Entre o peso e a melodia, Aléxia lança o primeiro álbum ‘Garra’
A cantora e compositora Aléxia, artista do cast da Venus Concerts, lança no streaming o primeiro álbum da carreira, Garra. O disco reúne 14 faixas e consolida a identidade que ela define como heavy pop, uma sonoridade construída entre o peso do rock e do metal, a energia do pop punk, a carga emocional do rock alternativo e refrões de forte apelo melódico.
Em Garra, Aléxia apresenta músicas sobre saúde mental, luto, medo, coragem, empoderamento, amor, pertencimento e reconstrução.
A imagem que dá nome ao álbum parte da ideia da marca deixada por uma garra, uma ferida que permanece, mas também se converte em força. A capa apresenta a garra de um “monstro” que fere a artista, símbolo que, para Aléxia, não representa apenas uma pessoa ou um trauma específico.
“Esse ‘monstro’ representa todas as pessoas e situações que já me fizeram mal, inclusive eu mesma. Eu já fui esse ‘monstro’ na minha própria história. Agora eu sigo com minhas cicatrizes e aceitando que tudo que me aconteceu me trouxe aqui”, afirma Aléxia.
O primeiro single do álbum, Seja Você, já havia apresentado ao público a direção estética e emocional do projeto. A faixa ganhou clipe oficial gravado em Tatuí, cidade onde Aléxia vive e que ocupa lugar importante na construção de sua trajetória.
No vídeo, a artista reforça a relação entre identidade, origem e afirmação pessoal, em uma narrativa marcada pela busca por autenticidade em meio ao caos.
Embora funcione como uma faixa de afirmação, Seja Você nasce também de uma dor. Para Aléxia, a música não trata apenas da liberdade de ser quem se é, mas da violência simbólica de tentar pertencer a espaços que não reconhecem determinadas existências.
O álbum todo traz situações como essas, que são comuns, e que, mesmo sendo momentos difíceis, nos fazem crescer de alguma forma”, diz.
Repertório humano e versátil
Entre as 14 faixas, Fevereiro ocupa um lugar especialmente sensível. A música aborda o luto, tema que Aléxia aponta como o mais difícil de transformar em composição. Em vez de tratar a perda como superação simples, a faixa assume a permanência da dor e a tentativa de convertê-la em linguagem.
“Acredito que o luto foi o tema mais difícil. A gente sabe que a dor nunca vai embora, a gente só transforma ela em outra coisa. Foi difícil passar esse sentimento para a música ‘Fevereiro’, que é a faixa que tem essa temática, mas escrever ela me trouxe um pouco de alívio de alguma forma”, afirma.
A exposição emocional também aparece em Letra e Música, faixa que, ao lado de Fevereiro, coloca a artista diante de temas que ela define como especialmente vulneráveis.
“Sempre tive dificuldade de expor meus sentimentos e fragilidades, sempre odiei me sentir vulnerável. Essas faixas falam, respectivamente, de luto e de amor, temas que me expõem completamente. Mas eu sou essa pessoa. Eu sinto as coisas demais, é minha força e minha fraqueza”, diz Aléxia.
Essa tensão entre peso e melodia atravessa faixas como Monstro, Game Over, Cereja, I Don’t Wanna Die (com participação de Mi Vieira, do Glória), Ansiedade, Saturno, Letra e Música e Seja Você.
O álbum também conta com participação de Mi Vieira, vocalista da banda Glória, em I Don’t Wanna Die, ampliando a conexão de Aléxia com uma cena brasileira ligada ao rock pesado, ao hardcore melódico e ao metal alternativo.
Produção ‘porrada’
Garra também marca um avanço de composição, arranjo, timbre, produção e interpretação.
O disco foi produzido musicalmente por Gustavo, com gravação, mixagem e masterização de Alê Gaiotto, em trabalho realizado na Gargolândia.
Para Aléxia, o resultado aproxima o álbum da energia dos shows e registra uma banda em fase de maior sintonia.
“Ele vem muito coeso e maduro. Identidade sonora, letras e visualmente, ele me representa demais. Sinto que também pude entregar o meu melhor vocalmente. Além, é claro, da minha banda. Nossa sintonia está cada dia mais afiada e a energia das gravações soa como ouvir a gente ao vivo. É uma porrada”, afirma.
Foto: Vitor Duik

