Robert Lowe no La Iglesia, em SP: review e galeria de fotos
Bandas de abertura: Midgard e Loss
Local: La Iglesia (São Paulo-SP)
Data: 10/04/2026
Em sua primeira passagem pelo Brasil, o lendário vocalista Robert Lowe, que fez carreira com duas instituições do Doom Metal, Solitude Aeturnus e Candlemass, além de outros projetos, aterrisa em solo tupiniquim para dois shows em São Paulo (capital) e Sorocaba, nos dias 10 e 11 de abril de 2026.
Em sua banda solo nomeada de Disciple of Doom, conta com os brasileiros Bruno Luiz (guitarra), Fabio Carito (baixo) e Rodrigo Abelha (bateria), como músicos de apoio.
Mini turnê idealizada pelo Som do Darma, e show realizado pela já tradicional Caveira Velha Produções de São Paulo.
O texano que reside atualmente em solo norueguês com sua atual esposa e também empresária Anita, que esteve presente com ele em terras brasileiras, fez uma breve passagem nos dias que se antecederam ao show pelo bar A Gruta em Santo André, no ABC Paulista, uma tarde de autógrafos na loja London Calling na galeria do Rock, e uma coletiva de imprensa no atual point dos Headbangers de São Paulo, The Metal Bar em Pinheiros, como aquecimento a noite de sexta que prometia.
Enfim, é chegado o dia do julgamento! Clima frio e cinzento, perfeito para o estilo. A primeira banda Midgard de Bauru (SP), sobe ao palco por volta das 20h15.
Com um público razoável, a banda que está na estrada desde 1999, e com 2 álbuns lançados, além de algumas demos e singles, divulgou músicas de seus últimos trabalhos, “Verdugus” de 2024 e do EP “Echo Fractum” de 2025.
Em sua quarta passagem pela capital, a banda pratica um Doom Metal épico arrastado, cheio de climas e melodias, tendo em destaque a vocalista Paula Jabur, onde também o guitarrista Omar Rezende fazia algumas vocalizações, em melodias que simulavam lamentos e alegrias, com partes muito bem encaixadas de teclados pelo Miño Manzan, e bateria pulsante de Júlio, somadas ao baixo marcante de Jhow Moura.
O show teve algumas participações especiais, entre elas de Alex Voorhes da lendária banda carioca Imago Mortis, e que também produziu o álbum “From Ashes…” do Midgard. Ele subiu para cantar “When darkness fall”, música composta por ele por sinal. Destaque também para o cover do Kreator (Black Sunrise).
Segunda banda da noite: Loss, da nascente do Metal extremo mundial, Belo Horizonte entrou no palco por volta das 21h.
O power trio que tem em sua formação o baterista e membro fundador do Witchhammer (Teddy Bronsk), além de Adriano Azenaites (guitarra) e Marcelo Loss (baixo e vocal), praticam uma espécie de Stoner, referência musical mais próxima que encontrei para classificar o som da banda, função meio difícil de botar em prática, tamanha riqueza e complexidade musical do grupo.
Loss tem várias influências, enriquecendo o resultado final no som, difícil de rotular, o que demonstra originalidade e personalidade em uma banda. Tocaram músicas de seu primeiro e segundo álbum, “Storm” de 2022, e “Human Factor” de 2024.
Fizeram um set bem entrosado com a casa um pouco mais cheia, em um set de uns 40 minutos de show em média para o público que foi chegando aos poucos para reverenciar o americano, discípulo da ruína em sua primeira passagem pelo Brasil, e que teve como privilégio, duas ótimas escolhas na abertura de seu ritual, preparando o altar para o messias do apocalipse.
Por volta das 22h20, o clima fica denso e Robert Lowe entra no palco cantando à capela a primeira estrofe do clássico “Samarithan” do Candlemass, mostrando o quão belo pode ser esse instrumento chamado voz, quando usado com muito feeling e bom gosto, além da técnica apurada de quem está na estrada há décadas, vivendo pela espada!
Emendando com “Emperor of the Void” também do Candlemass, do seu álbum de estreia com a banda que leva o nome de “King of the Grey Islands” de 2007.
Casa lotada! Público efervescendo e exalando Doom Metal e enxofre. E o espetáculo continua, com The 9th day: Awakening, e Lament do Solitude Aeturnus. Senhores… Que voz… Que voz!!!
Imponência e melodia em uma essência totalmente anos 70, lembrando gigantes como Paul Rodgers e Ronnie James Dio.
Devil Seed e The Song of Dying Demons do Candlemass, é entoado por todos seus seguidores presentes com muita emoção e devoção ao priest of evil.
Com uma banda muitíssimo bem ensaiada e entrosada, levou o público ao delírio! Tudo muito pesado, tudo muito arrastado, com um clima quase ritualístico – como o Doom deve ser!
Vibrando como religião para os seus discípulos em um culto maldito. La Iglesia, o local escolhido era propicio para tal celebração.
Casa cheia e todos cantando em uníssono, cada palavra proferida pelo profeta da melancolia, em seus quase 60 anos, e em plena forma vocal. Clima sombrio, é hora de relembrar novamente o Solitude Aeturnus.
Tomorrow’s Dead e The Hourglass, Destiny Falls to Ruin e Scent of Death, levando os Headbangers que esperaram anos por esse dia, ao êxtase total.
E Robert catalisando toda essa energia e transformando em música e melodia, sempre interagindo com o público e realmente curtindo o show. Sem separação entre artista e fã!
At the Gallow’s End do mítico “Nightfall” do Candlemass, que apesar de não ser um álbum de sua fase na banda, ficou rediviva em sua voz única, não poderia deixar de faltar no set list, esse épico, deixando o que já era mágico por natureza, mais mágico ainda.
Recitada palavra por palavra por todos os presentes, mostrando o quanto Robert é versátil em sua voz, podendo dar vida nova a sons gravados por terceiros, como um verdadeiro alquimista, que transforma tudo em ouro com seu toque.
E o martelo da desgraça cai em todos os presentes com “Hammer of Doom” do Candlemass, do opus “Death Magic Doom”
Atmosfera densa, envolvente, e acima de tudo, metalizada pelos deuses do aço e da lamentação!
Para fechar, “Opaque Divinity” do disco de estreia do Solitude Aeturnus de 1991, chamado “Into the Depths of Sorrow”.
Não satisfeito, o público pedia mais e mais, a banda retorna ao palco para tocar “Heaven and Hell” do poderoso Black Sabbath, constatando o obvio que todos já sabemos, o quanto Robert Lowe é um “DIO Disciple”, honrando o legado da bruxa inglesa, e confirmando que ele é mais um devoto de Tony Iommi e cia, como toda banda e artista de Doom Metal que se preze.
Finalizado o show que teve quase uma hora e meia de duração, Robert atendeu a todos os presentes, para fotos e autógrafos, demonstrando muita atenção e humildade, apesar de sua grandiosidade, e genialidade musical, e que é também um fã de música pesada, igual a todos nós presentes nesta black magic night.
Texto e fotos: Igor Lopes









































