Carcass ao vivo em São Paulo: review e galeria de fotos
Na última quinta-feira, 15 de maio de 2025, o Carioca Club em São Paulo foi palco de um dos shows mais marcantes do ano. Diretamente de Liverpool e com quase quarenta anos de carreira, a lendária banda de Death Metal Carcass voltou ao Brasil, um ano após sua participação na segunda edição do Summer Breeze, agora sob o nome de Banger Open Air. Além de São Paulo, eles também se apresentaram em Belo Horizonte no dia anterior.
Horas antes do início do show e da abertura das portas, uma grande galera já se reunia, ansiosa para ver os ingleses novamente no país. Para este repórter, foi a segunda vez assistindo ao Carcass ao vivo. A primeira foi em 2017, no Liberation Festival em SP, que tinha o King Diamond como headliner. Por causa do clima mais íntimo do Carioca Club, essa foi uma oportunidade única de sentir toda a potência do show bem de perto. Comparando às experiências anteriores, sem dúvida, essa foi a melhor.
Pontualmente às 20h30 e com a casa abarrotada de gente, a banda subiu ao palco com “Until for Human Consumption”, que desde os primeiros acordes colocou o público em transe. Os punhos se ergueram com força, e a vibração era intensa a cada nota. Assim, formou-se a clássica roda de mosh, indispensável em apresentações da banda e em qualquer show do gênero. A energia era tão grande que o espaço parecia pequeno – mal dava para se mover. Ou seja, não havia como desviar a atenção do quarteto no palco.
O setlist foi como uma viagem pela história da banda, trazendo clássicos como Buried Dreams, No Love Lost, Black Star, Tomorrow Belongs to Nobody e Corporal Jigsore Quandary. Todas foram tocadas de forma firme, com um som bem cristalino e equilibrado. A reação do público foi tão forte que muita gente se arriscou a cantar junto os riffs. Do álbum mais recente, Torn Arteries, tocaram Dance of Ixtab (Psychopomp & Circumstance March No.1 in B), Kelly’s Meat Emporium e The Scythe’s Remorseless Swing, sendo esta última um dos momentos mais calmos da noite.
A impressão ao ver a banda no palco é a de estar ouvindo os próprios discos, sem alterações desnecessárias. A dupla de guitarristas, Bill Steer e Ben Ash, mostrou-se eficiente o tempo todo: cada riff que saía das guitarras parecia atingir a alma, de tão agressivo e preciso. O baterista Daniel Wilding demonstrou técnica e precisão muito acima da média – uma verdadeira máquina, melhor dizendo. Já o líder Jeffrey Walker, agora com um visual diferente, foi o centro das atenções. Apesar de não falar muito, o vocalista e baixista comandou o show com uma presença de palco marcante. Um dos momentos mais marcantes foi quando ele jogou cerveja e água para a galera durante a apresentação. Um gesto simples, mas que elevou ainda mais a conexão entre banda e os fãs.
A trinca final com Captive Bolt Pistol, Ruptured in Purulence / Heartwork e Carneous Cacoffiny deu a sensação de que o show ainda não estava terminando, já que cada faixa foi cantada aos berros – especialmente “Heartwork”, considerado o maior hit da história da banda. Um detalhe curioso foi a banda encerrar a apresentação ao som de “Have a Cigar”, do Pink Floyd, enquanto se despedia do público. Uma escolha inusitada, mas bem-humorada.
Em resumo, o show foi impecável, não deixando a desejar em nenhum aspecto – desde o som até a iluminação, transformando cada música em um verdadeiro massacre sonoro. Um detalhe interessante que evidencia o clima da noite foi que quase ninguém tirou os celulares do bolso para fazer filmagens, salvo em algumas ocasiões. Uma verdadeira conexão entre banda e fãs, tornando o show memorável.
Texto: Gabriel Arruda; Fotos: Leandro Almeida

