Craig Locicero diz que novo álbum do Forbidden não se limita ao thrash metal
Em uma nova entrevista para o The Adventures Of Pipeman, o guitarrista do FORBIDDEN, Craig Locicero, falou sobre como as primeiras bandas de thrash metal da San Francisco Bay Area esculpiram seus sons distintos ao misturar trabalhos complexos de guitarra, melodias da New Wave Of British Heavy Metal e estruturas progressivas para se diferenciarem dos demais grupos da cena.
“Bem, sim, no topo da cadeia alimentar musical você definitivamente conseguia ouvir as diferenças entre [todas as bandas]. E aí você tinha todo mundo que tentava ser como e queria ser como [aqueles grupos]. Mas o FORBIDDEN, o nosso caminho fica muito mais pra cá. Nós somos tão diferentes em muitos aspectos, e ter um ótimo cantor como o [vocalista original do FORBIDDEN] Russ [Anderson] foi a primeira e principal coisa. O Russ, ele podia fazer qualquer coisa, e isso abriu portas para nós sermos tanto heavy metal quanto thrash metal. E este álbum [futuro álbum autointitulado do FORBIDDEN], eu sinto que é tanto heavy metal quanto é thrash metal quanto é prog. Nós nos expandimos e abraçamos totalmente o fato de que podíamos fazer qualquer coisa, e todo mundo contribuiu.”
Craig acrescentou: “Eu sempre digo que nada é original; tudo é único. É como impressões digitais. Este dedo se parece com aquele dedo, mas eles são completamente diferentes se você realmente puxar e examiná-los.”
Locicero também falou sobre o processo de composição e gravação de “Forbidden”, que marca o primeiro álbum de estúdio da banda desde “Omega Wave”, de 2010, e o primeiro do FORBIDDEN com o vocalista Norman Skinner, o baterista Chris Kontos e o guitarrista Jeremy Von Epp. Ao ser perguntado sobre como se sentiu fazendo “Forbidden” em comparação com os álbuns anteriores da banda, Craig disse: “Foi ótimo. No seu primeiro álbum, você não sabe o que está fazendo. Você só está escrevendo. Eu tinha 15 anos quando comecei a escrever aquele disco [‘Forbidden Evil’, de 1988] e depois 18 quando o gravamos. E [eu estava] sem noção. Mas em ‘Twisted Into Form’ [de 1990], quando trouxemos o [guitarrista] Tim Calvert para a banda, ele e eu começamos a trabalhar da forma como uma dupla de guitarras deveria trabalhar, e nós sentamos, alinhamos tudo, sincopamos e harmonizamos. E então houve um grande crescimento através de ‘Twisted Into Form’. E os outros dois álbuns [‘Distortion’, de 1994, e ‘Green’, de 1997] foram em tempos turbulentos, onde ninguém dava a mínima para o thrash metal. Então nós escrevemos aqueles meio que apenas para nós mesmos e quase ninguém mais. E aí em ‘Omega Wave’ [de 2010], eu estava em uma missão, mas não tive tanta ajuda quanto queria. Tive muita ajuda do [então baterista do FORBIDDEN] Mark [Hernandez]. E todos ajudaram, mas morávamos separados. A gente não se encontrava tanto. Eu trabalhava bastante com o Mark. O [então guitarrista do FORBIDDEN] Steve [Smyth] morava na Inglaterra. O Russ não queria se juntar até o final do processo para terminar letras e melodias. Então estávamos todos meio espalhados. E neste álbum, começou junto. Chris e eu trabalhamos em 75% do álbum juntos até que surgiram coisas na vida dele em que ele não podia estar tão presente, e foi aí que trouxemos o Jeremy Von Epp, e aí ele e eu trabalhamos como o Tim Calvert e eu. Sentamos, criamos demos para tudo e compomos quatro músicas juntos. E então parece que, embora tenha sido um período de dois anos escrevendo essa coisa, ou dois anos e meio, parece que foi o álbum mais propício e bem-organizado de todos eles, onde todo mundo estava em uma missão. Então foi ótimo escrever e foi ainda melhor gravar, porque estávamos muito preparados quando entramos no estúdio. E a abordagem que tivemos foi manter cru, manter real. Muitas das músicas foram escritas em Mi, que é a afinação antiga que usávamos nos dois primeiros álbuns, que ninguém usa hoje em dia no nosso gênero específico. Então foi legal trazer esse som de volta sem… Eu não acho que as pessoas percebem quando estão ouvindo, mas é isso que faz seus ombros subirem e suas orelhas ficarem atentas, é que você está ouvindo um som que costumava ouvir, só que com uma produção e gravação muito melhores, porque o [produtor] Zack Ohren é incrível, e ele fez um ótimo trabalho em capturar isso. Mas é muito cru e é muito sincero.”
Elaborando sobre a diversidade do material em “Forbidden”, Craig disse: “Estamos falando de uma hora e quatro minutos de música que são misturados perfeitamente. E a sequência do álbum é uma parte muito, muito grande disso, e se você estiver olhando para o link digital, você não vê, mas o álbum está na verdade em quatro quadrantes, e é três, três, três e dois, sendo o último uma ópera espacial, com “Flower Of Life” e “Sol Grave”. Então cada quadrante do disco tem um pequeno sabor filosófico. Não é um conceito, mas é um tema para tudo. Então, tudo se encaixa como os discos da velha guarda faziam, mas nós somos metal. Então, se você está esperando apenas thrash metal, você pode ficar desapontado porque entregamos além do esperado. Não fizemos apenas thrash metal. Fizemos thrash metal, heavy metal, prog. Atingimos muitos elementos diferentes. Tudo o que amamos na música, nós fizemos. Não vi motivo para me segurar ou tentar me encaixar em qualquer tipo de gênero específico, porque acho que isso seria mais decepcionante para o ouvinte do que o que fizemos, nos expandindo e dando… Nós expusemos tudo. Estamos lá. Estamos nus. Está logo ali. Está ali para você.”

