Tygers of Pan Tang com Comando Nuclear e Azul Limão em SP: review e fotos
Se não podemos ir para o Reino Unido em uma máquina do tempo, então o Reino Unido vem até nós, diretamente dos anos 80 com uma de suas feras indomesticáveis, em sua turnê “South American Roar 2026”, com passagem também pelo Paraguai, Argentina, Chile, Peru e Colômbia.
Sexta feira (29/05/2026), noite fria e cinzenta, como uma Londres de 1981, clima perfeito para um revival memorável de uma das lendas vivas da revolucionária N.W.O.B.H.M., com seu felino mais feroz, que ainda continua selvagem e rugindo, e não precisando de uma bengala.
O triunfo do aço será celebrado na casa La Iglesia em Pinheiros, São Paulo, local de médio porte onde tem ocorrido muitos capítulos de nossa história.
Turnê idealizada pelo Fabrício de Fortaleza (CE), e sua produtora (Underground Produções), com três datas no Brasil, em São Paulo (capital), e na já rota de bandas, Limeira, no interior de São Paulo.
A banda inglesa que além de sexta, também se apresentou no sábado, e teve “sold out ” dos ingressos em ambos os dias.
A abertura ficou a cargo da já lendária e tradicional Comando Nuclear aqui de São Paulo, e da não menos lendária Azul Limão do Rio de Janeiro.
Com início às 20h, o Comando Nuclear inicia a reverência ao aço com “Corrompidos pelo Ódio”, e “Princesa Infernal”, ambas de seu segundo álbum “Guerreiros da Noite”, de 2011.
Casa quase cheia, para um público que ia chegando aos poucos.
A banda se impunha com seu Heavy Metal tradicional em português, como símbolo de resistência e nostalgia, nos remetendo da melhor forma as coletâneas SP Metal 1 e 2, e o primeiro período do Heavy Metal de nossa história (1982-1985).
Não apenas no som mas também no visual, atitude e sentimento de época.
Seguem com “Caçada Mortal aos Falsos”, de seu primeiro álbum “Batalhão Infernal” de 2006, onde o título da música, já diz tudo.
A rápida “Guerreiros da Noite”, do álbum de mesmo nome. Um verdadeiro hino do Headbanger paulista, quiçá brasileiro.
Uma grande surpresa no show, estréia de uma música nova intitulada, “A Chama” de seu próximo álbum em fase de produção. E que pela faixa executada, podemos afirmar que a mesma está mantendo a linhagem da banda, capitaneada por Rodrigo “Exciter” Bersogli (baixo), e Ron Cygnus (vocal), junto de seu batalhão composto por Lucas Milanez (bateria), e Anderson Paes e Regis “Rex” nas guitarras.
A “quase” censurada “Ritual Satânico” dando sequência a esse verdadeiro ritual metálico, levando os presentes ao “banging”.
Momento mais esperado do show, com um dos maiores hinos do Metal brasileiro “Resistir”, cantada por todos presentes, trazendo de volta toda a magia do passado que só o Heavy Metal como música e estilo de vida, pode nos proporcionar, um verdadeiro hino de união e luta, onde o Metal é a trilha sonora de nossas vidas e batalhas diárias.
“Unidos pelo Metal” dando sequência, fechando com a faixa que dá nome a banda “Comando Nuclear”.
45 minutos de show, que apesar da energia da banda e público, teve o som bastante prejudicado pelo amadorismo (ou falta de ouvido), de quem tava operando a mesa de som.
Extremamente alto e saturado, algo perceptível para todos os presentes ali, menos para quem realmente deveria.
Enfim… Deixando a casa aquecida para a próxima banda, a instituição carioca “Azul Limão”, que celebra os 40 anos de seu primeiro álbum “Vingança” de 1986, que foi tocado na íntegra (e na ordem).
Banda capitaneada pelo único membro original, o guitarrista Marcos Dantas, desde sua fundação em 1981.
Inicia-se o show com a faixa de abertura “Portas da imaginação”.
Seguida por um dos hinos máximos do Metal nacional, “Satã clama Metal”, com o refrão entoado por todas as almas rebeldes presentes nesse grande evento.
A linguagem do Underground dos anos 80 que ainda vive… Existe… E resiste!!!
Seguindo a sequência original do álbum, a música “Sangue Frio” é anunciada.
Com a casa cheia prestigiando os heróis cariocas do aço.
A quase Speed “Fora da Lei”, com André Delacroix, da também lendária Metalmorphose arrebentando tudo na bateria.
Anunciada então, a música que lançou a banda no Rio de Janeiro, e em todo território nacional na metade dos anos 80, “Não vou mais falar”, com sua mensagem mais que atual e atemporal.
Tocada em exaustão na época na Rádio Fluminense FM, a Maldita.
O vocalista Renato Trevas, apresenta o baixista da banda, Laercio Rocha, que da início a épica “O Grito”. Lenta e poética.
A animada “Você não faz nada”, mantendo a energia do show com uma galera presente, que vibrava junto em uma sintonia única, gritando em couro o nome da banda que finalizava sua grande apresentação com a faixa que leva o nome do disco em comemoração “Vingança”.
40 minutos de apresentação, deixando todos em puro êxtase para a grande atração da noite.
E a jaula dos tigres é finalmente aberta!!!
Em uma releitura da primeira fase da banda, ainda com Jess Cox nos vocais, um dos cabeças da lendária Neat Records em sua reformulação, selo que amaldiçoou o submundo metálico, com o revolucionário “Venom”, entre outros bastiões da música pesada inglesa, os tigres britânicos iniciam seu set com “Euthanasia”, faixa que abre seu álbum de estréia de 1980, intitulado Wild Cat.
Seu atual vocalista, o italiano Jacopo “Jack” Meille, na banda desde 2004, se encaixa melhor nas músicas dessa fase mais Rock’ n’ Roll do primeiro álbum, ao meu ver, mas tem versatilidade o suficiente para ter criado uma nova fase nessa banda lendária.
Dando sequência com a empolgante “Gangland”, do clássico segundo e mais popular álbum da banda, “Spellbound” de 1981, coverizada por muitos grupos, como o gigante Kreator.
Provando se tratar de um hino forte e resistente ao tempo, e que influenciou gerações.
Dando sequência com “Keeping me Alive”, do álbum “Ambush” de 2012 e “Back for Good” do álbum Bloodlines de 2023.
O mais novo single da banda é anunciado, a faixa “Electrifyed”, com toda aquela essência e magia perdida (porém não esquecida), do Metal inglês.
Robb Weir, o único membro original da banda, mostra ser a verdadeira resistência inglesa que mantém o tigre vivo e sempre faminto por Rock’ n’ Roll.
Muito bem acompanhado pelo mais recente membro, o inglês John Foottit na outra guitarra, além da cozinha de Craig Ellis (bateria), e Huw Holding (Baixo), além do já citado vocalista Jacopo Meille.
Prosseguem o show com “Only the Brave”, seguida por “White Lines”. Voltando ao debut Wild Cat, com a clássica “Slave to freedom”. Cabeças balançando e corações pulsando em ode ao genuíno Metal inglês.
O cover bem sucedido de “Love Potion nº 9”, gravada no álbum The Cage, de 1982, da sequência a aula de N.W.O.B.H.M, remetendo os mais velhos presentes, aos áureos tempos de Fúria Metal da saudosa MTV Brasil da década de 90, onde o clipe da mesma, passava em exaustão.
Ápice do show com “Hellbound”. Hino máximo!!!
Emocionando a alma desse que vos escreve, e honrando o passado da banda, que já teve gigantes como John Deverill (vocais), e o saudoso John Sykes (guitarra).
A galera pede bis e a fera atende ao chamado dos selvagens e retorna com “Love don’t Stay”, do comercial e ótimo Crazy Nights de 1981.
E pra encerrar o show com o gran finale, a banda toca “Suzie Smiled”, com toda a dose de inocência e sentimento genuíno, de uma época imortal e eterna da música pesada, aprisionadas nessa música e levando todos para um passado não muito distante, mas jamais esquecido. Mesmo por aqueles que nunca o viveram, mas que tem a possibilidade de senti-lo, através da arte de bandas como o Tygers of Pan Tang, que ainda existem e resistem até os dias atuais para a nossa alegria e devoção ao aço!!!
Texto/fotos: Igor Lopes




































