Review e galeria de fotos do Knotfest 2024, em São Paulo
19 e 20/10/2024
Allianz Parque, São Paulo
O Slipknot, banda de nu-metal formada em 95, é uma das maiores bandas de metal da história. A banda conseguiu um grande número de conquistas durante sua carreira, como alcançar um grande número de pessoas pelo mundo, vender mais de 30 milhões de álbuns mundialmente, ganhar um Grammy, e até criar o próprio festival, o Knotfest. O festival passou pelo Brasil para sua segunda edição nesse ano nos dias 19 e 20 de outubro, e trouxe diversas novidades. O festival ocorreu no Allianz Parque, o estádio do Palmeiras, e contava com dois palcos, o Knotstage, palco principal das bandas e artistas internacionais e o Maggot Stage, palco menor ao lado do principal, onde tocariam as bandas nacionais. Os horários dos shows estavam intercalando um artista internacional com um nacional.
Infelizmente, por conta de imprevistos, chegamos tarde no sábado, chegando logo após Meshuggah terminar seu show. A próxima banda a tocar foi a Project 46, banda nacional em ativa desde 2008. A banda teve muito carisma no palco, e conseguiu fazer todo mundo na pista cantar junto com eles durante as músicas. Em certos pontos, parecia que a plateia cantava mais alto que as próprias caixas de som. Tiveram alguns problemas técnicos com guitarras, mas continuaram o show, até que o Caio MacBeserra, vocalista da banda, pediu para abrir uma Wall of Death, que não deu em nada, pois tiveram o set cortado pela produção e tiveram que sair do palco.
Logo em seguida, no palco principal, subiu o Amon Amarth, banda sueca com temática viking. Desde a primeira música, “Guardians of Asgard”, diversos moshs se abriram, e diversas pessoas começaram a pular e se empurrar, impossibilitando o público da pista de ficar parado durante o show. Pela metade do show, tocaram a “Put Your Back Into the War”, a música famosa pela “remada” que o público normalmente faz. Por fim, na música “Twilight of the Thunder God”, trouxe o Mjölnir para o palco, assim finalizando seu show, que foi uma das apresentações mais animadas, chegando a parecer o segundo headliner do dia, logo atrás dos donos do festival.
Voltamos, então, para o palco Maggot, para ouvir Krisiun, com seu death metal nacional. O show começou animado, cheio de rodas, mas após 5 músicas, tiveram que sair do palco para a próxima banda. Moyses ainda tentou falar com o público, mas já haviam desligado seu microfone. Durante o show do Krisiun, a atenção já estava voltada para o palco principal, onde o povo se preparava para ver Mudvayne, banda de nu-metal que se apresentou pela primeira vez no Brasil neste Knotfest.
Abriram o show com “Monolith”, que já fez o público cantar e pular. As pessoas presentes se aproveitaram dos pulos para começar a tentar empurrar seu caminho até as grades, até que Chad Gray, o vocalista, teve que pedir para o público se afastar e dar mais espaço, para ninguém ser esmagado. Porém, por mais que o público tivesse animado, não estavam tão agitados quanto em outros shows do dia (talvez por vergonha, depois do aviso do Chad Gray), como o já citado Amon Amarth. Foi o único show do dia enquanto estávamos lá que chegou a usar pirotecnia e fumaça para o show. O baterista Matthew McDonough e o guitarrista Marcus Rafferty pintaram seus rostos com as cores e bandeira do Brasil, para celebrar a passagem pelo país. O som estava um pouco abafado em certas áreas, mas, mesmo assim o público cantava junto, especialmente nas duas finais “Happy?” e “Dig”, que fecharam seu set.
A banda que tocou em seguida foi Ratos de Porão, banda de punk nacional famosa, e a mais deslocada no estilo musical. Porém, o show contou com um imprevisto técnico, e as luzes do seu palco não funcionaram durante o show. A primeira metade foi tocada completamente no escuro, até que acenderam as luzes dos holofotes laterais para utilizar como iluminação do palco. Isso não impediu o RDP, especialmente Juninho e João Gordo de tocarem animados, e não impediu também o público de criar moshs e curtir o som da banda.
Após o show do Ratos, a plateia já se empurrava e ajeitava no Knotstage para assistir aos grandes nomes das duas noites, Slipknot. Enquanto esperavam, o estádio inteiro gritava em coro “Eloy! Eloy!”, baterista brasileiro que entrou recentemente na banda. Então, começou a tocar nos alto-falantes, “For Those About to Rock (We Salute You)”, do AC/DC, anunciando que o show estava pra começar, seguido pela faixa “742617000027”, também nos alto-falantes. Subiram ao palco ao som de “(sic)”, seguido por “Eyeless”. A banda entrou no palco uniformizada com os macacões vermelhos, temáticos do primeiro álbum. A máscara de Corey Taylor, vocalista, contava com luzes vermelhas nos olhos, de forma que, quando as luzes se apagavam, era possível de se ver os olhos dele encarando a plateia, quase como um filme de terror.
As setlists do Slipknot nos dois dias do festival eram diferentes, e a do sábado era a de Greatest Hits. Tocaram clássicos como “The Devil In I”, “Before I Forget”, e “Psychosocial”, e não teve uma música em que o povo não animava, tendo bastante pulos e empurrões durante o show. Após “Custer”, houve uma pequena pausa onde os membros da banda saíram do palco, para retornar um pouco depois com as outras máscaras, enquanto começavam a tocar “Prosthetics”. Na sequência tocaram “Vermillion”, e saíram para fingir que o show acabou. Após alguns minutos, Corey retorna ao palco, e anuncia que vão tocar mais algumas músicas, começando por “Duality”. Na sequência, tocaram “Spit it Out” e encerraram com todo mundo levantando o dedo do meio ao som de”Surfacing”. O Slipknot conseguiu manter o seu público, e entregou um show de qualidade, finalizando a primeira noite com chave de ouro.
O segundo dia do Knotfest abriu com a banda brasileira The Monic, banda que já está em ativa desde 2017, tocando um som que conta com uma pegada de rock de garagem. Abriram o show com “Sabotagem”, e de cara já tivemos os primeiros moshs do dia. No meio do show, chamaram a Yasmin Amaral do Eskrota, que tocou no dia anterior, para tocar “TDA” com a banda no palco. Logo em seguida, chamaram a MC Taya para tocar “Bitch, eu sou incrível”. Finalizaram o show com “Kamikaze”, onde a banda com certeza conquistou a novos fãs.
O Knotstage foi iniciado no segundo dia pela cantora de metal experimental, Poppy, que pega elementos de estilos como Pop e Nu-Metal e faz uma combinação intrigante. Foi sua primeira passagem pelo país, e por mais que tenha sido um dos artistas menos conhecidos do festival, conseguiu cativar bem a plateia desde o início, quando abriu o show com “Bloodmoney” e “V.A.N.”, música gravada com o Bad Omens.
Por mais que interagisse pouco com o público, seus vocais calmos misturados com gritos agressivos, bem como sua banda de apoio talentosa, conseguiu entregar um show que agradou a maioria ali presente, que gritava seu nome até finalizar o show com “Concrete”. Seu show acabou um pouco mais cedo do horário previsto, dando uma pausa maior até o próximo show iniciar no Maggot Stage. Então, no horário previsto, Papangu subiu aos palcos. A banda toca uma mistura de metal, progressivo e músicas típicas brasileiras, e tinha uma boa quantidade de fãs presentes no palco do seu show. Chamaram o João Kombi do Test para tocar “Maracutaia” com a banda.
Após finalizarem seu set, o público se voltou para a atenção para o palco principal, onde se iniciaria P.O.D. P.O.D., banda de nu-metal de São Francisco, conseguiu incendiar a plateia, bem como ser a única banda do dia a usar de efeitos pirotécnicos. Devido a problemas de tempo, tiveram que cortar uma das músicas do set, deixando a plateia decidir qual queriam ouvir, que escolheram “Southtown”. Durante a música, a pista mostrou o motivo de terem escolhido aquela música, sendo a mais agitada de todo o set. Para finalizar, tocaram “Alive”, e saíram do palco agradecidos. Ao lado, começavam as preparações para Korzus, grandes representantes do metal brasileiro. Por mais que tenha sido um set curto, foi bastante agitado e caótico. Após isso, no Knotstage, ocorreu o início de outra estreia em território nacional, Babymetal. A banda, do estilo denominado Kawaii metal, começou com a música “BABYMETAL DEATH”, e de cara era possível ver quem conhecia antes a banda ou não, pois os fãs faziam as coreografias em conjunto com as integrantes.
O som durante a apresentação não era dos melhores, mas não atrapalhou em nada o divertimento dos que estavam presentes. Por mais que seja um estilo fora do esperado do Knotfest, elas conquistaram vários novos fãs, por conta de oferecer algo diferente do que estavam acostumados e possuírem um show bem animado. Finalizaram o show agradecendo em português a plateia, e se retiraram. Em seguida, começou o show da Seven Hours After Violet, banda projeto paralelo de Shavo Odadjian, baixista do System of a Down. A banda foi fundada esse ano, e tiveram um álbum lançado. Já haviam conquistado o público, até que, no final do set, trouxeram uma surpresa pra todos. Shavo chamou John Dolmayan, baterista do SoaD para o palco, e finalizaram o show com um cover de “Prison Song”, deixando todos animados para uma apresentação do System completo no Brasil. Em seguida, Till Lindemann, vocalista do Rammstein, entrou no palco com sua banda solo, tematizada com um estilo mais voltado para o bdsm. Seu show inteiro contou com uma pegada mais sexual, com as danças sensuais e até uma música sobre “Golden Shower”.
De vez em quando, os membros da banda derrubavam coisas no chão para que uma pessoa toda revestida de couro, submissa, fosse arrumar o palco para eles. O show inteiro, porém, foi censurado (provavelmente pela quantidade de jovens presentes), e o telão, que normalmente mostra diversos vídeos bem gráficos sobre as letras sexuais de Lindemann, apenas aparecia a palavra “censurado”. Suas músicas que finalizaram o show foram “Entre dos Tierras” dos Héroes del Silencio e “Ich Hasse Kinder”. Em sequência, começou o show de Ego Kill Talent, banda de São Paulo de hard rock, com uma pegada alternativa. A banda estava muito agradecida de estar presente no Knotfest, e estavam realmente tendo uma conexão com o público, mas infelizmente tiveram seu set incompleto. Mesmo assim, o público agitou com sua apresentação até a finalização com “Last Ride”. Então, mais uma estreia em nosso país, Bad Omens, banda de metalcore, iniciou seu show com “Concrete Jungle”. O show do Bad Omens foi o mais animado de toda a noite tirando o próprio Slipknot, e foi o melhor tecnicamente falando, com efeitos e visuais incríveis, e a utilização de fumaça durante a apresentação. Convidaram a Poppy para cantar “V.A.N.” pela segunda vez no dia, só que dessa vez com todos presentes e cantando juntos. O show contava com diversos visuais e vídeos de monólogo que acompanhavam as músicas.
Destaques vão para “Glass Houses” e “Just Pretend”. Por fim, encerraram “Dethrone”, com toda a plateia cantando em coro. Para encerrar as atividades do Maggot Stage, Black Pantera subiu ao palco, com seu som meio crossover. Toda a pista cantava e interagia com a banda, se tornando o show de banda nacional mais animado do festival inteiro. Contaram com o “Mosh das mina”, o estádio inteiro pulando ao som de “Fogo nos Racistas” e todos acendendo as luzes dos celulares para cantar “Tradução” em homenagem a todas as mães do mundo, que se esforçam para dar uma boa vida à seus filhos. Finalizaram com “Boto pra Fuder”, aos gritos de todos. Então, finalmente, chegou a hora do Slipknot, com seu setlist voltado ao álbum de estreia.
O público continuava com a mesma animação do dia anterior, mas, dessa vez, a banda em si parecia bem mais animada, como se estivessem com mais vontade de tocar naquela noite de domingo. Após algumas músicas, Corey deu boas vindas a todos enquanto voltávamos para 1999, e continuaram com o set brutal. Algumas músicas que valem a pena ser destacadas são “Liberate”, “Purity”, “Prosthetics” e “Only One”. Levantaram a bandeira do Brasil com o logo da banda duas vezes durante o show, que levou a galera a loucura. No bis, tocaram novamente “Spit it Out” e “Surfacing”, mas, nessa noite, finalizaram o show ao som de “Scissors”, e realmente não existia jeito melhor de finalizar a noite. Corey trouxe a bandeira do Brasil com o logo da banda, Eloy Casagrande conseguiu fazer seu solo de bateria, enquanto Michael Pfaff e Shawn Crahan animavam o público com suas percussões e correrias pelo palco.
Terminaram a noite extremamente agradecidos, e dizendo que estavam felizes de estar ali. E assim, se encerrou o Knotfest de 2024. Em si, o Knotfest é um bom festival, mas contou com problemas de controle de público, com diversas pessoas sendo esmagadas e pisoteadas pelos mais desrespeitosos que estavam na pista. Também ocorreram diversos problemas de som e luz durante os dias, que poderiam ter sido melhor trabalhados. Mas, em geral, o festival é muito bom, especialmente pelo lineup, que conta com artistas mais diferenciados e sempre traz um headliner de peso, que é o próprio Slipknot.
Por Eduardo Santos; Fotos: Divulgação

