Leather Leone diz que vai dar um tempo na música: ‘Cansei de correr atrás’
Em uma nova entrevista com Ada, do Poisoned Rock, Leather Leone, a poderosa cantora de heavy metal que ganhou fama pela primeira vez nos anos 1980 como vocalista da banda do guitarrista David T. Chastain, CHASTAIN, revelou que está dando uma pausa nos shows e no trabalho em novos projetos relacionados à música.
“Vou dar um tempo na música. Quando [meu álbum solo mais recente] [We Are The] Chosen saiu em 2022, toda a minha visão naquela época era entrar no circuito de festivais. Quero dizer, venho me esforçando e lutando há quatro anos. E estou simplesmente cansada de ser quem corre atrás, em vez de ser procurada. Então é loucura… Sou muito grata, mas vou dar um passo para trás e entender qual é o meu próximo capítulo.”
Elaborando sobre seus motivos para “dar um passo para trás”, Leather disse: “O mundo da música é muito volátil. Eu nunca fui realmente recebida de braços abertos. Sempre fui a zebra. Mas, é, eu só não quero mais ficar batendo em portas. Então veremos o que acontece. Mas [estou] obviamente disponível para festivais, só não vou mais correr muito atrás da coisa da música… Chega. Chega… Mas, é, está tudo bem. Está tudo bem. Eu meio que soube disso quando estive no Brasil pela última vez tocando em clubes. Só não era a mesma coisa para mim. É assim que eu sou. Foi assim nos anos 90. Eu simplesmente me desligo às vezes, e acho que acabei de fazer isso de novo. Então não tenho certeza do que vou fazer a seguir, mas estou animada para ver o que surge… Estamos em uma fase agora em que tudo é extremo, toda a música é muito extrema. Fui preterida em várias turnês porque não sou tão extrema quanto eles, mas está tudo bem. Como eu disse, sou grata. Fiz coisas incríveis, fiz músicas ótimas, então está tudo bem.”
Falando sobre o lado empresarial de ser uma artista que grava e faz turnês, Leather disse: “Eu só não estou a fim de tudo isso — é, de novo, tão diferente agora — toda essa auto-promoção. Penso muito sobre isso porque acho que só estou no estágio em que estou musicalmente por causa do trabalho que dediquei a isso. Eu nunca fui uma daquelas pessoas que ficavam sentadas quando jovens pensando: ‘Meu Deus, quero ser uma estrela do rock. Quero fazer música. Quero estar no palco.’ Eu nunca realmente sonhei com isso. Era apenas algo que eu fazia. Eu sempre gostei de cantar, mas nunca fui do tipo ‘Ah’. Como eu estava lendo algo outro dia sobre o POISON e o Bret Michaels, e eles eram tipo… Quero dizer, ele tinha sete anos e dizia: ‘Vou ser uma estrela do rock’, blá, blá, blá. Eu nunca fui assim. É apenas algo que fiz. Então acho que a música fala por si só.”
“É engraçado, quando me mudei para cá, conheci Grace Slick [a vocalista do JEFFERSON AIRPLANE, JEFFERSON STARSHIP e STARSHIP]”, continuou Leone. “Ela foi uma das primeiras pessoas, e eu fiquei tipo, ‘Ah’. E ela me disse: ‘Você deveria ter nascido nos anos 60 e feito sua música nos anos 60… Porque era diferente naquela época.’ Ela disse: ‘Alguém teria olhado para você, te pego e feito tudo por você.’ Mas é simplesmente diferente. E eu não sou muito ligada a todo esse lado empresarial, e nunca tive uma equipe. É interessante para mim o quão longe cheguei, porque nunca tive um empresário. Nunca tive realmente um agente de reservas… E eu cheguei ao meu limite. Estou totalmente cansada.”
Sobre a evolução de sua voz ao cantar, Leather disse: “É engraçado. Eu escuto aqueles discos antigos do CHASTAIN e pareço uma garota de 12 anos. Eu queria cantar nas tonalidades que estou cantando agora, mas nunca conseguia. Então eu gosto de algo mais pesado e rasgado. Gosto do som mais grave. A voz de todo mundo mudou, mas lembro que Mike Varney [presidente da Shrapnel Records] me disse, quando fiz o disco do SLEDGE LEATHER [em 2011], ele disse que minha voz finalmente tinha criado corpo de verdade. É, minha voz realmente mudou na casa dos 40 anos… Não sei se isso acontece com uma pessoa comum, mas definitivamente com cantores, a voz muda.”
“É engraçado, as pessoas sempre me disseram: ‘Ah, Leather, é uma pena que você tenha que baixar o tom das músicas do CHASTAIN. Você não consegue mais cantá-las'”, continuou ela. “E eu fico tipo: ‘Eu consigo. Eu só não quero soar…’ Aquilo era chamado de afinação padrão. Nos anos 80 todo mundo usava afinação padrão. E aí veio o metal extremo, então baixamos o tom de tudo. E muita gente faz isso de qualquer forma. E eu sempre digo às pessoas, eu não toquei por 25 anos. Eu preservei minha voz. Então, quando eles pegam no pé de pessoas que fazem turnês o tempo todo, porra — tenta fazer 60 shows, cara. Não é fácil. Quero dizer, até mesmo agora para mim fazer quatro shows seguidos é algo grande porque eu não fico [cantando baixinho]. É, é um trabalho duro. É um trabalho duro. E, claro, as três coisas mais difíceis do mundo para mim: dormir, o que nunca faço; água, que odeio beber; e calar a boca. Quero dizer, lembro de quando fazia shows no Brasil, tinha tantos shows e eu ficava tão cansada que mandava o [promotor/empresário da Leather] Rodrigo [Scelza] ir fazer meus passos de som. Se eu pudesse ir para um quarto de hotel e apagar por 20 minutos, eu ficava bem. As cordas vocais simplesmente acordam.”
“We Are The Chosen” foi lançado em novembro de 2022 via Steamhammer/SPV. O trabalho marcou o primeiro material solo de Leather desde seu projeto de 2018, “Leather II”.

