Johnny Christ: Tocar no Rock in Rio foi ápice do Avenged Sevenfold
No episódio de fim de ano do “Drinks With Johnny”, o programa de TV na Internet que ele apresenta há cinco anos, o baixista do AVENGED SEVENFOLD, Johnny Christ, refletiu sobre as atividades da banda ao longo dos últimos doze meses: “Bandas de hard rock aqui nos Estados Unidos, fora o METALLICA e mais algumas, você não as considera realmente como da ‘primeira linha’, celebridades, em que você anda por aí e as pessoas ficam tipo, ‘Caramba, preciso ir cumprimentar essa pessoa.’ Bem, em Jacarta, é assim para nós em todos os lugares, o que imagino que atores e afins [experimentam também”, continuou ele. “Andamos por aí e temos pessoas nos seguindo e tudo mais. E sempre foi assim lá, por qualquer motivo. Nós amamos isso, e é algo bem incrível. Mas, quando você fica longe de um lugar por tanto tempo, não sabe como será ao voltar. E quando voltamos, era ainda maior do que antes. Quero dizer, Zack [o guitarrista Zacky Vengeance] foi para Bali logo depois para umas férias rápidas já que estávamos por lá, e ele disse que, mesmo em Bali, em todos os lugares que ele ia, nossos clipes estavam sendo exibidos em todas as TVs e tudo mais. E não era algo preparado para ele. [Risos] É apenas um lugar diferente para nós. E eu sou muito grato e fico muito feliz por termos um desses lugares no mundo. O Brasil é outro lugar assim para nós também.”
“Acho que a culminação de tudo neste ano, para mim, foi o 40º aniversário do Rock In Rio em setembro, que foi inacreditável. Foi muito legal reconectar com os fãs brasileiros e apenas fazer parte do Rock In Rio.”
Johnny disse: “Cresci ouvindo álbuns ao vivo e performances ao vivo do Rock In Rio de algumas das minhas bandas favoritas. IRON MAIDEN, provavelmente um dos mais famosos. Mas, mesmo antes de me tornar músico, é algo de que você já ouviu falar e conhece. Anos atrás, fizemos o show de abertura para o IRON MAIDEN no Rock In Rio, e só de ver como aquilo era, minha mente explodiu, acho. Cara, eu devia ter uns 23, 24 anos na época, e parecia algo gigantesco. E então voltar e fazer o 40º aniversário, ser o headliner e esgotar a nossa data…”
“Em vários momentos da minha carreira me perguntaram: ‘Quando foi que você sentiu que tinha conseguido alcançar algo ao longo dos anos?’ E eu nunca tive uma boa resposta para isso — nunca mesmo. Houve vários momentos em que eu poderia dizer: ‘Ah, esse foi um grande salto.’ ‘Bat Country’ no ‘TRL’. Posso voltar até ‘Unholy Confessions’ sendo tocada no ‘Headbangers Ball’, que foi algo enorme. METALLICA nos levando pela primeira vez. De novo, há várias coisas que eu poderia apontar como grandes passos em nossa carreira, mas nunca em nenhum desses momentos eu meio que pensei: ‘Ah, realizei meu sonho,’ até fazermos o Rock In Rio. E estou sendo 100% honesto. Tudo se alinhou de forma muito estranha para mim nisso. É o 40º aniversário. Eu estava completando 40 anos naquele ano. Conheci o cara que criou o Rock In Rio em 1984, pouco antes de eu nascer, em setembro, e consegui conversar com ele sobre todos os diferentes anos que ele esteve fazendo isso e todos os diferentes artistas e tamanhos de público. Quero dizer, lá nos anos 80, eles não tinham as regulamentações que têm agora para fazer shows. Então, tinham nove milhões de pessoas na semana — tipo, 300 mil pessoas por dia. E agora, com todas as regulamentações e escalas, acho que o limite é de cem mil. Com alguns extras, deu algo em torno de 125 mil pessoas lá. Ainda é enorme — não me entenda mal — mas quando você pensa nisso e naquele caos que deve ter sido quando começaram a fazer isso. Eles não tinham a infraestrutura para essa coisa toda, mas ele apenas seguiu em frente e eu amo isso. E ele construiu algo gigantesco… E é uma grande marca no Brasil. E ver esse crescimento novamente é algo realmente humilde, de verdade. Poder ser o headliner do 40º aniversário de um festival tão cobiçado no mundo, esgotar os ingressos, tocar para tanta gente, sentir a alegria e o amor que estavam lá, tudo sobre isso foi tão humilde e tão incrível. E mesmo no momento — eu estava tão feliz, comemoramos depois, nos divertimos muito, e só quando voltei para casa eu pude finalmente responder àquela pergunta e dizer que foi o Rock In Rio. Foi quando assisti novamente à nossa performance. Todos recebemos o stream. O stream foi transmitido para o mundo, principalmente para o Brasil ou algo assim. Então, dois dias depois, eu pude assistir sozinho e tive lágrimas de alegria, de verdade, enquanto assistia. Nunca tinha passado por isso na vida. Já assisti a várias performances nossas antes. Tive muitas emoções misturadas. Eu estava aqui mesmo, neste quarto, assistindo na tela do meu computador ou na tela do meu estúdio. Tenho coisas do The Rev [o falecido baterista do AVENGED SEVENFOLD, Jimmy ‘The Rev’ Sullivan] aqui. Acho que você pode ver a guitarra aqui e meus pôsteres, e eu ainda mantenho todas as coisas do Rev neste quarto em que eu estava assistindo. Então, eram muitas emoções misturadas também, porque, enquanto eu percebia que estava vivendo meu sonho de infância e que isso era insano, ainda estava sentindo falta do meu melhor amigo, meu irmão mais velho, meu mentor. Muitas emoções misturadas nisso, mas ainda assim, alegria extrema foi o que senti. E humildade ao mesmo tempo, só de pensar: ‘Caramba.’ Foi um momento estranho, estranho quando assisti aquilo. Eu estava muito emocionado. E foi exatamente o que eu precisava naquele momento. Como disse, [tive] lágrimas de alegria, só de saber que… finalmente me coloquei nessa perspectiva e pensei sobre quando eu era criança, no que eu imaginava ser músico. É realmente o que eu estava tentando fazer. E essa experiência e tantas outras, sendo honesto, superaram essas expectativas tantas vezes.”
“Sou muito grato e, ao mesmo tempo, nunca me permiti dizer algo como: ‘Uau, estou vivendo meu sonho de infância,'” ele continuou. “Mas estou. Desde que me lembro, sabendo o que queria fazer, era ser um artista e estar na música, e é isso que faço para viver. E isso é bem insano. E não só isso — faço isso em um nível que me permite tocar no Rock In Rio no seu 40º aniversário. Também parecia que as estrelas estavam se alinhando e todas as moedas da minha vida estavam caindo no lado certo em setembro. Foi realmente surreal, pessoal. Essa foi outra coisa. Assistindo àquele show, sentindo falta do Jimmy, sentindo a alegria do reconhecimento pessoal e do valor próprio, e vendo meus irmãos lá no palco comigo e percebendo esse aspecto também.”

