Eloy Casagrande explica decisão de deixar o Sepultura: ‘Complicado’
O ex-baterista do Sepultura, Eloy Casagrande, falou abertamente sobre sua recente decisão de deixar a banda e se juntar ao Slipknot. O músico de 33 anos, que foi membro da veterana banda de metal brasileira/americana por 12 anos antes de sair do grupo em fevereiro para se juntar aos mascarados do metal de Iowa, contou à Veja São Paulo do Brasil em entrevista que foi originalmente procurado para fazer um teste para o Slipknot em dezembro passado pelo empresário da banda, pouco depois do Sepultura já ter anunciado sua turnê de despedida do 40º aniversário.
“Eles me pediram para gravar e enviar alguns vídeos daqui mesmo do Brasil”, explicou ele em comentários publicados. “Inicialmente eram três músicas, depois me pediram mais três, e perguntaram se eu tinha planos de ir para os Estados Unidos, e eu tinha show marcado lá em janeiro com meu projeto de música instrumental, Casagrande & Hanysz. Então, eles adiantaram um pouco meu voo, e eu passei cinco dias em Palm Springs ensaiando com a banda completa. Depois, me pediram para estender minha estadia por mais cinco dias, para que pudéssemos gravar algumas coisas. Acho que isso também fez parte da audição. Eles me trouxeram novas ideias para ver como era minha composição. Eles queriam me testar de todas as formas.”
Perguntado sobre quando finalmente recebeu a confirmação de que era o novo baterista do Slipknot, Eloy disse: “O Slipknot é formado por nove músicos, então há muitas esferas e camadas, e eles precisavam da aprovação de todos antes de me darem o sinal verde. Acho que foi no dia 5 ou 6 de fevereiro que recebi a confirmação de que havia passado no teste.”
Sobre como foi a audição real, Eloy disse: “No começo, eles não explicaram o que faríamos. Estava tudo meio no escuro. A primeira coisa que mandaram foi um documento de NDA [acordo de confidencialidade], então eu não podia discutir com ninguém. Aprendi o setlist, me preparei e, quatro dias antes da viagem, me enviaram uma lista de 32 músicas que seria importante eu conhecer. Muitas das músicas que eu estava aprendendo não estavam naquela lista, então comecei a procurar partituras. Quando cheguei lá (nos Estados Unidos), eles me deram um setlist no primeiro dia, que tinha algumas músicas que eu também não conhecia, mas saímos tocando. No primeiro dia, fiquei muito nervoso, porque a banda estava completa, e é um grande impacto ver os caras na sua frente. É uma banda que eu escuto desde adolescente e acompanho na TV. No primeiro dia eu fui terrível, não gostei da minha performance, mas do segundo dia em diante eu melhorei. Todos os dias tocavam um setlist diferente pela manhã, então eu tinha algumas horas para aprender uma música ou duas que faltassem. No geral, foi bem tranquilo. Tive o apoio de todos.”
Sobre o tema de sua saída do Sepultura, Eloy disse: “Recebi o convite para a audição [para o Slipknot] depois que a turnê de despedida [do Sepultura] foi anunciada. O grande motivo, a razão pela qual aceitei a audição, foi o fim do Sepultura. A banda ia acabar, e eu não queria parar de tocar bateria aos 33 anos. Conversei com o Slipknot, perguntei sobre a agenda deles e se seria possível conciliar as duas bandas, mas eles disseram que não, não seria possível, eu seria exclusivo. Então, a decisão de sair do Sepultura foi minha. Foi complicado. Contei [ao Sepultura minha decisão] quando fechei o acordo [com o Slipknot] no dia 5 ou 6 de fevereiro. Naquele mesmo dia, convoquei uma reunião e expliquei a situação. Foi isso, uma decisão individual.”
Sobre tocar com máscara e maquiagem ter apresentado grandes mudanças para ele, Eloy disse: “A primeira grande mudança ao usar máscara é mental. É outra persona ali. A máscara tem vida. Se outra pessoa a colocar, não será a mesma. Eu a criei junto com o Shawn [Crahan, percussionista e co-fundador do Slipknot] – trabalhamos o design juntos – então é uma combinação do Slipknot e da minha personalidade. Mas quando você coloca a máscara, algo diferente acontece. Eu ainda não consigo explicar. E o aspecto físico de tocar é tranquilo, eu achei que seria pior. Claro que fica quente, porque é cheia de espuma, então eu suo muito. Mas há um bom espaço para respirar. Antes da primeira apresentação, eu estava ensaiando com uma máscara feita para atletas, que simula altitude. Possui várias válvulas e cobre o nariz e a boca, restringindo a respiração. Isso me ajudou a tocar com mais calma.”
A adição de Casagrande ao Slipknot foi oficialmente anunciada no dia 30 de abril.

