Wacken Open Air 2025: review exclusivo e galeria de fotos
O Wacken Open Air 2025 provou mais uma vez por que é considerado um dos maiores e mais emblemáticos festivais de metal do mundo. Esta 34ª edição foi marcada por uma programação estelar e, como já é costume, pela persistência das condições climáticas adversas, transformando o “Holy Ground” em um campo de lama e lodo que, para muitos, é parte da experiência em Wacken.
Mais uma vez, a lama foi uma protagonista inevitável do festival. As chuvas intermitentes durante vários dias transformaram o local em um autêntico pântano, dificultando o deslocamento entre os palcos e pondo à prova a resistência dos “metalheads”. No entanto, longe de desanimar os presentes, esse fator climático se tornou um elemento distintivo de Wacken. As crônicas relatam que, apesar das dificuldades, o bom humor e a camaradagem prevaleceram, demonstrando a união que caracteriza a comunidade do metal.
A edição de 2025 girou em torno da exploração espacial: uma réplica do foguete europeu Ariane 6 se erguia ao lado do icônico crânio de touro no palco principal. Um “Space Camp” também foi criado, com a presença do astronauta alemão Alexander Gerst, que ministrou uma palestra intitulada “Un viaje al espacio” e confirmou, emocionado, que o festival pode ser visto até mesmo da Estação Espacial Internacional.
Guns N’ Roses fez história ao oferecer o show mais longo da história do festival: mais de duas horas que começaram por volta das 20h35 e se estenderam até quase meia-noite. Além disso, eles fizeram uma emocionante homenagem a Ozzy Osbourne, que faleceu em julho, tocando covers de Black Sabbath como “Sabbath Bloody Sabbath” e “Never Say Die!”. O público, entusiasmado, viveu um momento inesquecível.
Papa Roach foi o grande vencedor desta edição de 2025; não foi à toa que a banda que mais público reuniu. Fogo, pirotecnia, constantes “crowdsurfers” e coros massivos em hits como “To Be Loved”, “Getting Away With Murder”, “Scars”, “Between Angels and Insects”, e o hino “Last Resort”.
A banda Gojira, liderada pelos irmãos Joe e Mario Duplantier, ofereceu uma atuação tecnicamente impecável e visualmente impactante. O som foi descrito como “brutal” e “devastador”, com Mario Duplantier demonstrando sua já lendária habilidade com o bumbo duplo. A produção do palco, com múltiplas telas, complementou perfeitamente a energia da música. A banda mostrou-se consciente do momento, com Joe Duplantier reconhecendo que tocar naquele palco àquela hora era um “marco” para eles. Destacou-se especialmente a inclusão do cover de Black Sabbath, uma homenagem à banda que formou o pilar do heavy metal, e a emocionante interpretação de “Mea culpa” junto a Marina Viotti, o que adicionou um toque único e teatral ao show.
A apresentação do W.A.S.P. foi descrita como um “concerto-homenagem” à sua própria história, cheio de sucessos que o público cantou independentemente do clima. Embora a banda não tenha sido isenta de críticas nos últimos anos, seu show em Wacken demonstrou que seu catálogo continua sendo uma força poderosa. O “setlist”, extraído em sua maioria do seu álbum de estreia.
A banda norueguesa Dimmu Borgir, uma das mais emblemáticas do gênero, ofereceu um show no qual exibiu sua força sinfônica. A encenação, com efeitos visuais e os efeitos de fogo característicos da banda, complementou sua música. O “setlist” incluiu vários clássicos que ressoaram com a audiência, e o festival subiu um vídeo oficial da banda interpretando seu hino clássico “Mourning Palace”, do álbum “Enthrone Darkness Triumphant” (1997), confirmando que esta canção foi um dos pontos altos de sua atuação.
Ao contrário de outras bandas, Within Temptation utilizou sua plataforma para enviar uma mensagem política e social. A vocalista Sharon den Adel se mostrou abertamente contra a guerra, começando o show com a canção “We Go to War”. Além disso, ela usou uma máscara e a bandeira da Ucrânia pintada no braço. Este gesto foi um ponto de partida poderoso para seu show.
A presença de Lita Ford no Wacken Open Air 2025 foi um evento muito esperado, especialmente para os fãs do rock dos anos 80 e para aqueles que esperavam há anos para ver a “Rainha do Metal” na “Terra Santa”. Apesar dos problemas técnicos que alguns presentes relataram com o som no palco Louder, Lita Ford ofereceu um show enérgico e profissional. Ela abriu seu “set” com “Gotta Let Go”, demonstrando sua destreza na guitarra, que é sua marca distintiva. Seu estilo foi descrito como uma “tempestade de energia, precisão e atitude”, com solos que combinam a técnica vertiginosa com uma grande musicalidade.
A atuação de King Diamond, que aconteceu no último dia do festival, foi um espetáculo teatral completo, uma “missa negra” que caracteriza o estilo único do artista dinamarquês. A encenação, com uma elaborada cenografia e efeitos visuais. Apesar das condições climáticas durante o show, foi uma experiência que valeu a pena. O “setlist” de King Diamond foi um percurso por seus álbuns mais aclamados, incluindo hinos de sua carreira solo e temas de Mercyful Fate. Um dos momentos mais emocionantes do show de King Diamond foi a dedicatória da canção “Masquerade of Madness” a Ozzy Osbourne.
Assim como em edições anteriores, a chuva foi um fator constante, transformando o “Holy Ground” em um pântano gigante. O Wacken Open Air 2025 foi uma edição memorável que combinou um “cast” de primeira linha, com shows de bandas lendárias e atos modernos, com o inabalável espírito de sua comunidade. O festival não foi apenas uma celebração da música, mas também uma reafirmação de que a resiliência e a paixão do metal não têm limites.
Os drones foram novamente um belo espetáculo e parte importante desta edição com um tributo ao infelizmente falecido Ozzy Osbourne, presentes também na atuação histórica de Guns N’ Roses e para anunciar as primeiras da edição de 2026, Def Leppard, Savatage e In Flames, em um espetacular encerramento visual do festival.
Texto e fotos: Sergio Blanco

