Uma noite inesquecível com Katatonia em SP: review e fotos
15/11/2024
Carioca Club, São Paulo-SP
A noite de 15 de novembro de 2024 marcou os fãs de Katatonia em São Paulo, com a banda sueca retornando ao Brasil para um show inesquecível no Carioca Club, iniciado pontualmente às 21h. Mesmo como quarteto, a banda entregou um show de altíssimo nível, superando a performance de 2023 no mesmo local, em uma verdadeira noite de reparação.
Esta foi a quarta apresentação deles em São Paulo, fortalecendo ainda mais sua conexão com os fãs brasileiros. A expectativa era alta, especialmente diante das incertezas sobre a formação atual. Anders Nyström ‘Blakkheim’, peça central na história da banda, novamente não participou da turnê, e até agora, a banda não esclareceu se sua ausência é temporária ou se de fato foi uma saída definitiva. Mesmo assim, Jonas Renkse (vocal), Niklas Sandin (baixo), Daniel Moilanen (bateria) e Nico Elgstrand (guitarra), conhecido por seu trabalho no Entombed / Entombed A.D., substituiu brilhantemente os ausentes. Elgstrand, que já havia tocado com a banda em outras ocasiões, preencheu o espaço deixado por Anders e Roger Öjersson (que se ausentou por motivos de saúde), garantindo uma performance fiel à essência do Katatonia. Porém, o público ainda especula bastante sobre os reais motivos do afastamento de ‘Blakheim’ já que durante seu período de ausência nas turnês do Katatonia ele permaneceu viajando com o Bloodbath. Será???
O setlist foi um passeio pelas melhores fases da banda, equilibrando nostalgia com faixas mais recentes. Iniciaram com duas músicas seguidas do disco mais recente, Sky Void of Stars (2023), “Austerity” e “Colossal Shade”. “Opaline”, “Birds”, e “Atrium” também fizeram parte do set em momentos distintos, todas carregadas de muito peso e sentimento.
O aclamado The Great Cold Distance (2006) marcou forte presença com “Deliberation”, “Leaders”, “Soil’s Song”, “My Twin” e “July”, levando o público a um mergulho profundo em sua sonoridade mais densa e emocional, muitas vezes sendo possível ouvir em alto e bom som a voz da plateia. Já de Night Is the New Day (2009), “Forsaker” e “Onward Into Battle” brilharam, mantendo a atmosfera introspectiva que permeou o show.
De outros momentos importantes da discografia, Dead End Kings (2012) trouxe “Lethean”, enquanto, para a surpresa do público eles também tocaram “For My Demons” do álbum Tonight’s Decision (1999), mais uma vez, a voz da plateia visivelmente emocionada cantava junto. Ainda, Viva Emptiness (2003) foi representado com as marcantes “Criminals” e “Evidence”, e The Fall of Hearts (2016) contribuiu com a belíssima “Old Heart Falls”.
Apesar de um rico setlist, senti bastante a ausência de músicas das fases iniciais. Embora essas eras sejam revisitadas com menor frequência nos shows atuais, incluir ao menos uma ou duas faixas dessas raízes death/doom metal teria sido um presente inesquecível para os fãs mais nostálgicos.
A atmosfera do show, no entanto, compensou qualquer ausência. Comparado à apresentação de 2023, o clima estava muito mais envolvente, com a banda mais vibrante e conectada ao público. Jonas Renkse esteve particularmente inspirado, mostrando domínio vocal e uma entrega capaz de emocionar, além da presença marcante de Sandin, que se manteve durante todo o show sempre agitando muito e incentivando a participação do público.
Este show foi capaz de representar muito bem a habilidade que a banda teve de se reinventar ao longo das décadas. Com uma trajetória marcada por reinvenção e consistência artística, desde suas origens no death/doom metal até a transição para um som mais atmosférico e melódico, a banda passou por mudanças significativas em sua formação e estilo, sem nunca perder sua essência melancólica e introspectiva. Mostraram que sua música é atemporal e transcende barreiras, entregando um espetáculo que reafirma sua relevância no cenário mundial. O Katatonia segue sendo uma referência indispensável no metal progressivo moderno, encantando fãs ao redor do mundo.
Texto/fotos: Jaqueline Souza

