eu acho, mais sobre a rotina de estar em uma banda como o Sepultura. 40 anos — 40 anos, cara. Você já fez algo por 40 anos, como seu trabalho? Pense nisso. [Risos] É uma conquista incrível no mundo do entretenimento ter uma banda por tanto tempo, com altos e baixos, para ter seguidores. Toda vez que fazíamos álbuns, estávamos tocando, tínhamos um contrato com a gravadora, independentemente da formação, independentemente do tempo em que estávamos. Tocamos para 10 pessoas, depois voltamos a tocar em grandes lugares e tal. É uma história linda. É uma história linda de arte e vida. E eu estava meio que sentindo que entrar naquele modo de fazer outro álbum, fazer outra turnê, é meio previsível demais. Quero dizer, um artista não deve estar na zona de conforto. Se você está lá, você está ferrado, porque vai perder o contato com a realidade. Você vai começar a viver nesta bolha do que o Sepultura ‘deveria’ ser. Não existe ‘deveria’. Existe um novo Sepultura a cada dia. Podemos fazer o que quisermos, musicalmente, porque conquistamos isso. Sepultura é isso. Não é thrash metal. Não é heavy metal. Não é dark metal. Não é metal brasileiro. É metal Sepultura. É por isso que temos um nome, certo? [Risos] Caso contrário, por que ter um nome? Isso é Sepultura. É o que somos — muito livres. Não temos medo de correr riscos. Arte é risco. Se você faz algo novo, você vai correr riscos. Não há outro caminho. E é aí que você aprende, com seus erros e tudo. Mas é ótimo parar em um ótimo momento sem brigar, sem um fator externo quebrando a banda. São nossos próprios termos. Nós escolhemos isso de forma muito pacífica, uma decisão consciente. Levamos dois anos conversando sobre isso, nos preparando, e agora estamos nos divertindo. É incrível. E por que não? Quero dizer, é um privilégio ter isso, ter essa possibilidade, de parar enquanto podemos ou de parar neste momento. E então o futuro é o futuro. Vamos ver. [Risos]”
Kisser também falou novamente sobre como poderá ser o show final do Sepultura. Ele disse: “A ideia é fazer isso por volta de outubro de 2026 em São Paulo. Um grande show tipo ‘Sepul-fest’, uma festa com bandas que são importantes. E como parte da história do Sepultura, gostaríamos de convidar cada membro que fez parte do Sepultura, incluindo os irmãos Cavalera [Max e Igor], para fazer parte do show, para tocar, para fazer uma jam. Quero dizer, é totalmente irrelevante discutir o passado, quem está certo, quem está errado. Nunca vamos chegar a um ponto — vamos ter duas visões diferentes, e tudo bem. Isso é irrelevante. Vamos tocar para os fãs, para nós mesmos, para nossas famílias [que] nunca nos viram juntos. Mas não apenas eles — Jairo [Guedz], Eloy Casagrande, Jean Patton e Roy Mayorga, músicos que fizeram parte do Sepultura em momentos muito específicos e importantes que mantiveram o Sepultura fluindo e seguindo, independentemente de nossos problemas e desafios que tivemos. Então, esperamos que isso aconteça. Eles serão convidados. Se você quiser fazer parte desta festa, é bem-vindo. Se não, tudo bem.”
O Sepultura iniciou sua turnê de despedida em 1º de março de 2024 no Arena Hall em Belo Horizonte, Brasil. O show com ingressos esgotados marcou a estreia da banda com Nekrutman, que anteriormente tocou com o Suicidal Tendencies.

