Bill Ward admite: nunca tocou ‘Paranoid’, do Black Sabbath, duas vezes iguais
Durante o programa de junho de Bill Ward no LA Radio Sessions com Mike Stark, o baterista do Black Sabbath falou sobre “Spiral Architect”, a épica faixa de encerramento do quinto álbum de estúdio da banda, “Sabbath Bloody Sabbath”, de 1973. Conhecida por seus arranjos complexos, pelo violão de Tony Iommi e pelos vocais marcantes de Ozzy Osbourne, a letra da música aborda temas sobre manter um significado pessoal em um mundo moderno e surreal.
“Tocar ‘Spiral Architect’ ao vivo era brilhante. Nós tínhamos aquelas coisas orquestrais enormes… Então eu simplesmente amava tudo em ‘Spiral Architect’. Era uma das minhas músicas favoritas. Na época em que a escrevemos, eu achava que ‘Spiral Architect’ era musicalmente muito aventureira. Eu amo como tínhamos uma música de rock que tinha uma produção quase clássica. Tínhamos os tímpanos, que pronunciavam e acentuavam junto com Tony, e o baixo de Terry [Geezer Butler]. Algo nela me parece muito gótico. É o ápice absoluto do metal. Acho que o que há de belo nela é que ainda consegue ser metal. No entanto, eu consigo sentir como nossa banda estava mudando, mas ela nunca perdeu suas raízes profundas. Nunca perdeu suas raízes de onde veio, que era esse som muito pesado e implacável. E ela ainda manteve tudo isso encapsulado em ‘Spiral Architect’. Liricamente, manteve isso intacto.”
Bill continuou: “Eu amo o fato de que a banda corria riscos e era orquestral com essa música. Acho que existem pausas, existem partes mais lentas onde nos tornamos ousados a ponto de escrever ‘por todas as coisas sobre esta terra’ ou quaisquer que fossem as letras naquela época. Devo ser sincero, se for para contar os segredos de todo mundo, eu mesmo escrevi essas letras, e elas entraram na música. E não estou dizendo isso para me engrandecer. Eu realmente não dou a mínima, mas só estou dizendo que a maneira como tudo se encaixou, para mim, encapsulou, marcou um tempo e um lugar pelo qual acho que todos nós estávamos passando. Você tem que se lembrar que isso foi por volta do terceiro ou quarto álbum, e estávamos muito cansados. Estávamos tocando sem parar pelo mundo todo. Não tínhamos parado. Não tínhamos feito uma pausa exceto para usar o banheiro e almoçar. E fora isso, apenas continuamos no rock and roll.”
“Eu simplesmente amo essa música”, adicionou Bill.
Ao ser perguntado se “Spiral Architect” era uma música que o Black Sabbath tocava muito ao vivo, Bill disse:
“Sim. Sim, nós a tocávamos ao vivo. Ficou no show por muito tempo.”
Quanto ao fato de “Spiral Architect” ser difícil de tocar ao vivo, considerando todas as mudanças de andamento na música, Bill disse:
“Não, era ótimo tocar ao vivo. Era excepcionalmente maravilhoso tocar ao vivo. Para mim, eu apenas tocava o chimbal para começar e depois me movia por toda a bateria. Havia muito espaço para mim. E Geezer fazia grandes pronunciações de baixo, quase orquestralmente. E Tony, ele tinha tanto espaço para fazer todo tipo de coisa. Ele estava tocando de forma quase acústica, mas eletronicamente, e ao mesmo tempo ainda tocava power chords enormes. Ele adicionava de tudo. E a voz lamentosa de Ozzy encapsulava a música inteira. É uma música brilhante. Eu amo essa música. Nós nos permitíamos fazer um jam na música um pouco. Fazíamos isso com outras músicas. Estamos conversando agora sobre isso, o quanto mudávamos aquilo e quanta improvisação colocávamos na música. Mas às vezes Tony começava de forma diferente. Tínhamos um segmento onde ele tocava uma peça clássica antes dela. E isso podia mudar de um dia para o outro.”
Após Stark notar que “Spiral Architect” “deixava muito espaço para improvisação”, Bill esclareceu:
“Às vezes logo no início, mas na música em si tínhamos que tocar certinhos. Às vezes bem no final, fazíamos um jam no encerramento, então esse era outro lugar de improvisação onde podíamos fazer… Até no disco nós improvisamos. Aquilo foi uma improvisação bem no final da música. Isso foi quando a gravamos. Mas na verdade tínhamos que tocar nossas partes como foram originalmente tocadas. Mas havia espaço para improvisação, sim.”
Perguntado se havia outras músicas no repertório do Sabbath que eram realmente abertas à improvisação, Bill disse:
“Absolutamente… Bem, a maior parte do nosso show era improvisação, quando paro para pensar. Como você sabe, Tony entrava em solos de guitarra de primeira linha. Essa era uma das coisas que no show [ocupava] às vezes até 40 minutos. No começo estávamos fazendo shows de quase duas horas e meia, ou até mais longos. Então não era incomum para… Naquela época, um solo de guitarra era algo grande pelo qual ansiar. Ainda é. Era difícil colocar isso em uma música onde sabíamos para onde estávamos indo em todas as partes, onde a improvisação não era realmente permitida. Mas tínhamos músicas onde — e estou tentando lembrar delas e minha memória está falhando — tínhamos músicas onde podíamos nos desprender, onde a música quebrava, parava, e onde permitíamos solos de bateria ou solos de guitarra ou solos de baixo, dependendo do que pudesse ser.”
Quando Stark disse que algumas bandas “sobem ao palco e tocam o disco que fizeram no estúdio nota por nota”, Bill disse:
“Ah, nós mudávamos as coisas o tempo todo desse jeito. Eu nunca toquei ‘Paranoid’ da mesma forma duas vezes. Eu nem saberia como. Mas eu tentava manter o ritmo na maior parte das coisas. Como baterista, eu tentava manter no ritmo de como fizemos originalmente. Mas em algumas noites é simplesmente tipo, ‘que se dane, vou colocar isso aqui’.”

