Steve DiGiorgio relembra anos com Chuck Schuldiner, no Death
Em uma entrevista à D’Addario And Co., o veterano baixista de metal Steve DiGiorgio falou sobre como foi tocar e fazer música com o falecido mestre do DEATH, Chuck Schuldiner, nos anos 1990. Ele disse: “Trabalhar com Chuck… Ele estabelecia a música com seu riff e permitia que os músicos ao seu redor pegassem aquilo e interpretassem da maneira que achassem melhor, desde que ainda seguissem a direção que ele tinha definido. Ele realmente incentivava os músicos a acrescentarem algo àquelas composições. Houve momentos em que eu escrevia algo um pouco fora do padrão, algo meio louco, e pensava: ‘Ah, ele vai ouvir isso e provavelmente vai querer suavizar porque é um pouco ousado demais’. E ele apenas balançava a cabeça e dizia: ‘Cara, eu sei que você pode fazer mais. Eu gosto da sua ideia, mas vamos lá — se joga’. Então, ele foi um grande fator para que eu me arriscasse. Ele era do tipo que tentava qualquer coisa.”
Steve continuou: “Antigamente, as pessoas perguntavam: ‘Ele é um tirano no estúdio?’ E eu respondia: ‘Cara, você está brincando? Esse cara é a pessoa mais mente aberta e livre-pensadora que existe’. Houve momentos em que suas ideias fugiam um pouco do que ele procurava, e ele te puxava de volta, dizendo: ‘Você pode guardar isso para outro momento? Porque talvez eu tenha uma parte de harmonia vindo e não quero que haja conflito’. Ele não deixava simplesmente tudo acontecer — havia um bom controle de qualidade — mas ele tinha confiança suficiente em sua própria capacidade de composição para permitir que os músicos fossem eles mesmos, trouxessem sua personalidade e decorassem seus riffs. E ainda assim, era sua composição, ainda era DEATH, e mais pessoas passaram a curtir porque agora o mundo da bateria se interessava por essa banda, os baixistas se interessavam por essa banda. Então, ele acolhia esse tipo de abordagem porque atraía mais gente. E aí você olha para o catálogo da banda. É uma banda icônica, com death metal brutal e musicalidade embutida.”
“Ele veio de um cenário muito brutal, então o material antigo tem essa vibe gutural e demoníaca, mas seus interesses estavam no power metal, metal clássico, canto melódico — Bruce Dickinson, Rob Halford, King Diamond”, acrescentou DiGiorgio. “Isso sempre esteve presente e influenciou sua evolução como compositor. Progressões bem marcantes e notas alegres eram inseridas em um contexto brutal. Há essa fusão ali, e acho que isso o diferenciava porque ele não tinha essa margem estreita de ‘Isso é death metal’. Não havia limites. Se algo soava um pouco mais alegre, ótimo. Bom, talvez a próxima parte fique sombria de novo, e nós íamos alternando. Acho que isso dá ao DEATH seu caráter distinto — essa disposição de romper gêneros e deixar as influências entrarem naturalmente.”
Há mais de uma década, DiGiorgio está em turnê com o DEATH TO ALL (DTA), que conta com ex-membros do DEATH celebrando a vida e a música de Schuldiner.
A formação atual do DEATH TO ALL inclui DiGiorgio no baixo, Gene Hoglan (também do DARK ANGEL e DETHKLOK) na bateria e Bobby Koelble na guitarra, com Max Phelps (CYNIC) assumindo os vocais e a segunda guitarra.
Schuldiner faleceu em 13 de dezembro de 2001 após uma batalha contra um glioma pontino, um tipo raro de tumor cerebral.

