[Atualizado] Review e galeria de fotos: Summer Breeze em SP
26, 27 e 28 de abril/2024
Memorial da América Latina, São Paulo-SP
Mal completou um ano da histórica e primeira edição do Summer Breeze Brasil, festival de origem alemã, que fez a sua estreia no país nos dias 29 e 30 de abril do ano passado. A segunda edição, que aconteceu recentemente nos últimos dias 26, 27 e 28 de abril no Memorial da América Latina, em São Paulo, veio com mais força do que a primeira.
Pouca coisa mudou comparado a antiga e a mais recente edição, uma delas é a adição de mais um dia, em plena sexta-feira. O plus rendeu a presença de mais bandas, o que é ótimo. Porém, por ser um dia útil, a maioria acabou tendo dificuldades de tirar um dia de seus compromissos profissionais para curtir o dia de shows. Outra coisa bastante legal de destacar é a Signing Sessions (sessão de autógrafos em tradução livre) com algumas das atrações escaladas, sendo algo inédito para nós brasileiros e que só acontece nos tradicionais festivais europeus, incluindo o Summer alemão.
A Signing Sessions foi gratuita para todas as modalidades de ingresso, só que quem quisesse participar tinha que comparecer cedo, pois tinha um limite máximo de participantes. Todas as sessões, que também deu direito a uma foto, foram bem organizadas, só a do Sebastian Bach e do Gene Simmons que teve uma concorrência absurda, segundo comentários dos seguranças que esteve presente na ocasião. De resto, as mesmas características foram mantidas: dois palcos principais (Ice Stage e Hot Stage) um do lado do outro, e mais dois (Sun Stage e Waves Stage) localizados no outro lado da avenida.
A famosa Horror Expo, as lojas de CDs, vinil e camisetas, espaço de tatuagem e mais uma infinidade de coisas, marcou presença novamente trazendo experiências que vão além da música. E já que o assunto é shows, vamos falar deles nas próximas linhas. Shows O primeiro dia reuniu bandas dos mais variados estilos, desde Hard Rock, Thrash Metal, Power Metal e o mais clássico. Algumas veteranas e novatas, principalmente, marcaram presença pela primeira vez no Brasil, casos do Nestor e do Flotsam And Jetsam, responsáveis por abrir as duas primeiras horas de festival nos dois palcos principais, respectivamente.
Formado por Tobias Gustavsson (vocalista), Johnny Wemmenstedt (guitarra), Marcus Âblad (baixo), Martin Johansson (teclado) e Matthias Carlsson (bateria) – quinteto que compõem o Nestor – vem conquistando cada vez mais espaço nessa nova geração do Hard Rock desde que retornou a ativa em 2021. As composições, que remetem muito às das bandas americanas dos anos 80 e que poderiam se encaixar facilmente em qualquer filme da época, alegraram o baixo público, que assistiu uma apresentação divertida e para lá de impecável.
O café da manhã iniciou em grande estilo com “Kids in a Ghost Town”, faixa que, inclusive, dá nome ao até então único álbum, lançado em 2021. Nos primeiros minutos teve um pequeno problema na guitarra do Johnny, que foi resolvido rapidamente. Boa parte de quem viu o show já acompanha a banda há um bom tempo. Na pista vip tinha pessoas com camisetas verde e amarela com o logo da banda e os óculos listrados que o vocalista Tobias usa no clipe da “On The Run”, que foi um dos pontos altos com seu refrão vigilante ao lado das sensacionais “Stone Cold Eyes”, “These Days”, “Firesign” e “1989”. Além das músicas do primeiro álbum, que fizeram até o público do Flotsam And Jetsam vibrar, também teve a nova “Victorius”, do álbum “Teenage Rebel”, a ser lançado em breve. O encerramento com a promessa de uma nova vinda veio com “I Wanna Dance With Somebody”, cover da saudosa cantora Whitney Houston.
Os americanos do Flotsam And Jetsam debutaram no país, às 12h, no Ice Stage. Foram longos anos de espera para ver o vocalista Erick A.K. (vocal) e o guitarrista Michael Gilbert (únicos membros da formação original) ao vivo. Além deles, a banda conta hoje com o baixista Bill Bodily e o baterista Ken Mary, que já teve passagens por Accept, Alice Cooper, Impelliteri e entre outros. Foi um show matador, trazendo toda a essência do Thrash ‘old school’. Erick continua em ótima forma e cantando excessivamente; Michael é um exímio guitarrista que destila riffs mega pesados e solos arrebatadores. Canções como “Hammerhead”, “Desecrator”, “Dreams of Death” e “She Took an Axe”, dos aclamados “Doomsday for the Deceiver” e “No Place For Disgrace”, fez a alegria dos fãs que suportaram o sol quente. Também tocaram, as recentes “Prisoner Of Time”, do “The End Of Chaos”, e a thrash “Brace for Impact”, do último disco “Prisoner Of Time”, que teve sua capa exibida no telão ao fundo do palco.
Mais para o final, teve a indispensável “Suffer the Masses”, “I Live You Die” – que introdução de baixo – e “No Place For Disgrace”, que pôs fim no primeiro show do Ice Stage de forma matadora. Um dos pontos que causou preocupação foi a situação do Erick, que estava trajado de colete e calça de couro e mostrando sinais de cansaço em alguns momentos devido ao calor. Perto do final, ele até brincou falando que, assim que encerrasse o compromisso, iria em algum bar para beber Jack Daniels para recuperar as energias.
A brasileirada mostrou serviço em dose dupla por volta das 13h00 e 13h10. Edu Falaschi e sua banda puseram ponto final na Eldorado Word Tour no palco irmão com um pouco do cenário utilizado no último show de São Paulo, que aconteceu em janeiro último no Tokio Marine Hall. Sem a presença do renomado Aquiles Priester, que não pode estar tocando no festival por conta de outros compromissos, Jean Gardinalli cumpriu o seu posto à altura. Após curtir “Live And Learn” e “Acid Rain”, músicas da época que o Edu fazia parte do Angra, fui ao Sun Stage ver o Dr. Sin.
O power trio, liderado pelos irmãos Andria (baixo/vocal) e Ivan Busic (bateria), continua surpreendendo todo mundo com o seu Hard Rock cheio de virtuosidade. Nesses 30 anos de história, a banda participou dos principais festivais de Rock do Brasil, entre eles o Monsters Of Rock, Hollywood Rock, Rock In Rio e, claro, o Summer Breeze, e a escolha por assisti-los foi justamente por essa razão. A atmosfera deles tocando nesse tipo de ambiente é, realmente, diferente dos shows que fazem em locais comuns.
Como era momento de celebração pelas três décadas, o set reuniu diversas obras do passado como Sometimes, Fly Away, Miracle e Emotional Catastrophe. Antes teve “Time After Time”, a qual o público é convidado para puxar o tradicional ‘oh,oh’. Mais adiante, “Fire” – música que Yngwie Malmsteen não fez – combinou perfeitamente com o clima do dia, enquanto “Isolated” arrancou a atenção de todo mundo com um dos melhores solos da história do Hard Rock nacional e que o guitarrista Thiago Melo executou com perfeição. Falando nele, a cada dia que passa, o acreano vem mostrando que vem sendo a escolha certa em ocupar o lugar deixado pelo mestre Edu Ardanuy. Antes de chegar, o trio tocou, em primeira mão, a nova “Only the Strong Survive”. Infelizmente não consegui pegar a música toda, chegando bem no finalzinho.
Uma equipe de filmagem filmou a atuação dela para um futuro videoclipe, que será lançado em breve. Quando se está num mega festival como o Summer Breeze é necessário tomar decisões drásticas de escolher as bandas que quer ver. Pior é quando as duas estão tocando no mesmo, o que nos faz ficar mais indecisos. Por mais que eu goste do Tygers Of Pan Tang, lendária banda da NWOBH e que tocou no Sun Stage às 14h30, fui ver mais uma banda vinda da terra do Tio Sun, estou falando do Black Stone Cherry. A escolha acabou não sendo em vão! Chris Robertson (vocal/guitarra), Ben Wells (guitarra), John Fred Young (bateria) e o novato Steve Jewell Jr. (baixo) fez o show mais brutal do Hot Stage que faltou o palco ir abaixo, um bom exemplo disso foi logo nas duas primeiras “Me and Mary Jane” (a mais conhecida) e Burnin’. A energia dos integrantes era tanta que Chris precisou trocar de guitarra, a correia do baixo do Steve escapou e os pratos da bateria do John caindo de tanto que o esmurrava.
Não tão nova no cenário, muitos que assistiram não conheciam bem a banda. O comportamento foi percebido pelo vocalista e guitarrista Chris, que perguntou quem viu e quem não o Black Stone Cherry ao vivo. Lembrando que a banda já esteve anteriormente no Brasil, quando tocaram na primeira edição do extinto Maxximus Festival, em 2016. Diria que o estilo deles passeia por várias nuances, mas é o Hard Rock, e um pouquinho de Souther, que define bem a personalidade. Voltando ao show, a banda foi ganhando o público em várias músicas.
Em “In My Blood”, que teve a única aparição de Jeffrey Boggs tocando bongô e que deu uma estendida, a galera tentou cantar os principais versos mesmo não sabendo direito a letra. “Cheaper to Drink Alone” fez movimentar os nossos pescoços, seguido de um solo de bateria do ignorante John Fred Young. O final com “Blame It On the Boom Boom”, “White Trash Millionare” e “Lonely Train” conquistou os presentes graças ao vocalista e guitarrista Chris Robertson, que incentivou a puxar vários ‘hey,hey’, principalmente na primeira que citada. Do novo álbum (ótimo por sinal), “Screamin’ At The Sky”, apenas “Nervous” e “When The Pain Comes” entrou no set. “R.O.A.R.”, a minha favorita e também do novo disco, acabou ficando em falta. O Thrash Metal tomou território com um dos mais importantes nomes do subgênero, Exodus, que entrou para galeria de coleção de bandas de Thrash que o Summer Breeze já trouxe, que foi a maioria, diga-se. Esperamos que para a terceira edição, traga as demais para fechar o pacote.
Quem sabe Slayer como headliner no próximo? Não custa pedir, não é mesmo? Com uma formação já consolidada, Steve Zetro Souza, Gary Holt e Lee Altus (guitarras), Jack Gibson (baixo) e Tom Hunting (bateria), sempre costuma marcar passagem no nosso país, mas tocando em casas fechadas. Mas a energia deles é diferente quando eles tocam em festivais, faltando espaço para pegar um lugarzinho para vê-los no Ice Stage, às 15h50. Na ocasião, era a minha primeira vez vendo o Exodus ao vivo. Muitos, após o show, declaram que foi um dos melhores shows deles aqui no Brasil. E assinei embaixo em tudo que disseram, pois tudo foi da maneira como imaginava: som, desempenho e repertório perfeito! Gary Holt é muito mais do que o melhor guitarrista de Thrash Metal da história, e sim o Thrash em carne e osso. Já o Zetro Souza, nem se fala. Quanto mais ele envelhece, melhor a sua voz fica. “Bonded by Blood”, “Piranha”, “A Lesson in Violence”, “Fabulous Disaster” e “The Toxic Waltz” já vale todo dinheiro gasto pelo ingresso, pois até hoje são músicas atemporais.
Mas coloco “Deathamphetamine” como o melhor momento deste show, que foi uma verdadeira aula de como ser violento sempre precisar partir para a agressão, no bom sentido, já que não há carinho e piedade quando se está no meio da roda. O Ice Stage e Hot Stage foram de muito Hard Rock. Às 17h30, no segundo palco, o lendário vocalista Sebastian Bach abrilhantou o fim de tarde e começo de noite com os sucessos de sua antiga banda, Skid Row, que tocou na primeira edição ano passado. Não vou entrar na questão quem está melhor hoje em dia, cada um tem suas particularidades e todos acabam aceitando tanto um quanto o outro.
Há quatorze anos, tive a oportunidade de vê-lo ao vivo abrindo para o Guns N’ Roses, que ofuscou totalmente o show daquela formação genérica. Agora, em 2024, vemos um Sebastian (ou Tião como os brasileiros gostam de chamar) tirando um pouco o pé do acelerador. Em “Big Guns”, “Piece of Me” e “Rattlesnake Shake”, por exemplo, o cantor jogava o microfone para o público cantar alguns versos, levando a entender que ele não pode estar fazendo muito esforço na voz. Mas independente das condições, Sebastian, que hoje se encontra aparentemente mais magro e com a mesma cabeleira dos seus tempos áureos de Skid Row, alegrou os seus fiéis fãs com um show memorável.
A formação, que hoje conta com Brent Woods (guitarra), Clay Eubank (baixo) e Wade Murff (bateria), também se mostrou coesa até o último minuto, mas acabei sentindo a falta de uma segunda guitarra. Acredito que o som ficaria ainda mais redondo se tivesse mais alguém tocando ao lado do Brent. No próximo mês de maio, Sebastian vai lançar o seu novo álbum, “Child Within the Man”. Deste novo trabalho, só tocaram “What Do I Got to Lose?” e “Everybody Bleeds”, que não teve muita reação. Agora “18 And Life”, “Slave to the Grind”, “Monkey Business”, “I Remember You” e “Youth Gone Willd – antecedido por Children of the Damned do Iron Maiden – foi totalmente o oposto. Outro destaque foi “Wasted Time”, cantado a capela e emendada com outra balada, “By Your Side”, do primeiro álbum solo, “Angel Down”. O que achei desnecessário é o cover de Tom Sawyer, do Rush, que não ficou muito bom. Pulando para o Ice Stage, o Mr. Big trouxe o seu Hard Rock cheio de virtuosidade e capricho.
No mesmo momento, os Gothic Rock do The 69 Eyes se apresentaram no Sun Stage. Por ser a última turnê, conforme vem sendo anunciado, optei por ver Eric Martin (vocal) Paul Gilbert (guitarra), Billy Sheehan (baixo) e Nick D’Virgilio (bateria), que vem ocupando muito bem o posto do saudoso Pat Torpey. De cara, o trio saca “Addicted to That Rush” e “Take Cover”, que estão no ‘debut’ homônimo e no quarto álbum, Hey Man, que são ótimos trabalhos comparado ao “Lean into It”, que foi quase que tocado na íntegra. Não sendo muito fãs de Mr. Big , não vi muito excesso de técnica por parte do Paul e do Billy. Os dois conseguem equilibrar as partes mais complexas para não tornar o show cansativo. Para quem esteve presente só para ver o Paul usando a clássica furadeira não precisou esperar muito, e ele apareceu palhetando as cordas com ela em “Daddy, Brother, Lover, Little Boy (The Electric Drill Song)”.
Várias das composições do “Lean into It”, explicadas a pouco, ocuparam praticamente todo set. Afinal, é um dos discos mais badalados da história do gênero. Porém, poderiam ter colocado mais músicas do “Bump Ahead” como “Price You Gotta Play”, “What’s It Gonna Be” e “The Whole World’s Gonna Know”, a melhor na minha opinião. Do terceiro e mencionado disco, só a radiofônica “Wild Rose” – que fez mais alarde com o Mr. Big do que com o Cat Stevens – e “Colorado Bulldog”, intercalado com solos de guitarra do Paul e os solos de baixo do Billy. Mas de qualquer forma, foi prazeroso ver obras-primas como “Alive and Kickin’ Green-Tinted Sixties Mind” e “Never Say Never”, além das baladas “Never Say Never” e “To Be With You”, essa última eu vi e cantei com a simpática vocalista Leather Leone, que também se apresentou no terceiro dia de festival no show do Torture Squad. Ainda sobre o show do Mr. Big, o mais engraçado é que a maioria preferia prestar atenção no que Paul e Billy faziam nos seus instrumentos e imitando tudo o que eles faziam ao invés de cantar com o bem-humorado Eric Martin, que também enfrenta certas limitações na sua voz.
O encerramento veio com “Baba O’Rilley”, do The Who. Enfim, a atração mais esperada do primeiro dia apareceu, às 20h15, no Hot Stage. Gene Simmons, lendário baixista e vocalista do Kiss, que encerrou as atividades em dezembro do ano passado, trouxe um show mais simples ao lado da sua Gene Simmons Band, que não fazia shows desde 2018. Gene viu na sua banda solo a melhor maneira de continuar fazendo shows, mesmo que não seja de forma esporádica. Sua voz ainda continua intacta comparado ao seu amigo, Paul Stanley, que nos últimos anos precisou recorrer ao temido playback. Gene, também, se sentiu mais à vontade para se comunicar e fazer graça diante do público, coisa que não dava para ele fazer quando usava maquiagem e roupas pesadas: dancinhas e outros tapinhas na bunda rendeu o cômico elogio de ‘bunda linda’.
Sem brincadeiras, foi um show muito do que o Kiss fez aqui em São Paulo nos dois últimos anos pela honestidade e de não precisar se submeter às correções tecnológicas. Só o setlist que me desapontou um pouco, pois esperava que os lados B do Kiss como Unholy, Domino, Charisma, Plaster Caster e entre outros fossem executados. “Parasite” e “Let Me Go, Rock ‘n’ Roll”, que o Kiss não tocava há um bom tempo, foram as surpresas ao lado de “Are You Ready”, música que nunca foi lançada em nenhum material. De resto, eram as mesmas músicas da última turnê do Kiss. “Detroit Rock City”, “Lick It Up”, “Love Gun” e “100,000 Years”, músicas as quais Paul Stanley cantava, foram interpretadas pelo guitarrista Jason Walker, que também cantou “Communication Breakdown”, do Led Zeppelin.
Além do Jason, a banda com o guitarrista Brent Woods – que já havia tocado cedo com o Sebastian Bach – e o experiente baterista Brian Tichy, que emprestou sua voz em “Ace Of Spades”, do Motörhead, em homenagem ao saudoso Lemmy Kilmister. Para cantar “I Was Made for Lovin’ You”, Gene convidou Mariana Kassin, cantora brasileira com forte influência de música pop e soul music. O encerramento com o “Rock and Roll All Nite” teve a presença de várias garotas no palco, chamado pelo próprio Gene. Um ótimo início de festival, marcada por apresentações inéditas e históricas. Nenhuma queixa quanto a organização, pelo contrário. Tudo dentro dos conformes e sem nenhuma reclamação ouvida, só mesmo a questão do dia, que impediram muitos de terem devido a compromissos profissionais.
Por Gabriel Arruda; Fotos: Patrícia Patah
Dia 2 – 27/04/2024
O segundo dia do Summerbreeze começou cedo com a poderosa Nervosa abrindo os shows no Ice Stage, um dos palcos principais do evento. Forbidden foi escalado como a primeira atração internacional do dia, abrindo os trabalhos no Hot Stage, o outro main stage do festival. Muito sol, calor e som alto desde o começo do dia marcaram a tarde inteira do evento, que contou também com os alemães do Gamma Ray e a força bruta do Korzus, lembrando que os brasileiros estão comemorando 40 anos de carreira com a ilustre presença do ex-integrante Silvio Golfetti na guitarra.
Além dessas, o segundo dia também foi marcado pela estreia dos suecos do The Night Flight Orchestra em terras brasileiras, e surpreendente o alto nível da apresentação e da recepção do público, mesmo debaixo de um sol escaldante no devidamente nomeado Sun Stage.
Antes deles, o Lacuna Coil tomava conta dos palcos principais e do ânimo do grande público já presente no Memorial da América Latina. A sequência contava com os hinos épicos do Hammerfall, conduzindo cantos e punhos para os céus do começo ao fim. O grande desafio deste dia foi decidir entre os shows do Epica e Dark Tranquillity, os dois agendados para começar exatamente ao mesmo tempo. Uma pena que o tempo não permitiu que houvesse um intervalo entre início e término dos dois, possibilitando assim que os fãs pudessem aproveitar os dois shows.
Os suecos do Dark Tranquillity naturalmente tiveram um público menor à frente do seu palco, o que não impediu que fizessem mais uma apresentação avassaladora por aqui, com direito ao single novo The Last Imagination, presente no novo álbum de estúdio que será lançado em agosto. No Ice Stage e com grande público ao redor, o Epica, que já grande conhecido e querido da plateia brasileira, fez mais uma apresentação impecável, passando por vários clássicos da banda e até com direito a participação de Cristina Scabbia (Lacuna Coil) em Storm the Sorrow.
Prato cheio para os fãs de metal sinfônico, que ainda teriam o Within Temptation fechando a noite em alto estilo em um show surpreendente pela qualidade da produção de palco, iluminação, efeitos e principalmente o som. Paralelo ao Within Temptation, tivemos também o vocalista Jeff Scott Soto e sua trupe fechando os trabalhos do Waves Stage, quarto e último palco do evento.
Ao mesmo tempo, tivemos mais um estreante no Brasil, desta vez os alemães do In Extremo com seu folk metal dançante e marcante.
Por Pedro Pirani; Fotos: Patrícia Patah
Terceiro dia do Summer Breeze
O terceiro e último dia de Summer Breeze Brasil chegou no mesmo nível do que foi o dia anterior: público cheio e difícil locomoção para poder se descolocar para os palcos, principalmente o Sun Stage e o Waves Stage. Muitos acabaram tendo sufoco para chegar até a passarela que faz caminho para esses dois palcos. Um ponto a melhorar para a próxima edição.
Mas todo sacrifício valeu a pena, e por ser o último ato, a saudade batia no coração, já com as expectativas plantadas para a terceira edição, que vai acontecer nos dias 3 e 4 de maio do ano que vem. A maioria das bandas, voltadas mais para o Thrash Metal e Metalcore, deram conta do recado, maas teve coisas diferentes, que nem foi nos outros dois dias. O Eclipse foi a única que representou o Hard Rock, que começou bem o dia no Ice Stage, às 11hrs. Liderado pelo vocalista e guitarrista Erik Marteenson, que também faz parte do W.E.T., junto com o Jeff Scott Soto, e do Nordic Union, junto com o vocalista Ronnie Atkins, do Pretty Maids, o Eclipse é um dos nomes mais respeitados do gênero da atualidade ao lado do H.E.A.T., que esteve presente na edição do ano passado.
Da mesma forma que os seus conterrâneos, o quarteto, que também conta com Magnus Henriksson (guitarra) e os irmãos Victor (baixo) e Philip Crusner (bateria), conquistou alguns que não os conheciam e emocionaram os fãs de longa data com seu Hard Rock que une peso e melodia na medida certa. Músicas como “Saturday Night (Hallelujah)”, “Twilight”, “The Storm”, “The Downfall of Eden” e a clássica “Viva la Victoria”, agitou o bom público. Às 12h05, o While She Sleeps, banda britânica de Metalcore, começou os trabalhos no Hot Stage para um baixo público.
Não sei se mais pessoas foram assisti-los, pois acabei indo procurar coisa para beber e comer para passar bem o dia. Eles já não são uma novidade por aqui, a última vinda ocorreu em novembro de 2022. O Waves Stage foi reservado apenas para as bandas brasileiras: os experientes Hellish War e The Troops Of Doom, as não tão novas John Wayne, Kyour e AXTY, e a revelação Santo Graal, que ganhou o concurso mencionado acima, foram as bandas escolhidas para tocar nesse palco, o mais simples de todo o festival. O Sun Stage também reuniu ótimas atrações, porém não deu para ver todas.
Conferi um pouquinho do Battle Beast, banda finlandesa que vem ganhando grande ascensão e que conta com uma das melhoras vocalistas femininas da atualidade, Noora Louhimo. Supertalentosa e com uma presença palco absurda, Noora também é dona de uma beleza surpreendente. Mas o meu coração raivoso me pediu para atravessar a passarela e conferir o show do Overkill. Assim como o Exodus no primeiro dia no Ice Stage, Bobby “Blitz” e companhia puseram ordem na casa com o seu Thrash raivoso, rápido e cheio de peso. Blitz, que já também não é mais um garotinho, controlou muito bem a sua voz característica embaixo do sol infernal. Todas as atenções foram direcionadas para o baixista David Ellefsson, ex-Megadeth, que acompanhou a banda durante toda a turnê latina, que foi encerrada justamente no Summer Breeze Brasil. D.D. Verni, infelizmente, não pode estar vindo por conta de estar se recuperando de uma cirurgia no ombro. O show reuniu bastante gente, sendo preciso fazer um esforço para poder pegar um lugar bom e apreciar clássicos como “Hello From the Gutter”, “Coma” e “Long Time Dyin’”, essa arrepiou os pelos do braço com os riffs provocantes que o Dave Linsk introduziu. E não poderia deixar, claro, de mencionar “Elimination” e “Rotten to the Care”, duas composições que apresentatam o Overkill para o mundo.
Pulando para o Hot Stage, o Avatar, outra banda vinda da Suecia, arrastou uma grande torcida para poder vê-los. Por que eu digo torcida? Além de fazerem um Heavy Metal visceral, eles também se caracterizam com roupas especiais (vermelho e preto) e rostos pintados, ou seja, vários foram ao festival com o mesmo figurino que os músicos usam, o que mostra que eles estão bem servidos de fãs aqui no Brasil. Este que vos escreve já teve a oportunidade de vê-los ao vivo na última vez que o Iron Maiden veio, em 2022, no Estádio do Morumbi (hoje MorumBIS). Mas dessa vez, eles fizeram um show um pouco mais completo.
O mais legal é que, a cada riff executado, os guitarristas Jonas “Kungen” Jarlsby e Tim Öhrström e o baixista Henrik Sandelin não se existam de mover os seus pescoços. Já o vocalista Johannes Eckerström encarna bem um dublador de filmes de terror, falando de diferentes formas com o público. Em “The Tower”, os fãs tiveram a genialidade de manter a popular roda, só que de forma mais lenta, como se todos estivessem fazendo trenzinho durante as melodias de piano, executadas por Johannes. Com certeza, um dos momentos mais geniais e inusitados da tarde.
Demais destaques ficaram para as conhecidas “Colossus”, “Smells Like a Freakshow” e “Hail the Apocalypse”. A minha última ida para o Sun Stage foi para assistir o Death Angel, outra grande lenda do Thrash Metal e que também trouxe um grande número de pessoas para vê-los. Afinal, fazia muito tempo que Mark Osegueda (vocal), Rob Cavestany e Ted Aguilar (guitarras), Damien Sisson (baixo) e Will Carroll (bateria) não nos visitava, e toda a espera valeu a pena quando desfilaram pedradas como “Lord Of Hate”, “Seemingly Endless Time”, o medley “The Ultra-Violence / Mistress of Pain” e “Thrown to the Wolves”. Foi gratificante, e também recompensador, sentir toda fúria das guitarras do Rob e do Ted, que para mim é a melhor dupla do subgênero ao lado do Alex Skolnick e Eric Peterson, do Testament; Mark Osegueda é um baita ‘front-man’, sendo a escolha perfeita do Kerry King, do Slayer, para assumir os vocais da sua banda solo. Mas quem merece todos os aplausos, não tirando o mérito dos demais, é o baterista Will Carroll, que ganhou uma nova força depois que foi curado da Covid-19, em 2020.
Na época, ele foi um dos primeiros músicos a ser diagnostico com o vírus, chegando a ficar em estado grave, inclusive. A noite reservou os dois melhores (e últimos) shows do dia no Ice Stage e Hot Stage. No primeiro palco, o Anthrax trouxe tudo do bom e do melhor: repertório impecável, ótimo visual de palco (com a capa do último disco, For All Kings, ao fundo), iluminação e performance. Um verdadeiro caos que deixou os fãs – que chegaram até ascender sinalizadores – ensandecidos com a energia do vocalista Joey Belladonna e a fúria do guitarrista Scott Ian, um dos melhores riffmakers do universo.
O show marcou o retorno temporário do baixista Dan Lilker, que não tocava com a banda há 40 anos e gravou apenas um disco, “Fistful of Metal” – “Metal Thrashing Mad” foi a única extraída desse álbum para o repertório. Mesmo não tendo a mesma técnica do Frank Mello, ele executou muito bem as demais músicas que surgiram após a sua saída, dentre elas “Among The Living”, “Caught in a Mosh”, “Madhouse” e “Keep The Family”. Em “I Am The Law” teve a participação do guitarrista Andreas Kisser, do Sepultura, o que era de se esperar, já que ele estava circulando o dia todo pelo festival. Enfim, o Hot Stage recebeu o show mais esperado desses três dias desde que foi feito o anuncio no começo desse ano, estou falando, é claro, do Mercyful Fate, que não fazia shows desde dezembro de 2022.
A banda, lidera pelo vocalista King Diamond, não vinha pisava no Brasil desde 1996 quando tocaram na terceira edição do festival Monsters Of Rock, que também teve a participação da banda solo do vocalista. A ansiedade para um ver dos nomes mais importantes da história do Heavy Metal mundial tomou conta desde cedo logo depois que abriram os portões, às 10hrs. Teve gente, acredite, que ficou desde essa hora na grade em direção ao Hot Stage só esperando a hora do tão aguardado show chegar. A maioria, com cara pintada e cartola na cabeça, era tudo gente nova.
Os que estiveram naquele show histórico no Pacaembu, em 1996, também marcou presença. Com as facilidades logísticas e tecnológicas que temos hoje, King Diamond dá ao luxo de trazer a sua invejável produção de palco, que faz alusão ao um templo satânico e vista logo que o backdrop gigantesco com o logo da banda veio abaixo, levando todo mundo ao êxtase e embestado com tamanho capricho e cuidado. Igual ao show do chile, não houve mudanças ou surpresas no setlist, que abrangeu músicas do “Melissa” e “Don’t Break the Oath” – os dois maiores clássicos da banda – entre eles “Curse of the Pharaohs” e “A Dangerous Meeting”, que todo fã de Heavy Metal precisa conhecer e ouvir, assim como as atemporais “Melissa” (que fez muita gente chorar de emoção), “Evil” e “Come to the Sabbath”, todas executadas num som perfeitamente alto, mas que deu para ouvir claramente. A banda, que conta com Hank Shermann e Mike Wead (guitarras), a novata Becky Baldwin (baixo) e Bjarne T. Holm (bateria), também mostrou todo seu valor perante o público.
Becky mostrou ser a escolha perfeita por substituir o experiente Joey Vera, o timbre foi sentido nos cinco sentidos humanos. Hank, o único da formação original ao lado do King, também chamou a atenção pelas suas habilidades na guitarra, onde a cada solo era jogado toda a luz do palco em sua direção. Muito já sabiam que o show do Mercyful Fate seria o melhor desta segunda (e já histórica edição) do Summer Breeze Brasil desde o começo com “The Oath” até o encerramento apoteótico com “Satan’s Fall”. Pena que não é um espetáculo que toda hora está por aqui, porque é um dos shows que todo mundo precisar ver antes de morrer.
Que o Summer Breeze Brasil continue se superando cada vez mais a cada edição. Enquanto a terceira edição não chega, vamos recarregar as baterias e darmos os palpites de bandas que vão estar tocando no ano que vem.
Por Gabriel Arruda

