Amon Amarth diz que novo álbum ‘The Allfather Awakens’ é mais temático
Em uma nova entrevista para Steve Harkins do TalkShopLive, os membros do AMON AMARTH Johan Hegg (vocal) e Ted Lundström (baixo) falaram sobre o próximo álbum da banda, “The Allfather Awakens”, que chegará em 2 de outubro via Metal Blade Records.
Assim como nos discos anteriores, Oden, o pai de todos nórdico que é uma divindade da guerra, sabedoria, morte, magia e poesia, é o fio condutor nas letras e artes do AMON AMARTH. Mais uma vez, Oden é a inspiração da banda, mas “The Allfather Awakens” não é um álbum conceitual, e sim uma coleção de contos épicos historicamente inspirados sobre conflito e sacrifício por um bem maior.
Johan declarou sobre os temas líricos abordados em “The Allfather Awakens”: “É um álbum temático, eu diria, onde a maioria das músicas, não todas as músicas, mas a maioria delas, está de uma forma ou de outra conectada ao deus nórdico Odin. E está imerso em muitos dos aspectos mitológicos de Odin da mitologia nórdica, mas também em alguns motivos históricos, quando se trata da história viking e das relações dos vikings com esse deus, por assim dizer.”
Perguntado se ele e seus companheiros de banda eram fascinados pelo folclore viking quando estavam crescendo, Johan disse: “Eu me interessava por vikings desde quando era muito jovem. E acho que começou de uma forma muito boba, de certa forma, porque eu me interessava por história em geral. Obviamente eu sabia sobre os vikings, mas não me interessei por eles até que minha irmã realmente escreveu com lápis runas na parede dela. E eu fiquei maravilhado. Eu tinha talvez uns nove ou 10 anos, e fiquei impressionado por termos esse idioma escrito na Suécia de mil anos atrás. Então foi meio que onde meu interesse começou, e depois eu encontrei essa série incrível de quadrinhos chamada série Valhalla por um cartunista dinamarquês. E, sim, simplesmente continuou a partir dali, basicamente.”
Ted interveio: “Os vikings eram um interesse desde jovem. E então quando começamos a banda, quando começamos a trabalhar em música em 92, estávamos apenas procurando nosso próprio pequeno gênero, para nos destacarmos de todas as outras bandas em Estocolmo e na Suécia na época. Então nós meio que colocamos nosso interesse pela mitologia viking na banda, o que funcionou muito bem para nós. Havia algumas bandas antes de nós que escreviam sobre vikings, mas não eram muitas, então era como um gênero muito pequeno.”
Hegg e Lundström também falaram sobre a relação de trabalho do AMON AMARTH com o produtor dinamarquês Jacob Hansen, que comandou “The Allfather Awakens”. Johan disse: “Foi a primeira vez que trabalhamos com ele, e foi ótimo. Ele é um bom cara.”
Ted acrescentou: “Fomos até Jacob em uma turnê anterior que fizemos na Europa. Tínhamos um dia de folga na Dinamarca, então ligamos para ele e dissemos: ‘Queremos ir aí conversar e dar uma olhada no estúdio.’ Então tivemos um bom dia conversando com ele sobre o que queríamos fazer e perguntando o que ele poderia trazer do lado dele para a nova produção, e tudo pareceu muito bom. Então ele foi muito, muito fácil de trabalhar. Foi tudo muito tranquilo, toda a sessão de gravação.”
Perguntado se houve algum momento em que quis dar uma gravata em Jacob e mandar ele ir embora, Johan disse: “Não, não, definitivamente não. Acho que talvez o oposto, porque eu continuava querendo fazer outros novos takes e versões diferentes do que eu já tinha feito. Mas não, foi super tranquilo. Acho que ele esteve muito aberto às nossas ideias, eu acho, e ao que queríamos dessa gravação. E então ele sugeriu, pelo que me lembro de qualquer forma, ele sugeriu algumas ideias legais para aprimorar toda a produção.”
Em relação ao processo de composição para “The Allfather Awakens”, Ted disse: “No passado, depois que terminávamos a turnê, começávamos o novo álbum. Mas desta vez, como a turnê foi muito mais longa do que antecipamos no início — conseguimos muitas turnês legais que não podíamos dizer não —, então começamos, ou principalmente os guitarristas, Olavi [Mikkonen] e Johan [Söderberg], eles já estavam começando os riffs e trocando ideias na turnê, na verdade. Então, quando terminamos a turnê do último álbum, já tínhamos uma vantagem com algumas músicas boas na bagagem.”
Johan acrescentou: “Eu também me lembro que pela primeira vez… Uma das coisas é que não temos um estúdio de ensaio adequado há mais de uma década. E eu sei que especialmente o Olavi sente falta da oportunidade de trabalhar em suas ideias em um ambiente de sala de ensaio. E acho que uma das razões pelas quais funcionou muito bem trabalhar na turnê foi que podíamos ter uma sala de aquecimento com uma estrutura com bateria, como bateria digital e pequenos amplificadores, e eles podiam fazer jam das músicas lá dentro, o que eu sei que o Olavi realmente gosta de fazer. Então acho que essa também é uma das razões pelas quais funcionou tão bem termos que compor na turnê, o fato de termos tido essa oportunidade.”
Hegg e Lundström confirmaram que o AMON AMARTH optou por gravar “The Allfather Awakens” focando em uma faixa por vez, em vez de construir o álbum inteiro gravando cada instrumento separadamente para todas as músicas que aparecem no LP final.
“Sim, essa foi uma das ideias que levamos para o Jacob, perguntando se ele estava de acordo em fazer música por música”, explicou Ted. “E nós também dividimos o álbum inteiro em duas sessões de estúdio. Então basicamente tínhamos apenas cinco ou seis músicas a cada vez, apenas para ser capaz de focar 100 por cento em cada música. Porque se você grava 10 músicas seguidas, você realmente fica tipo… É tanto riff na sua cabeça, que acaba tendo menos qualidade de certa forma. Então gravamos uma música por vez com bateria, baixo, guitarras, vocais, e isso também deu ao Johan bastante tempo para descansar a voz até que a próxima música estivesse pronta para os vocais. Então foi algo muito relaxante e com 100% de foco em cada música.”
Johan acrescentou: “E também o benefício é que você grava a música completa e depois pode deixá-la de lado. E no final da sessão, você volta e escuta as músicas e vê: ‘Tudo bem, tem algo aqui que precisamos mudar? Tem algo que realmente não funciona aqui? Seria melhor ter esse tipo de virada de bateria em vez daquele?’ E trabalhando do jeito que costumávamos fazer no passado, onde você grava toda a bateria para todas as músicas e depois desmonta a bateria, você não pode mudar nenhuma bateria, por exemplo, no final da sessão de gravação. Então é um bom jeito de trabalhar porque você pode sempre fazer umas pequenas mudanças aqui e ali… Para a primeira sessão nós tínhamos seis músicas, e gravamos aquelas. E depois tivemos que gravar mais algumas músicas, mas tínhamos que compô-las primeiro também.”

