System of a Down em SP: review e galeria de fotos
O System of a Down é uma das bandas de metal mais famosas atualmente. Foi formada em 1994, na Califórnia, e já vendeu mais de 12 milhões de álbuns. O System lançou seu último álbum em 2005, e entraram em hiato em 2006, voltando à ativa apenas em 2010, mas apenas para shows e tours, até passando pela América do Sul em 2015. Sua última tour completa foi em 2018, e desde então eles vinham fazendo shows esporádicos, cada vez mais distantes um do outro. Então, você pode imaginar a surpresa dos fãs no final do ano passado ao anunciarem uma tour completa pela América do Sul, voltando pela primeira vez em 10 anos.
No Brasil, último país da rota da turnê, fizeram 6 shows, um no Rio de Janeiro, um em Curitiba, e três em São Paulo, fechando a turnê e a passagem pelo país com um show esgotado no Autódromo de Interlagos, na quarta-feira do dia 14/5/2025.
O show contou com duas bandas de abertura, Ego Kill Talent e AFI.
O Ego Kill Talent é uma banda brasileira, formada em São Paulo em 2014, e desde então, pegou uma má fama por abrirem todos os grandes shows internacionais de rock e metal nos últimos anos, cansando o público que está acostumado a ir em shows, algo visível durante sua apresentação no Autódromo.
Durante seu show, poucas pessoas estavam interagindo com a vocalista na hora que ela pedia para bater palmas ou cantar junto com ela, a maioria apenas assistindo e esperando acabar. O show até contou com a participação de Jean Patton, guitarrista co-fundador do Project 46, mas mesmo assim não foi o suficiente para agitar o público.
A segunda banda de abertura, AFI, é uma banda da California, que mudou bastante seu estilo ao longo dos anos, tocando músicas mais hardcore, punk, emo e gótico. E com seu show, até conseguiram trazer um pouco mais de ânimo pra plateia, mas a grande maioria ainda estava meio morna.
Seu set passou por quase toda sua discografia, deixando apenas músicas dos seus quatro primeiro álbuns de fora. Começaram o show com a música Girl’s Not Grey, do seu álbum de 2013, já abrindo o set com um de seus maiores hits. E desde cara, já podemos ver que a performance da banda no palco é bem energética, especialmente a do vocalista Davey Havok.
Finalizaram o set com sua música mais famosa, popularizada pelo jogo Guitar Hero 3, que é Miss Murder. A música conseguiu cativar ainda mais o público que estava presente, e assim finalizar seu show da melhor forma possível.
Após o show do AFI, ainda tinha bastante gente entrando no Autódromo. Por ser um show no meio da semana, muitas pessoas foram depois do trabalho, e só conseguiram chegar em Interlagos perto da hora do show.
E durante esse período, era possível ver uma falta de organização no local. Com um dos portões de entrada fechados e fazendo o público dar a volta pra entrar no Autódromo, nenhum telão para quem estava mais ao fundo poder ver o show de uma forma melhor. Mesmo assim, era possível ver a animação das pessoas presentes, ansiosas para ver o show do System of a Down.
Com alguns minutos de atraso, eles finalmente subiram ao palco, abrindo o show com X, faixa do seu segundo álbum, Toxicity. E direto nos primeiros segundos, várias rodas se abriram para mosh por toda a pista, e alguns sinalizadores já foram acesos. O caos que durou por toda a noite se iniciava ali.
“This is not a war zone, this is not a riot, this is a System Of A Down style Rock & Roll concert in Brazil!!!!!!!” – @DaronMalakian
🎥: @audiomassacre pic.twitter.com/o9soZ84X9B
— System Of A Down (@systemofadown) May 17, 2025
O setlist contou com uma mistura das músicas que eles estavam alternando durante seus shows, tocando quase todas em uma só noite.
Durante a primeira metade do show, os integrantes da banda mal falaram com o público, apenas tocando, mas isso não alterou em nada a agitação do público. Quanto mais perto do palco você estava, ficava mais impossível de você ficar parado, por conta de como as pessoas estavam animadas.
Logo no início, o show já contou com uma sequência de clássicos da banda, como Prison Song, Aerials, onde o público cantou a música quase tão alto quanto o Serj Tankian, o vocalista, e I-E-A-I-A-I-O, que já quase derrubou o Autódromo antes mesmo de chegar em 10 músicas.
Antes de tocar o clássico Soldier Side, do álbum Hypnotize, Daron Malakian, guitarrista e vocalista da banda foi falar com o público, e mostrou que já estava ficando sem voz por conta da tour. Mesmo assim, estava feliz que estava perdendo a voz com uma tour incrível daquelas.
Algo a destacar é a relação entre os integrantes da banda no palco. Quando eles entraram em hiato em 2006, foi por conta de brigas internas, e também existe uma divergência em opiniões políticas entre alguns de seus integrantes, e muitos especulavam que eles ainda estão em um clima ruim. Porém, uma coisa que esse show comprova, é que a banda atualmente estão com relações boas entre eles.
Durante Bubbles, música do Steal this album!, Serj vira o microfone para o baterista John Dolmayan cantar uma parte, onde ele brinca fazendo barulhos estranhos, que faz Serj cair no chão de dar risada. E ainda mandou um Fuck you pra ele depois, em forma de piada, e finalizaram a música com sorrisos nos rostos.
Todos os integrantes do SoaD possuem uma ótima presença de palco, cada um de sua forma única, especialmente Daron e Shavo. Shavo Odadjian, o baixista, consegue cativar bem o público, com suas diversas interações com a plateia. Daron, de sua forma maluca, grita com a plateia, gira e dança pelo palco enquanto toca e canta, e assistir a sua maluquice acaba sendo um dos pontos mais altos do show.
Um pouco depois, tocaram Bounce, e durante a música, era possível ver todo o Autódromo pulando sem parar, a pedido dos gritos do Daron. Já na Chop Suey!, todos cantaram juntos durante o refrão final, provavelmente uma das letras mais famosas do System.
A sequência final trouxe alguns dos maiores clássicos da banda, como Cigaro, que foi dedicada a toda a equipe do System of a Down, bem como a todos os funcionários do local.
E então, finalizaram com Toxicity e Sugar. Existem diversos vídeos virais mostrando o caos que estava acontecendo durante os shows da Wake Up! Tour, e o povo presente em Interlagos não deixou a desejar, sendo o show com maior quantidade de rodas e sinalizadores enquanto Daron cantava no palco “Everybody is spinning around”. A fumaça vermelha dos sinalizadores era tão forte, que pra quem estava mais atrás, já havia coberto completamente a visão do palco.
E Sugar, a última música do show, trouxe mais um pouco de confusão e agitação para a noite (como se estivesse em falta).
Esse show, bem como a tour inteira, mostra a força que a banda ainda tem no público de shows e no público de metal, bem como o impacto que trouxeram no mundo musical desde que começaram. A parte mais triste do show ter acabado, é saber que existe a grande possibilidade de essa ser a última passagem do System of a Down pela América do Sul, já que eles fazem cada vez menos shows, que nem dito no início. Mas, acredito que falo por muitos quando digo que prefiro estar errado nessa previsão.
Texto: Eduardo Santos; Fotos: Leandro Almeida

