Harakiri for the Sky em SP: review e galeria de fotos
O Harakiri for the Sky retornou a São Paulo com a turnê “Heal Me” após três anos de sua última vinda ao Brasil, realizando, no dia 7 de novembro de 2025, uma apresentação sólida na Burning House. Pontualmente às 21h30, o duo Michael “JJ” V. Wahntraum e Matthias Sollak iniciou o set com “Heal Me”, reafirmando desde os primeiros minutos a estética que consolidaram ao longo da última década: um post-black metal que combina agressividade controlada, atmosferas densas e uma entrega emocional direta.
Em seguida, com “Fire, Walk With Me” e “Funeral Dreams”, mantiveram o ritmo, com Sollak soando limpo até nas partes mais carregadas. Paul Färber sustentou tudo com uma bateria firme, enquanto Radek Karpienko apareceu mais presente do que nos discos, adicionando aquele peso emocional que o estúdio às vezes não captura.
Fotos: Thayná Gomes de Lima Ribeiro
O centro do show trouxe a parte mais afiada do repertório: “With Autumn I’ll Surrender”, “You Are the Scars” e “Sing for the Damage We’ve Done”. Nessa sequência, a banda mostrou completo domínio das dinâmicas, crescendo sem pressa, explodindo sem exagero, sempre naquele equilíbrio estranho entre agressividade e contemplação que eles dominam.
Na reta final, “Without You I’m Just a Sad Song” e “Homecoming: Denied!” sustentaram o clima sem grandes desvios. Após uma saída rápida do palco, o público começou a cantar o coro “Ô-lê, ô-lê, ô-lê, ô-lá, Harakiri”. O encore com “Keep Me Longing” e “Lungs Filled With Water” fechou o show com sobriedade. E então veio o momento que realmente quebrou o roteiro: em vez de uma despedida elaborada, JJ simplesmente terminou a última música no meio do público. Sem simpatia estratégica, sem teatralidade. Só ele, o microfone e os fãs ao redor, encerrando o show ali mesmo, como quem fecha um capítulo porque já disse tudo o que precisava dizer.
No conjunto, o Harakiri for the Sky entregou uma apresentação sólida, emocional na medida e tecnicamente muito bem amarrada. Não é a banda dos discursos nem das poses e talvez por isso o impacto ao vivo funcione tão bem. Eles sobem, tocam, deixam a música falar e saem, às vezes literalmente pelo meio do público.
Por Nathália de Araújo Brandão

