Andreas Kisser diz não se preocupar com vida pós-Sepultura
Em uma entrevista recente com Jarek Szubrycht, do Mystic Festival da Polônia, o guitarrista do SEPULTURA, Andreas Kisser, falou sobre a decisão da banda de embarcar em uma turnê de despedida que, quando terminar no final de 2026, terá durado três anos. Ao ser questionado sobre por que agora seria o momento certo para encerrar as atividades, Andreas disse: “Acho que foi um ótimo momento. 40 anos de banda é uma marca incrível. Temos uma história maravilhosa, vindo do Brasil, tocando em quase 80 países ao redor do mundo, levando a música brasileira para o heavy metal, para o thrash metal, para a música pesada em geral. E fizemos um grande álbum, ‘Quadra’ [de 2020], nosso último. Sobrevivemos à pandemia, ao lockdown. Eu também passei por uma experiência pessoal com minha esposa. Ela faleceu após [uma batalha contra] o câncer há dois anos e meio, e isso me deu uma nova perspectiva de vida — quando você passa a respeitar a finitude, quando respeita a morte, quando você não a nega. Temos uma tendência de não falar sobre morrer, de não falar sobre a morte em geral, e depois da partida dela, uma grande parte de mim morreu com ela. Mas, ao mesmo tempo, outras partes nasceram — novas experiências, novas ideias, novos horizontes, novas situações. Eu não escolhi esse caminho, mas ele aconteceu. E morrer e a morte têm sido meus maiores professores, meus maiores mestres. E senti que para o SEPULTURA seria o mesmo, de verdade, dar um descanso. Eu estava me sentindo muito pressionado para escrever outro álbum, fazer outro ciclo, fazer outra turnê. Não é fácil escrever um álbum. Você precisa estar 100% focado. E decidimos parar por um tempo.”
Kisser continuou: “Estamos gravando um álbum ao vivo nessa turnê. Vamos lançar esse álbum ao vivo. Ainda temos coisas para fazer nos próximos dois anos. Não estamos com pressa. Estamos dizendo adeus, mas com calma. Estamos fazendo do nosso jeito. Queremos realizar nossos últimos desejos, digamos, ir para a Islândia pela primeira vez, visitar lugares na África e tudo mais, tocar em lugares onde nunca estivemos, fazer parcerias e turnês. Muitas coisas estão acontecendo e chegando propostas. Queremos ir a todos os lugares do mundo, realmente aproveitar esse momento, e depois apenas respirar um pouco… E está sendo ótimo. Ainda é empolgante. Esta é a melhor turnê que fizemos na Europa em toda a nossa história. Muitas pessoas estão vindo ver o SEPULTURA pela primeira vez. Outros fãs se conheceram num show do SEPULTURA. Agora estão casados. Estão com seus filhos com a gente. É maravilhoso. É um sentimento fantástico. E é com um espírito muito grato que dizemos aos nossos fãs: ‘Muito obrigado por manter essa banda viva e relevante por 40 anos.’”
Sobre como pretende passar o tempo quando o SEPULTURA concluir a turnê de despedida, Andreas disse: “Desde que entrei no SEPULTURA, em 87, nunca paramos — nunca. Mesmo durante o lockdown, criamos um álbum. Quando mudamos de vocalista, de empresário e tal, estávamos sempre ensaiando, sempre trabalhando com foco no futuro, etc. E parece que é um bom momento porque ainda somos jovens o suficiente para ter motivação para começar algo novo do zero. Claro que estarei envolvido com música. É o que eu faço, é o que eu amo fazer. Não vou sair do SEPULTURA para vender carros ou algo assim. Vou continuar fazendo música. Ainda estudo música.”
Andreas acrescentou: “Não estou muito preocupado com o futuro [pós-SEPULTURA]. Como eu disse, ainda temos mais dois anos dessa turnê. Gosto de aproveitar o momento, como estamos fazendo aqui. Cada show tem sido incrível. É uma sensação fantástica. Tenho muitas opções diferentes. Já tenho outra banda chamada DE LA TIERRA. Tenho um programa de rádio em São Paulo com meu filho há 13 anos. E tenho algumas atividades paralelas que já faço e às quais talvez eu possa me dedicar mais. Também quero fazer uma videoaula de guitarra, finalmente, um vídeo falando sobre meu estilo, sobre a música do SEPULTURA, violão e tal, para poder me dedicar mais a isso e realmente fazer acontecer. Muitas pessoas pedem isso também, então quero mesmo ter mais tempo para isso. E conheço muitos músicos, muitas bandas. Estou conversando com pessoas, dizendo ‘vamos fazer isso, vamos fazer aquilo’. Tenho uma ideia de fazer um projeto de reggae com o Derrick [Green, vocalista do SEPULTURA]. Quem sabe? [Risos] Gosto de manter as coisas em aberto. Quer dizer, é um pouco assustador, mas ao mesmo tempo é muito empolgante sentir essa liberdade de poder realmente se expressar e ver o que acontece. Acho que é por isso que estamos parando — para sair da zona de conforto, sair e respirar um ar artístico diferente.”

