Entrevista com Daniel Olaisen, do Blood Red Throne
Rock Brigade: Em primeiro lugar, obrigado pelo seu tempo dedicado para responder a esta entrevista. Você poderia começar atualizando seus fãs brasileiros sobre a formação do Blood Red Throne que comparecerá aos seus próximos shows no Brasil em dezembro? Será a mesma formação do último álbum, Nonagon?
Daniel Olaisen: Salud amigos brasileiros! Nosso baterista acabou de se tornar pai, então usaremos nosso baterista substituto nesta turnê. Para ser honesto, ele faz mais shows que Freddy, então parece natural. Fazemos tantos shows hoje em dia que precisamos de 2 bateristas para dividir os shows, haha. O resto de nós é da formação do álbum Nonagon, de fato!
Falando do seu último álbum Nonagon, você poderia explicar o conceito deste álbum? Do que se trata? Como você acredita que este álbum difere dos anteriores que o BRT lançou?
As letras do álbum são vagamente baseadas nos nove círculos concêntricos de tormento descritos em “Inferno” de Dante. O álbum tem nove músicas e seria apropriado conceituar em torno disso. Dito isto, cada letra pode ser interpretada e encorajamos as pessoas a encontrarem o seu próprio significado e temas com base nela. Quanto à música, também achamos que é o nosso álbum mais forte até agora. Riffs matadores bem juntos em uma mixagem perfeita. Eu também acho que os vocais estão mais fortes do que antes.
Ao ouvir o álbum Nonagon, uma coisa que me chama a atenção é que não só, tudo soa tão nítido, as guitarras, a bateria e os vocais, mas também o baixo é um elemento muito presente na mixagem final. Estou perguntando isso porque normalmente vemos bandas de metal extremo subestimando o baixo na mixagem final. Você credita esse incrível som de baixo do álbum ao baixista Gunner Gundersen da mesma forma como também a produção de Ronnie Björnström?
Por alguma razão sempre houve grandes baixistas no Blood Red Throne. Eles sempre colocam algo a mais nos riffs de guitarra e isso ficou conosco em todos os álbuns. Nonagon não é exceção. Ronnie Björnström mixou Imperial Congregation e Nonagon. Nenhum instrumento fica para trás.
Vocês estão tendo um ano de turnês muito ocupado. Você já visitou grande parte da Europa, México e até Dubai. E pouco antes do Natal vocês virão com força para a América do Sul, com datas na Colômbia, Paraguai, Peru, Brasil e Argentina. Qual é a principal diferença que você percebe em públicos de lugares tão diferentes do mundo?
Acho que 2024 foi o ano de maior sucesso para o Blood Red Throne. Tudo começou com o lançamento do Nonagon em janeiro e depois fomos para o Cruzeiro “70.000 Tons of Metal” no Caribe. Que começo! Depois, turnês pela Ásia, Europa e América do Sul, etc. Muitos outros shows legais. Ficamos realmente surpresos com o público asiático. Tão quieto entre as músicas e de repente ficam loucos totais entre as músicas. Mas os fãs sul-americanos sempre tiveram um lugar especial em nossos corações!
Qual é a sensação de viajar pelo mundo levando sua música para tantos países e culturas diferentes?
Somos gratos. Podemos conhecer o mundo inteiro, conhecer fãs, fazer festas e ganhar algum dinheiro. É um sonho tornado realidade. Trabalhamos muito para isso e aproveitamos cada minuto!

Acredito que esta será sua segunda visita ao Brasil, correto? O que os fãs brasileiros podem esperar desses próximos shows que vocês vão trazer aqui? O setlist será focado no Nonagon ou vocês trarão músicas da maioria dos seus álbuns anteriores?
Tocamos no Brasil em 2014… então já é hora de voltarmos! Estamos mais fortes do que nunca e a química na banda é muito boa atualmente. Você pode perceber isso ao nos ver ao vivo. Muito enérgico e com senso de diversão e humor. Temos muito material para escolher, mas tentamos incluir o maior número possível de álbuns.
Como funciona o seu processo de composição? Você mesmo escreve a maior parte do material do BRT? Você tem algo como um “banco de riffs”? Como você escreve sua música?
Eu escrevo a maior parte das músicas do Blood Red Throne. Eu componho tudo no meu home studio. Mando vídeo dos riffs e Clammy começa a trabalhar nas partes do baixo. Depois mandamos tudo para o Sindre e ele começa a gravar os vocais. Na verdade, finalmente gravamos a bateria e Freddy toca praticamente a mesma coisa que programei na demo. Meatook também contribui com algumas músicas. Ele vem ao meu estúdio com algumas ideias e eu o ajudo a organizar tudo. Ele também faz algumas partes principais nas minhas músicas e vice-versa. Não ensaiamos como banda há muitos anos. Pelo menos não para álbuns de estúdio. Nos encontramos talvez algumas vezes por ano se estivermos planejando tocar músicas novas no set-list.
Muitos dos fãs brasileiros também possuem suas próprias bandas. A maioria deles sonha em um dia fazer uma turnê pelo mundo com elas. Você poderia trazer alguns aspectos de como funciona uma banda em turnê? Como você trabalha em termos de equipamento em uma turnê? Ou seja, quantas guitarras você pode levar em cada turnê, além de efeitos etc.? Você traz seus amplificadores?
Sim, quero dizer, quase TODO MUNDO toca em uma banda de metal hoje em dia, haha. É realmente difícil se destacar. Acho que nos beneficiamos por estar no ramo há quase 30 anos. Mas, é claro, também entregamos qualidade superior em álbuns e shows ao vivo. Estar em turnê pode ser difícil, mas no nosso caso nos divertimos tão bem que aproveitamos cada segundo. É muita viagem e espera, mas tudo vale a pena quando se tem um grande show e uma boa festa. Acho que o mais importante é se dar bem uns com os outros e dar espaço às pessoas quando necessário. Faz anos que não usamos amplificadores, cara. Vamos direto para o PA com nossos pedais de efeito. Estamos em 2024! Sobre guitarras, trazemos apenas 1 guitarra cada. Menos para carregar, haha.
Vocês estão previstos para tocar em Belo Horizonte, Minas Gerais, no dia 20 de dezembro. BH é considerada por muitos o berço do Metal Extremo Brasileiro. Considerando que o Sepultura começou em nossa cidade, em 1984. O quanto você conhece do metal brasileiro e mineiro? Você gosta de bandas como Sarcófago, Overdose, Sextrash, Holocausto e muitas outras?
Eu não sabia disso. Mas sou um grande fã do Sepultura. Para mim a melhor banda que veio do Brasil. Tenho certeza que existem muitas outras grandes bandas brasileiras e naturalmente já ouvi falar do Sarcófago. Na verdade, toquei I.N.R.I. ao vivo quando toquei no Satyricon nos anos 90. Estamos ansiosos para tocar em várias cidades desta vez e nos divertir muito no Brasil!
Texto: Filipe Duarte / Esfera do Rock

